Inovação aberta gera aproximação com startups

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A capacidade de inovar e se transformar virou premissa fundamental dos negócios do século 21. As corporações sabem que precisam se adaptar e evoluir para as novas realidades de mercado se quiserem manter a competitividade, fidelizar clientes e ampliar o alcance dos seus negócios.

Nesse cenário, são dois caminhos principais a serem seguidos. No primeiro deles, as grandes corporações desenvolvem 100% dos novos produtos e serviços dentro de casa. Com isso, têm um maior controle de tudo, mas reduzem o número e a qualidade das ideias geradas.

A outra opção – e também a que mais tem crescido nos últimos anos – parte da adoção do conceito de inovação aberta, ou seja, essas operações passam a dividir o conhecimento que possuem com o mercado, mais especificamente nesse caso, com os jovens empreendedores. Se expõe mais, porém, em contrapartida, passam a ter uma vasto arsenal de possibilidades de responder aos novos desafios do mercado com mais velocidade e criatividade.

“Não importa se você é um grande líder. É ambição demais achar que a sua empresa vai conseguir reunir todos os talentos necessários para gerar as ideias que você precisa para estar sempre à frente”, comenta o sócio do The Boston Consulting Group (BCG), Heitor Carrera.

Boa parte dos players nacionais está dando o start nas suas iniciativas em conjunto com as startups por meio do open innovation. “Elas abrem seus problemas um pouco, lançam um desafio e se aproximam daquelas operações que mais parecem ter capacidade de ajudá-las. É um jeito de inovar rápido”, explica o vice-presidente de Operações da Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex), Diônes Lima.

A Gerdau mergulhou de cabeça nesse conceito. “A conexão com as startups tanto pode beneficiar os nossos negócios no curto prazo como ajudar na transformação cultural pela qual a companhia está passando. É um caminho sem volta para nós”, comenta o diretor da Operação Aços Brasil da Gerdau, Gustavo Werneck. Um passo importante foi dado no ano passado, quando a siderúrgica trouxe a área de inovação e o relacionamento com as startups para dentro do negócio.

Isso significou conectar as ações que estão sendo realizadas com as jovens empresas para que possam se refletir diretamente na melhoria dos indicadores da unidade comercial, da operação industrial e de matérias-primas.

Em 2016, a Gerdau realizou o seu primeiro hackathon, em que selecionou duas empresas para apoiar no desenvolvimento de soluções para ajudar a área comercial. Depois, estabeleceu uma operação no Cubo, uma associação sem fins lucrativos de fomento ao empreendedorismo de tecnologia fundado pelo Itaú. Lá, profissionais da empresa interagem com jovens empreendedores. Mais recentemente, a indústria fez uma parceria com outras gigantes do setor de construção civil (Intercement, Tigre e Vedacit) para acelerar startups.

A Gerdau está testando diversos modelos de aproximação com as startups e não pretende se fechar, pelo menos agora, em um único modelo. “Podemos desde fazer parcerias para estabelecer relações comerciais com as startups, incubar, ter participação societária ou até incorporar ao nosso negócio”, diz Werneck.

Atualmente, 12 startups estão trabalhando efetivamente com a siderúrgica. São iniciativas na área de robótica, de reduções de custos com o uso de ferramentas de Analytics e uso de drones para verificar estoque e segurança empresarial nas usinas.

No encalço das fintechs, bancos aceleram parcerias

Os millenials, nova geração de consumidores sedentos por se relacionar com os serviços financeiros, de telecom e industriais de forma mais simples e ágil, está batendo na porta do mercado. Na mesma proporção, uma mudança tecnológica contundente está em curso, com o surgimento de tendências como Big Data, mobilidade, blockchain e soluções de inteligência cognitiva.

Como se o desafio ainda fosse pequeno para os bancos tradicionais, junte a isso uma enxurrada de novas empresas que prestam serviços na mesma área dos concorrentes mais antigos, mas que começam a se comunicar com esse público do zero, sem um legado de infraestrutura, de governança e de marca para administrar.

“Essa conjunção de fatores está fazendo com que as corporações tradicionais acelerem o seu processo de inovação”, admite o gerente do departamento de Inovação do Bradesco, Fernando Freitas.

Ao perceber esse cenário, uma das decisões tomadas pelo banco foi a criação, em 2014, do inovaBra, programa de inovação aberta. O projeto está na sua terceira edição. Cerca de 1,6 mil startups já passaram pela iniciativa. Dessas, 20 foram integradas aos sistemas do banco. O gestor comenta a escalabilidade que isso pode trazer para as operações nascentes, especialmente no que se refere a elas passarem a ter acesso aos clientes do banco.

“Adquirir cliente não é algo trivial. Hoje temos mais de 18 milhões de usuários do nosso internet banking e, ao colocar as suas soluções desses jovens empreendedores para dentro da nossa plataforma, eles passam a ter acesso a esse fluxo imenso de possibilidades”, revela.

Das operações nascentes com as quais a instituição se relaciona, seis já firmaram contrato e dez estão em análise. Uma delas é a Qranio, de Minas Gerais, especializada em gamificação, que desenvolveu um plataforma para treinamento que está sendo usada por mais de 100 mil funcionários do banco. “Tocamos essas empresas na fronteira de tecnologia e negócios, selecionamos as que fazem mais sentido para o nosso negócio e fazemos a integração para distribuir nos nossos canais”, explica Freitas.

Grandes companhias não se fecham para oportunidades

As líderes em inovação, muitas vezes ocupam esse espaço, porque não se fecham para as oportunidades externas. A IBM é um exemplo disso. A multinacional, que ficou na primeira posição pelo 24º ano consecutivo no registro de patentes em 2016, tem uma série de iniciativas com as startups, especialmente no desenvolvimento das soluções para os seus clientes.

O gerente do Client Center da IBM América Latina, Agostinho Vilella, explica que cada projeto é avaliado e, só então, a IBM define se vai resolver com braço próprio ou se não se limitará apenas ao alcance da sua equipe.

“As grandes companhias ganham com a inovação aberta porque conseguem distribuir o risco do custo, na medida em que as startups são bem eficientes e ágeis”, relata. Player nacional, a Natura interage atualmente com 136 startups, sendo que 22 delas já participam de projetos ou pilotos em parceria com a empresa.

Só com a curitibana Já Entendi foram realizados mais de 10 projetos, como o desenvolvimento de treinamentos presenciais e educação a distância para a área de comercial da Natura. “Atuamos no modelo de inovação aberta há mais de 10 anos por acreditar na colaboração das redes de inovação como estratégia de viabilização de inovações disruptivas e geração de resultados para o negócio”, afirma o diretor de inovação da Natura, Alessandro Mendes.

Fonte: Jornal do Comércio

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