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Edição 559, Porto Alegre, 29/07/2010  
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Inovação não é invenção
29/07/2010


Porto Alegre respirou inovação durante o 11° Congresso Internacional da Gestão. O evento, promovido pelo Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade, reuniu 7 mil pessoas na Fiergs. Entre os experts, a especialista em administração Kim Barnes. Para ela, uma inovação não precisa mudar o mundo, “algumas inovações são muito pequenas”, comentou. Segundo Kim, a inovação produz várias formas de valor, como social, estratégico, econômico, ambiental, estético e pessoal. “É muito importante dar chance às pessoas para inovar”, disse.

A presidente da Barnes&Conti Associados compartilhou com o público algumas características que as organizações inovadoras de sucesso possuem em comum: foco na liderança, profunda competência, cultura facilitadora, aprendizagem dinâmica, estrutura e processos habilitadores e tomada de decisão inteligente. Kim também apresentou o que considera ser a “jornada da inovação” um processo que inclui as fases de busca, exploração, comprometimento, execução e otimização. Sendo essa última aquela que cria e avalia o valor da inovação. Kim alertou que “é necessário empregar o fracasso de uma forma útil, pois ele virá”. Ela defendeu que as empresas devem aprender com os seus fracassos.

O jornal Zero Hora entrevistou a especialista em administração Kim Barnes.

É possível ensinar e aprender liderança?
Kim Barnes – Há pessoas com certas habilidades naturais, com as quais nascem. Mas a maioria tem habilidades que podem ser desenvolvidas e há aspectos da liderança que podem ser ensinados. Quase todo mundo tem a oportunidade de liderar pessoas pelo menos uma vez na sua vida. Ao observar crianças brincando em um playground, não é sempre a mesma que assume o papel de líder em todas as brincadeiras. A maioria das pessoas tem essa capacidade, em diferentes áreas do negócio.

A senhora acredita que a escola pode formar líderes?
Barnes – A academia não é tão boa em criar líderes. O estudo de fatos e fórmulas é importante para se ter competência e sucesso, mas habilidades de liderança tendem a se desenvolver em uma combinação de prática e foco.

Como define inovação e como fazê-la acontecer nos negócios?
Barnes – Inovação não quer dizer invenção, não quer dizer novidade nem criatividade. Inovação é criar valor a partir de uma ideia que é nova para você ou seu negócio. Pode ser uma coisa velha, mas que sua companhia nunca fez e que irá criar valor. Não obrigatoriamente um valor financeiro, mas social, estético ou ambiental. Isso significa mudança. E qualquer mudança requer liderança. Quando estamos diante desses desafios, precisamos despertar em nós as habilidades de liderança. O processo de inovação é demorado, pois primeiro é necessário ter as ideias, buscar apoio, escolher as pessoas certas para seu time. E o gerente tem de concordar. Quanto mais comprometida a companhia estiver com a inovação, mais eficiente será o processo.

É possível inovar em qualquer área?
Barnes – As pessoas costumam pensar que inovação tem que ser grande, tomar proporções sempre abrangentes. Algumas inovações, de fato, são assim. Mas a maioria não. Elas são incrementos no processo diário de gestão. A inovação deve tornar-se algo normal na sua rotina de trabalho. Deve fazer parte do seu pensamento, acontecendo todos os dias, como uma coisa corriqueira, usual.

Fonte: Zero Hora
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