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Edição 559, Porto Alegre, 13/09/2001  
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EUA Sob Ataque
13/09/2001

marcio.coimbra@uol.com.br
Especialista em Direito Internacional

World Trade Center e Pentágono. Um, o coração do poder econômico, o outro,
o coração do poder de defesa estratégica e militar norte-americana. Os
Estados Unidos sofreram um golpe profundo em suas instituições. Entretanto,
seria errado pensar que somente os Estados Unidos sofreram um golpe. Além
dos americanos, o mundo sofreu com a brutalidade dos criminosos atentados
terroristas monstruosos deste 11 de setembro. Além de coração financeiro
norte-americano, o complexo do WTC, é o centro financeiro mundial. As duas
torres de 110 andares, onde trabalhavam 50.000 pessoas de 28 nacionalidades
diversas foi o triste palco de um assassinato em massa.

Se os ataques foram uma declaração de guerra, esta não se remete somente aos Estados Unidos, mas a todo mundo. Os principais líderes mundiais condenaram veementemente as brutais agressões ocorridas nas duas principais cidades dos Estados Unidos. Jacques Chirac, presidente francês, classificou os atentados com um ato monstruoso, Vladimir Putin, presidente de outra potência de força atômica, a Rússia, afirmou que os atos bárbaros não podem ficar sem castigo e Gehard Schöreder, chanceler alemão, afirmou que estes atentados criminosos são uma declaração de guerra contra a comunidade internacional.

Mas quem poderia ser o mentor destes atos hediondos contra os americanos e
contra a humanidade em extensão? Analisemos os fatos: atentados deste porte
somente poderiam ser orquestrados por um grupo grande e organizado, com
muito dinheiro e com membros dispostos a dar sua vida por uma suposta causa.
Ora, estas não são características das milícias norte-americanas, ao
contrário, tudo indica uma outra conclusão, ou seja, o da organização
realizada por grupo ligado ao mundo muçulmano. Dentro desta linha de
raciocínio, não há dúvidas quanto ao principal suspeito: o terrorista Osama
bin Laden, abrigado no Afeganistão e inimigo número um dos Estados Unidos.

Os Estados Unidos estiveram sob ataque como nunca se havia presenciado.
Contudo, é equivocado classificar o sistema americano de defesa como falho.
Ora, qualquer nação aberta, democrática e baseada em princípios de
liberdade, que tem os EUA como sua principal expressão, está sujeita a este
tipo de ataque. Não existe sistema de defesa que possa impedir um terrorista
kamikaze fundamentalista tomar o manche de um avião e joga-lo em um alvo
pré-determinado. Temos que concordar que é possível prevenir, mas uma
prevenção deste tipo nunca chegará a ser 100% segura. De outro lado, os
tristes fatos ocorridos nos EUA corroboram a tese do governo americano
republicano de construir um escudo antimísseis, pois se não é possível
erradicar de forma completa com a possibilidade de atentados, devemos ao
menos diminuir a possibilidade de os mesmos acontecerem. Já sabemos que a
ousadia faz parte da cartilha inimiga.

O seqüestro de cinco aviões, que viajavam da costa leste para a oeste,
cheios de combustível, em início de vôo (o que potencializou as explosões)
que resultou no desabamento das torres do WTC e de um prédio vizinho de
quarenta e sete andares, além da colisão criminosa de outro avião contra o
Pentágono, não pode ficar sem resposta, como afirmou o presidente russo
Vladimir Putin. Posiciono-me com a minoria dos articulistas que acredita no
potencial do presidente Bush e sua equipe desde as eleições. Pessoas
preparadas, como Condolezza Rice, Donald Rumsfeld, Dick Cheney e Collin
Powell formam o centro nervoso de toda a operação que já se encontra em
curso. Não tenho dúvidas de que os culpados receberão a resposta firme
merecida.

De todas as análises que escutei, não ouvi nada mais estúpido do que
comentários no sentido que os Estados Unidos mereciam este ataque em função
de sua arrogância. Ora, os Estados Unidos são livres, como qualquer nação,
para tomar as atitudes que achar melhor para seu povo e nem os mais
enfadonhos sentimentos antiamericanos justificam o cometimento de crimes
contra humanidade de característica anticivilizatória como os do dia 11 de
setembro. Não me abstenho de criticar os EUA quando necessário, mas não
tenho vergonha alguma de apoiar os americanos quando é prudente e sensato.
Por fim, não são somente os EUA que necessitam de apoio, somos todos nós. O
mundo deve vencer o terrorismo.


marcio.coimbra@uol.com.br
marcio.coimbra@uol.com.br

 
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