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Impresso no Brasil
Livro:
Impresso no Brasil
Organizador: Rafael Cardoso
Artigo: O futuro das cidades pelo filósofo
Por Jean Marcel Carvalho França
Publicado originalmente no jornal Folha de São Paulo
A história do impresso no Brasil, ao longo do período que antecede ao desembarque de d. João 6º, é uma história de carências: carência de prensas tipográficas, de interesse coletivo pelo impresso, de profissionais e, consequentemente, carência de impressos. É sabido que a impressão regular só foi autorizada no Brasil depois do desembarque do monarca português e que o número de impressos importados do Velho Mundo que circulava na colônia era minguadíssimo.
O obscurantismo português, povo que também não primava pelo apreço à prensa e ao impresso, obrigou-nos a aguardar a arribada da nau Medusa no porto carioca, em 1808, e o desembarque da famigerada prensa importada da Inglaterra, para que pudéssemos dar início a uma história da impressão no Brasil. Tivemos, assim, que aprender em pouco mais de um século técnicas e processos que as sociedades europeias, desde a metade do século 15, vinham incorporando.
É a história dessa rápida mas bem-sucedida assimilação da atividade tipográfica no país que narra Impresso no Brasil (1808-1930), livro primorosamente editado pela Verso.
Ensaios e reproduções
Organizado pelo pesquisador Rafael Cardoso, Impresso... está dividido em duas partes: a primeira é composta por quatro informativos ensaios sobre diferentes aspectos da evolução dos impressos no país entre 1808 e 1930; a segunda traz uma série de reproduções de exemplares da impressão brasileira do período (páginas de jornais, capas e miolos de livros, folhetos, retratos, caricaturas etc.), provenientes do rico acervo da Biblioteca Nacional.
Os ensaios da parte inicial, quatro, como mencionamos, cumprem bem o seu propósito: proporcionar ao leitor um panorama da evolução do impresso no Brasil durante o seu primeiro século de existência.
O de abertura, assinado pela pesquisadora Lúcia Garcia, presta uma merecida homenagem à instituição responsável pela organização e conservação da memória do impresso no Brasil, a Biblioteca Nacional. Garcia traça breve história dessa instituição, dando a conhecer, em linhas gerais, a origem de sua coleção, seu processo de estruturação interna, as mudanças de prédio por que passou e, sobretudo, a organização do seu acervo iconográfico.
O ensaio seguinte, de Isabel Lustosa, dedica-se a mapear para o leitor o processo de amadurecimento da imprensa local, do insípido Gazeta do Rio de Janeiro (1808) ao moderno O Jornal (1921), de Assis Chateaubriand. Em seguida, Joaquim Marçal F. de Andrade descreve o relativamente rápido mas sobressaltado desenvolvimento das técnicas de reprodução e impressão de ilustrações no período.
Mais adiante, encerrando a primeira parte, o organizador Rafael Cardoso debruça-se sobre a evolução dos projetos gráficos no cenário tipográfico brasileiro de então.
Ao término dos ensaios, o leitor -ainda que não disponha de uma visão detalhada e analítica da história da impressão brasileira- sai com um ótimo panorama da atividade tipográfica do período e está pronto para adentrar na segunda parte do livro, na qual poderá regozijar-se com uma boa e bela amostragem dos produtos dessa atividade.
Jean Marcel Carvalho França, autor deste artigo, é professor de história na Unesp e autor de Literatura e Sociedade no Rio de Janeiro Oitocentista (Imprensa Nacional/Casa da Moeda).
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| Autor:
Rafael Cardoso
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