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Visão Global
Livro:
Administração Global: Estratégia e Interpessoal
Autor:
Helen Deresky
Visão Global
Por Sílvio Teitelbaum.
Publicado originalmente no jornal , no caderno Gestão, em 07/10/2004.
Obra aborda as variáveis sócio-culturais que influenciam os negócios.
Quando me deparei com a obra Administração Global: Estratégia e Interpessoal, de Helen Deresky, me surpreendi. A autora utiliza, no decorrer de sua obra, um modelo extremamente familiar aos alunos de MBA, ou seja: análise do macroambiente, do mercado e da empresa. O livro abre com uma profunda e rica análise do macroambiente por meio dos cenários político, econômico, legal e tecnológico. Com destreza, desafia os executivos do século 21 a perceberem a velocidade das mudanças. Convida os empreendedores a entenderem o impacto dessas mudanças tanto de forma global quanto também local.
A professora Deresky disserta sobre o globalismo, ou seja, a importância da compreensão do todo (as interdependências) para a compreensão das partes. Fala da desintegração do estado- nação dos séculos 18 e 19 como algo que está sendo substituído pelos blocos regionais e pelas redes de relacionamento. Sua desintegração deve-se também, segundo a autora, aos ressentimentos políticos, preconceitos étnicos, ódios tribais e animosidades religiosas (belo mundo, não?).
Ainda na primeira parte, o tema responsabilidade social e direitos humanos é avaliado levando-se em conta as diferenças culturais da cada Nação. O livro propõe caminhos que vão desde um código de ética global (que utilize diretrizes gerais) ou um código relativístico – que se adapte às peculiaridades locais. O tema ética aparece como essencial para as empresas globais.
A segunda parte da obra trata ainda do macroambiente, mais especificamente das questões relativas à cultura, comunicação e negociação. Devemos lembrar que as pessoas nascem em – e não com – uma determinada cultura. Os valores e crenças da sociedade, paulatinamente, vão influenciando a construção dos hábitos e códigos de conduta. As organizações, naturalmente, absorvem e reproduzem tais vetores. Os executivos que por ventura se transferirem de uma nação para a outra dentro da mesma corporação não devem se surpreender quando encontrarem distorções culturais. Não há como fugir disso. Ao contrário, será de se estranhar se valores locais não conviverem com valores da “matriz”.
Outra questão importante é o da comunicação (verbal e não verbal), bem como da negociação. Precisamos mais do que o idioma. Não se trata de ser bilíngüe, mas sim de ser bicultural.
A terceira parte da obra traz a compreensão do mercado e a necessidade de uma adequada formulação estratégica para enfrentar a concorrência. Fala abertamente da necessidade de aprendermos a construir alianças estratégicas e estarmos preparados para não acertarmos “na mosca”, de primeira, caso não estruturemos a empresa com o desenho adequado da localidade. Ou seja, mais uma vez estamos falando em peculiaridades. Mais uma vez a autora combate a padronização, a pasteurização, a homogeneização... enfim, a falta de análise adequada das variáveis sócio-culturais que envolvem o ambiente em que uma organização se insere.
A quarta parte alerta para a construção de um quadro global de executivos. Do carinho que se deve ter com os talentos humanos. Da atenção aos expatriados. Temos aqui um verdadeiro projeto de construção de uma empresa que quer efetivamente cuidar bem dos seus talentos humanos. Mais do que isso: temos a nítida compreensão de que sem este processo – cuidar bem das pessoas – toda a parte anterior será supérflua.
Poderia se dizer que a única maneira efetiva de criar e manter a vantagem competitiva globalizada é desenvolvendo as pessoas a partir de suas potencialidades. Lembre-se: pessoas não são lactobacilos. Não podem ser pasteurizadas impunemente.
Fonte:
Jornal .
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