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A tecnologia atrás das grades
27/11/2003
Responda rápido: qual é o resultado da soma de placas de metal de um fichário com duas escovas de dente derretidas e alguns elásticos? Provavelmente, nem o melhor cientista do mundo ache a solução para o problema. Mas gênios do universo carcerário têm a resposta na ponta da língua: aquecedores elétricos.
Essa e mais 80 engenhocas rudimentares estão no livro Prisoner’s Inventions, assinado por Ângelo, detento de uma penitenciária da Califórnia, nos Estados Unidos. O grupo artístico Temporary Services, de Chicago, ajudou na produção da obra, fazendo as ilustrações.
O livro mostra o que a necessidade é capaz de gerar. Ângelo faz peças de xadrez moldadas com papel higiênico e água com açúcar, transforma frascos de molho de pimenta em duchas e usa vasos sanitários para gelar bebidas. Jerry, seu colega de cela, é o próprio McGyver (personagem de um famoso seriado de televisão): ele introduz grafites de lápis e clipes numa tomada para gerar uma faísca elétrica que incendeia um chumaço de papel seco na ponta. Resultado? Um isqueiro improvisado.
“Ângelo está nos dando a oportunidade de conhecer um pouco do lado bom dos prisioneiros. É a celebração da criatividade em resposta à dureza do confinamento”, comenta Mark Fischer, do Temporary Services.
A tecnologia atrás das grades ganhou fama. Até fevereiro de 2004, 30 objetos montados pela Temporary Services, a partir de descrições de Ângelo, estarão em exposição no Museu de Arte Contemporânea de Massachusetts.
“O público terá a oportunidade de ver como as pessoas podem mudar seu mundo para melhor, por pior que ele seja”, diz Nato Thompson, curador da mostra.
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