Els Segadors

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O movimento separatista da Catalunha vem elevando a temperatura política na Espanha. Há pouco foram os escoceses que tentaram, através de plebiscito, desligar-se da Inglaterra. Para que possamos melhor entender o que se passa no coração dos catalães separatistas, cabe um mergulho na história.

Desde o século XII a Catalunha era um país independente, com identidade e idiomas próprios. Seu apogeu territorial e cultural foi atingido quando o catalão Ramón Berenguer IV, um dos senhores feudais da região, casou-se com Peronella de Aragón, herdeira do reino de Aragão. Apesar do estreito vínculo entre as nobres famílias, os dois países nunca se uniram politicamente e os aragoneses e catalães continuaram a manter suas próprias instituições e idiomas. Anos mais tarde Castela uniu-se a Aragão, dando início à história da Espanha.

A Catalunha conseguiu manter sua autonomia até o século XVIII, quando Felipe V, após um cerco de 18 meses, conquistou Barcelona. Os catalães perderam todo seu poder político e militar. O espanhol foi declarado o idioma oficial e o país passou a ser regido pelas leis castelhanas.

No final do século XIX a Catalunha dá início a um movimento para recuperar sua independência. Os nacionalistas decidem criar um hino firme e solene, que exaltasse a vontade de um povo em proclamar sua soberania. A partir de 1892, a primitiva canção entoada na guerra contra o rei Felipe IV no século XVII passa por uma revisão na melodia e na letra. Pequenas adaptações são feitas no ritmo da música e no estribilho. Els Segadors (Os Ceifadores) se transforma no hino nacional da Catalunha.

A república é proclamada em 14 de abril de 1931 sendo extinta pelo regime franquista, ao final da guerra civil. Durante a longa ditadura do general Francisco Franco, os catalães são terminantemente proibidos de se expressar em sua língua nativa. O idioma também é banido da imprensa e da literatura. A velha tipografia da abadia de Montserrat passa a ser um importante símbolo de resistência, ao imprimir clandestinamente livros e jornais em catalão. As trevas da repressão cobrem Barcelona por mais de trinta anos.

Com o retorno da democracia à Espanha, o povo volta a lutar por sua autonomia. No dia 11 de setembro de 1977 é restabelecida a Generalitat (instituição na qual se organiza politicamente o autogoverno catalão). Mais de um milhão de pessoas festejaram a sua autonomia nas ruas de Barcelona, numa das maiores manifestações populares da história da Europa contemporânea. Se o leitor viajar para a Catalunha, evite chamar um catalão de espanhol. Para eles, isso é pode ser considerado uma ofensa.

A música ibérica: Devemos a Jordi Savall, o resgate da música executada na Espanha e na Catalunha nos períodos medieval, renascentista e barroco.

Além de diretor musical, Savall é considerado o mais célebre intérprete de viola da gamba da atualidade. Nascido na pequena cidade de Igualada em 1941, graduou-se como cellista no Conservatório de Barcelona. Foi viver na Suíça, aonde se especializou em música antiga na Schola Cantorum Basiliensis.

Em 1974, ele a soprano Montserrat Figueras, criaram o conjunto Hesperion XX, especializado na interpretação de música anterior ao século XVIII. Depois de vinte anos em Basiléia, o casal retornou para Barcelona e formou o conjunto Capela Real de Catalunya.

Jordi Savall ganhou projeção internacional, ao arranjar e dirigir a musica do filme Tous les Matins du Monde (1991). A película relata a história dos músicos Marin Marais e Sainte Colombe, contemporâneos de Lully. Foram vendidas mais de quinhentas mil unidades do disco com a trilha sonora original.

Apesar de Jordi Savall ter gravado dezenas de obras de autores famosos, como Bach, Beethoven, Haendel e Haydn, seu grande mérito foi o resgate e a divulgação dos compositores ibéricos. Através dos conjuntos Hespèrion e Capela Real de Catalunya, foram lançados dezenas de discos com o que existiu de melhor na música escrita entre os séculos XIV e XVIII.

Gravações recomendadas:

  • Music from Christian & Jewish Spain (Virgin -Veritas) Jordi Savall e o grupo Hespèrion interpretam a música que se ouvia nas cortes. Os destaques são o Cancionero de Palácio que apresenta o repertório executado na época de Fernando de Aragão e Isabel de Castela e o Cancionero de Uppsala. Esta obra foi editada em Veneza em 1556, pelos músicos Juan Del Enzina, Cristobal de Morales e Francisco Peñalosa. A coletânea também nos traz a música dos judeus sefarditas da Espanha. As composições são anteriores a 1492, já que nesse ano a Inquisição promoveu a expulsão dos judeus do território espanhol. A música secular sefardita é melodiosa, rica e variada, pertencendo ao gênero
  • Cançons de la Catalunya millenària (Astrée). Jordi Savall, Montserrat Figueras e o conjunto La Capella Reial de Catalunya, nos apresentam o que há de melhor do cancioneiro catalão. Os grandes destaques desse disco são El cant dels ocells, El comte Arnau e Els segadors, em sua versão original.
  • Llibre vermell de Montserrat (Virgin-Veritas) Os manuscritos desse códice do século XIV foram salvos do incêndio que consumiu a biblioteca de Montserrat em 1811. Nele estão registradas diversas músicas, de vários autores, para serem cantadas pelos peregrinos durante as cerimônias realizadas no pátio da abadia.

Assista a uma interpretação de Els Segadors:

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