Vargas Llosa e a Mestiça de Pizarro

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Há alguns anos o jovem Álvaro Vargas Llosa resolveu seguir as pegadas de seu pai, o festejado escritor peruano Mario Vargas Llosa, e começou a escrever. Sua primeira obra foi lançada com o cáustico título de Manual do perfeito idiota latino americano.

O livro foi escrito em parceria com os escritores Plínio Apuleyo Mendoza e Carlos Alberto Montana o que não nos permite calcular a participação do trabalho do jovem Álvaro no conjunto da obra. Ela já se encontra disponível em português, editada pela Bertrand Brasil e é aberta por uma encomiástica apresentação de Mario Vargas Llosa e prefácio do professor e banqueiro Roberto Campos.

O livro é um libelo ácido e escarnecedor a respeito do pensamento político dos jovens esquerdistas da década de sessenta. Aqui em Porto Alegre, ele deverá chocar com sua irreverência e porque não dizer reacionarismo exacerbado, aos hoje sessentões. Na época eles pululavam nos movimentos de política estudantil, concentrado via de regra nos Centros Acadêmicos de nossas universidades, na livraria Coletânea e no histórico bar Alaska da Osvaldo Aranha.

Apesar de sua parcialidade o livro não deixa de ser divertido e abre uma série de janelas de reflexão para os que viveram naquela época e cultivam o espírito de autocrítica.

Merece destaque especial o terceiro capítulo, intitulado A bíblia do Idiota. Nele é discutido o livro As veias abertas da América Latina, best-seller do escritor Eduardo Galeano, lançado em 1971 e que já chegou à 167ª edição. Os autores baixam a borduna na obra de Galeano, desprezando olimpicamente a ótica do historiador uruguaio sobre as causas de nosso atual status quo.

O capítulo 15 leva o título de Os dez livros que comoveram o idiota. Lá vamos encontrar obras de Régis Debray, Althusser e Che Guevara, bem como o livro Dependência e desenvolvimento na América Latina, do professor Fernando Henrique Cardoso. Apesar dos pesares o Manual do perfeito idiota latino americano não deixa de ser uma interessante análise do comportamento político de grande parte de uma geração que participou dos momentos históricos ocorridos naquela década.

Recentemente, Álvaro Vargas Llosa lançou um novo livro, que tem por título La Mestiza de Pizarro. O autor usa como testemunho da história, Francisca, a filha mestiça de Pizarro, fruto de seus amores com a princesa inca Inês Huaylas. No decorrer dos anos a jovem herdeira de dois mundos assiste os episódios que envolvem a conquista do Peru, a divisão entre os chefes incas, o enfrentamento entre os diversos grupos de conquistadores e os choques com a Coroa espanhola. O tema escolhido por Vargas Llosa é apaixonante, já que trata da destruição do Tahuantinsuyu, que significa as quatro regiões unidas entre si. Elas foram governadas, em sua época de apogeu, por Pachacutec, Tupac Yupanqui e Huayna Capac, os maiores chefes incas da história. Em termos ocidentais, o Tahuantinsuyo passou a ser denominado Império Inca, área que se estendia do norte da Colômbia ao sul do Chile e parte da Argentina.

Assim como Hernan Cortez desmantelou a civilização asteca, Francisco Pizarro e seus irmãos Juan e Hernando foram os principais artífices da conquista e domínio do Império Inca.

Os primeiros capítulos do livro são promissores, mas no decorrer da narrativa sente-se que o autor perde o fio da meada. A personagem título, Francisca Pizarro, fica limitada ao papel de uma mera coadjuvante da história e o final surpreendente, prometido na apresentação do livro, é pífio e previsível.

A maioria dos livreiros e a crítica literária de Lima, não escondem a sua decepção com o livro. A grande maioria afirma que Álvaro Vargas Llosa plagiou a monografia sobre a filha de Pizarro, escrita por Maria Rostworowski de Diez Canseco, a mais conceituada historiadora do Peru.

Para os leitores interessados em descobrir a história dos incas, que num período de cem anos, se transformaram na maior potência civilizada da América do Sul, recomendo as obras Historia do Tahuantinsuyo e PachacutecO maior dos Incas – ambas de Maria Rostworowiski e El Império de los Incas – Imagen Del Tahuantinsuyu creada por los cronistas, de Hidefuji Someda. O livro de Álvaro Vargas Llosa, certamente será lançado no Brasil com pompa e circunstância, mas não pode ser comparado aos dos demais autores.

 

A música do Tahuantinsuyu: a música andina pré-colombiana se baseava na escala pentatônica e utilizava instrumentos de sopro e percussão. A música andina tradicional, denominada popularmente como folclórica, é interpretada com freqüência em todos os paises que faziam parte do antigo Tahuantinsuyu. Os instrumentos de sopro mais representativos são as quenas e as zampoñas. A quena é uma flauta de bambu de comprimento variável, enquanto que a zampoña é composta por duas filas de flautas, a primeira com sete e a segunda com seis cilindros de bambu. Além dos tambores para percussão, o instrumento de cordas característico é o charango, uma espécie de cavaquinho com cinco cordas duplas. Tradicionalmente, a sua caixa é feita com a carapaça de um tatu.

Músicas mais famosas do folclore andino: El condor Pasa, Tatati, Leño Verde e Subida.

Clique aqui para escutar Leño Verde e Vientos del Sur, com instrumentos originais desenvolvidos pelos incas:

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