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Edição 538, Porto Alegre, 04/03/2010  
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Aspectos benéficos da leitura - 04/03/2010





Uma vez vi, no Canadá, um filme sobre a história daquele país. Uma cena não mais esqueci. Mostrava os colonizadores franceses desembarcando na costa canadense. A um deles, que falava a língua indígena, um dos nativos perguntou, intrigado, que história era aquela de rabiscar coisas num papel. Qual a utilidade deste costume? O francês então se propôs a demonstrar que escrever servia, sim, para alguma coisa. Apontou um soldado que estava à distância e disse que queria a pistola do homem. Em seguida escreveu num papel: Manda-me tua pistola, ou coisa que valha, e pediu ao índio que entregasse a mensagem. Para surpresa do nativo, o soldado entregou-lhe a pistola. E assim o membro de uma cultura ágrafa, de uma cultura que não escrevia, descobriu que escrever serve, sim, para alguma coisa: serve para comunicar pessoas entre si. Coisa acerca da qual não temos mais dúvidas.

Mas continuamos descobrindo aspectos benéficos da leitura. Numa entrevista , a jornalista perguntou a este notável neurocientista que é o professor da UFRGS Ivan Izquierdo qual a melhor forma de manter o cérebro ativo. Ivan Izquierdo foi taxativo: a leitura. Uma opinião compartilhada por praticamente todos que trabalham na área. Exercitar o cérebro não é a mesma coisa que exercitar os músculos; estes nós podemos ver trabalhando e se desenvolvendo. O cérebro está lá dentro do nosso crânio, e é ativado de outras maneiras, entre as quais a leitura tem papel de destaque. O que recomendam os especialistas? Aquilo que o bom senso nos recomendaria. Em primeiro lugar, que a gente leia coisa interessante (convenhamos, por que leríamos coisas que não são interessantes?). Uma outra recomendação: participar num grupo de discussão de livros - já existem vários por aí. E, finalmente, escrever. Ninguém precisa obrigatoriamente fazer uma carreira de escritor, mas escrever um diário, ou as próprias memórias, ou manter contato com outras pessoas através de e-mails ou cartas (sim, ainda existe quem escreva cartas) é um ótimo estímulo para as nossas células cerebrais.

A escolha é de cada um: ir à farmácia e comprar alguma duvidosa substância para fortificar o cérebro ou escolher um bom livro. Como escritor e como médico, recomendo esta última opção. É mais eficiente, mais barata, dá mais prazer e, a menos que a pilha de livros na mesa de cabeceira caia em cima de vocês, não tem efeitos colaterais.
Fonte: Moacyr Scliar / Zero Hora
 
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História do Design Gráfico
de Philip B. Meggs.

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