‘RULE BRITTANIA’ E ‘GOD SAVE THE KING’

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone

image (8)

A maioria dos experts em música clássica despreza a Vitória de Wellington. O respeitado psiquiatra, Maynard Solomon, que também é um dos mais renomados estudiosos de Beethoven em todo o mundo, considera essa obra como o ponto mais baixo da carreira artística do mestre alemão. Até o comedido Otto Maria Carpeaux, autor do livro “História da Música”, diz que a Vitória de Wellington é uma composição que serviu para a época em que foi composta e hoje, com plena razão, está totalmente esquecida. Vá lá que ela não seja uma obra prima, mas só a interpretação das tradicionais melodias Rule Brittania e God save the King, com arranjos tipicamente “beethovenianos” vale a audição.

Antes de comentar a música, vamos falar de suas origens. No início do século XIX a Europa continental estava de joelhos ante Napoleão Bonaparte. Depois de bater os prussianos e os austríacos, só faltava vencer os ingleses. Em 1805 a frota hispano-britânica liderada pelo Almirante Nelson, acabou com a esquadra francesa na batalha de Trafalgar e manteve a Inglaterra inexpugnável. Inspirado por Talleyrand, Napoleão destituiu o rei Carlos IV da Espanha e empossou o irmão Joseph Bonaparte como monarca. Os ingleses, aliados dos portugueses e espanhóis, enviaram para o continente, tropas lideradas pelo tenente general Arthur Wellesley. Foi o início da chamada Guerra Peninsular que durou seis anos. Em 1808 o general Junot foi derrotado pelos britânicos, e os franceses abandonam Portugal após assinarem a Convenção de Sintra. Wellesley retorna à Inglaterra e Napoleão entra na Península Ibérica com 200.000 experientes soldados para reconquistar territórios perdidos. Portugal e o noroeste da Espanha são ocupados mais uma vez. Wellesley, já com o título de Duque de Wellington retorna para a Península Ibérica em 1809, e a frente de tropas luso-britânicas liberta a cidade do Porto, expulsando os franceses de Portugal após o combate de Torres Vedras. O destino de Napoleão foi selado na Batalha de Vitória, travada em 21 de junho de1813 em território espanhol. Essa brilhante façanha do Duque de Wellington não só afastou os franceses da Península Ibérica, como estimulou uma coalizão de russos, prussianos e austríacos que acabaria por derrubar o Imperador da França e conduzi-lo para seu primeiro exílio em Elba. Em 1815 Wellington iria impor a Napoleão sua última derrota, na famosa Batalha de Waterloo.

Opus 91 de Beethoven: a ideia de compor uma música para celebrar a vitória dos ingleses sobre Napoleão na guerra Peninsular partiu de Johann Nepomuk Mälzel, amigo de Beethoven. A obra que se chamaria A Batalha da Vitória ou A Vitória de Wellington foi encomendada para ser executada numa engenhoca parecida com um realejo, chamado Panharmonicom. O inventor Mälzel planejava uma visita a Londres, e queria apresentar seu novo instrumento celebrando com música o novo herói da Inglaterra. Ele instruiu Beethoven a incluir na partitura, passagens com trechos do Rule Brittania, God Save the King e Duke of Marlborough. Esses temas orquestrados pelo gênio do compositor, enriqueceriam em beleza e originalidade o conjunto da obra. Enquanto Mälzel transcrevia a música para os cilindros do Panharmonicom, Beethoven começou a instrumentá-la para uma orquestra completa. Os dois decidiram lançar A Vitória de Wellington em um concerto. Certamente o espetáculo garantiria excelentes resultados de bilheteria. No dia oito de dezembro de 1813, em Viena, Beethoven apresentou suas novas criações: a 7ª Sinfonia e A Vitória de Wellington. Os compositores Antonio Salieri e Giacomo Meyerbeer participaram como membros da orquestra tocando os tímpanos que imitavam o troar dos canhões. O espetáculo agradou plenamente o público presente, sendo reapresentado após quatro dias. Foi o maior sucesso financeiro na vida de Beethoven. Seu nível de popularidade nacional chegou a índices nunca antes atingidos. Por mais que critiquem a “Vitória”, ela foi gravada em disco por vários regentes contemporâneos como Eugene Ormandy, Herbert von Karajan, Lorin Maazel e Morton Gould.

Assistam o final do concerto realizado no Royal Albert Hall, quando a cantora Sarah Connolly interpreta o Rule Brittania. A tradicional Última noite dos Proms é transmitida por telões instalados nas principais praças da Inglaterra, onde a multidão canta esta música que pode ser considerada o seu segundo hino nacional.

Assinatura e_mail

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone