Como Shakespeare se tornou Shakespeare

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Harold Bloom há meio século professor de literatura em duas afamadas universidades americanas editou um livro que nos apresenta as maiores obras literárias do mundo.

Ao escrever O Cânone Ocidental, Bloom assumiu o risco de ser atacado por vários críticos, pois dificilmente existe unanimidade entre a grande massa de leitores. Todo apreciador da boa literatura tem sua lista particular. No fim tudo se resume a uma questão de afinidade, de gosto.

Shakespeare e Dante estão colocados no centro do Cânone porque superam todos os outros escritores ocidentais em acuidade cognitiva, energia linguística e poder de invenção.

Thomas Carlyle, profeta vitoriano nos legou a afirmação mais útil sobre Shakespeare:

Se me pedirem para identificar o motivo da capacidade de Shakespeare, eu diria – superioridade de intelecto – e ponto final”.

Além de Shakespeare e Dante, iremos encontrar no cânone de Bloom uma vintena de grandes escritores, tais como: Chaucer, Moliére, Milton. Tolstoi, Cervantes, Dickens, Kafka, Proust, Freud, Pessoa, Neruda e Borges.

Apesar de conhecer grande parte da obra shakespeariana, sempre senti falta de uma boa biografia a respeito da vida do Bardo de Stratford.

Já tínhamos o livro de James Shapiro 1599 – Um ano na vida de William Shakespeare, da Editora Planeta, rico em informações sobre o desenvolvimento artístico do autor e o imenso sucesso de suas obras encenadas no Teatro Globe.  Este livro também oferta ao leitor uma descrição apurada da sociedade elisabetana naquele fim de século.

O The Shakespeare Book (vários autores), da Penguin Random House nos brinda com uma biografia compacta em sua introdução, mas não suficiente para satisfazer aos que desejam conhecer em profundidade a vida de William Shakespeare.

Eis que a Companhia das Letras vem preencher esta lacuna com o lançamento no Brasil da obra Como Shakespeare se tornou Shakespeare, de autoria de Stephen Greenblatt. A abertura do livro diz tudo:

Jovem de uma pequena cidade provinciana – homem sem fortuna, sem amigos poderosos e sem formação universitária – muda-se para Londres no fim da década de 1580 e, em pouquíssimo tempo, torna-se o maior dramaturgo não somente de sua época, mas de todos os tempos. Um estudo indispensável para os fãs e estudiosos de William Shakespeare.

O livro narra, em seus 12 capítulos, complementados por uma riqueza de ilustrações, a história de como o filho de um fabricante de luvas, criado em uma cidade provinciana, foi viver em Londres e dedicou-se ao teatro, primeiro como ator e posteriormente como autor de peças. Em poucos anos as  obras de Shakespeare ofuscaram os trabalhos dos maiores dramaturgos da época, tais como Marlowe, Thomas Watson, Thomas Lodge, George Peele, Thomas Nashe e Robert Greene.

Stephen Greenblatt dedica um capítulo aos poemas e sonetos de Shakespeare, tão pouco comentados e divulgados em nosso país.

O livro analisa como eventos marcantes, testemunhados ou vividos pelo escritor foram transformados em ficção e auxiliaram na criação de várias de suas peças e personagens que sobrevivem até os dias de hoje.

O legado de Shakespeare consiste em 37 peças teatrais, 160 sonetos e poemas. A genialidade de Shakespeare vem desafiando estudiosos ao longo dos anos. Rei Lear, Macbeth e Antônio e Cleópatra, ao lado de Hamlet, Ricardo III e O Mercador de Veneza são “obras que tem a capacidade de atravessar os labirintos da mente humana, desnudando paixões, iluminando desejos, apontando os grandes fantasmas que perseguem o homem desde sempre” (citação de Harold Bloom em Shakespeare e a invenção do humano).

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