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Edição 256, Porto Alegre, 03/06/2004  
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Reciclagem contínua
03/06/2004

Tempo escasso e obrigações redobradas. A explosiva combinação habita a rotina dos executivos do primeiro time – e também a dos candidatos ao posto – e requer escolhas eficientes sobre o que fazer para potencializar o desempenho. Se há consenso de um preparo continuado é fundamental, o mar de ofertas disponíveis no mercado da educação profissional torna a decisão sobre o que freqüentar um capítulo à parte.

“Compartilhar experiências foi decisivo na minha formação e hoje é uma recomendação que faço em palestras”, diz Sérgio Vaz, diretor de negócios da VPC (Votorantim Papel e Celulose).

Formado em administração de empresas pela USP, com passagens pelos renomados cursos da norte-americana Kellogg e da francesa Insead, Vaz iniciou a carreira na Unilever, onde ficou por 18 anos, antes de ingressar na VPC, onde está há quase 15.

Defensor consciente da necessidade da reciclagem, Vaz se ressente de uma abordagem mais específica de competências em alguns segmentos dirigidos aos altos executivos. “Há um padrão no mercado que se limita a aplicar fórmulas fundamentadas em pesquisas de clima empresarial, além dos ditames dos tradicionais manuais de ‘cases’ consagrados que, embora ajudem, não habilitam para as interações necessárias no dia-a-dia”, avalia Vaz.

“É comum me deparar com executivos bem preparados nas questões relativas ao ‘foco no resultado’, mas carentes, por exemplo, na compreensão das questões políticas presentes na cultura corporativa”, conta Karin Parodi, sócia da Career Center, empresa de consultoria em gerenciamento de carreiras.

Junto com a sócia Luciana Sarkozy, Karin decidiu investir, há três anos, em um serviço altamente especializado para o planejamento da vida executiva, qualificado no desenvolvimento de estratégias a médio prazo. “A carreira, hoje, está na mão do indivíduo, não na da empresa em que ele presta serviços, como acontecia no passado”, diz ela.

A oferta de serviços aconselhados à gestão de carreiras está em crescimento. Empresas e escolas aprofundam seu repertório na tentativa de sanar as carências que vão surgindo coma dinâmica ditada pelo mundo dos negócios. “A concorrência globalizada faz com que as empresas busquem novos modelos para se manterem competitivas e inovadoras”, afirma Dieter Kelber, professor do Instituto Avançado de Desenvolvimento Intelectual (Iadi) e da Business Processes School.

O perfil dos profissionais para as grandes corporações no momento requer os chamados “gestores de processos”, indivíduos capazes de coordenar todas as áreas, de vendas ao fornecimento final de produtos e serviços aos clientes e consumidores finais. “Nos últimos anos deu-se excessiva atenção às questões estratégicas”, explica Anne Nemer, diretora do MBA da Universidade de Pittsburgh no Brasil. “Percebeu-se então que é bem mais importante saber executar estratégias, pô-las em prática, do que simplesmente criá-las.”

Com a intenção de suprir essas carências, o consultor José Carlos Teixeira Moreira, que há 30 anos dedica-se ao marketing industrial, encabeça projeto inédito de cursos dedicados a executivos em atividade, com apoio da FGV e da Fundação Dom Cabral.

“Não é um MBA, nem pós-graduação, mas uma formação destinada à elite de executivos empreendedores”, explica Moreira. “São cursos tocados não por professores de excelência acadêmica, mas sem qualquer vivência no mundo real, e sim por professores-executivos.” A proposta começou a germinar como resultado de discussões com profissionais de comando de companhias como Método, 3M do Brasil, Volkswagen, Goodyear, grupo Votorantim, entre outras.

“Boa parte dos cursos de aprimoramento profissional são pautados por uma grande distância entre a realidade e a teoria. Proliferam debates infindáveis sobre teses que não mobilizam os executivos de elite, pressionados por outras demandas”, afirma Moreira. “A proposta da escola de marketing industrial é oferecer ferramentas para se ir além das exaustivas discussões de cases, muitos deles ultrapassados pela própria dinâmica da vida real.”

Segundo Vaz, da VPC, “para o marketing industrial operar a contento é necessário entender que à medida que torno mais forte a rede em que estou inserido, ganho competitividade eliminando a ineficiência da cadeia produtiva.”

Mudanças rápidas e concorrência global exigem cada vez mais dos profissionais. Sobreviver nesse mercado requer capacidade de interpretação da realidade e flexibilidade para adaptação. Com cargas horárias de trabalho puxadas, muitos cursos buscam facilitar a vida do profissional que quer se atualizar.

Espécie de passaporte para uma carreira bem-sucedida, cursar um MBA (Master in Business Administration) tornou-se uma obsessão no mercado de trabalho nacional nos últimos anos. Inventado pelos norte-americanos ainda no começo do século passado, o curso de pós-graduação “em negócios” pautava-se pelo recorrente incentivo à melhoria das práticas profissionais. O sucesso propalado pelos que cursaram o MBA fez dos EUA referência, levando toda uma geração a buscar neles a qualificação necessária para evoluir em seus projetos profissionais.

O aumento da procura levou à expansão da oferta no mesmo ritmo. Passar pelos bancos de um MBA virou quase obrigatório, especialmente entre os que têm menos de 40 anos. Qualquer material dá o instrumental de contabilidade ou finanças necessários para as boas práticas empresariais. O relevante na opinião dos que desenvolvem os projetos de especialização, é provocar profissionais a se manterem despertos às novas experiências.

A cada cinco anos, no máximo, é fundamental uma reciclagem. Nenhum nível educacional pode ser considerado satisfatório, assim a melhor formação é sempre ditada pela renovação feita através de cursos de maior prestígio no mercado, na avaliação de especialistas.

Pesquisa do IBGE sobre o processo educacional no país, realizada em 1998, aponta que os cursos de extensão universitária proporcionam no Brasil salários 66% maiores do que recebido por quem cursou apenas o bacharelado. A taxa de desemprego, naquela época, girava em 1% entre os pós-graduados e em 2% entre os que só fizeram faculdade, sendo que a média nacional era de 8%.

A atual crise econômica alterou significativamente esses percentuais, com o desemprego na Grande São Paulo atingindo 20%. Mesmo assim, há consenso de que os mais bem preparados sobrevivem melhor. Condição que faz permanecer válida a projeção de que, a cada vez que uma pessoa completa uma etapa de estudo, sua remuneração aumenta cerca de 40%, sendo que o maior salto se dá com o diploma de um curso superior.

Autor: n.d.
Email do Autor: n.d.

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