As Fontes de Roma

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone

respighi-ottorino-14-1

No início do século XX, o sucesso provocado pelas óperas de Verdi, Puccini, Mascagni e Leoncavallo, eclipsou a música orquestral italiana. Uma carreira musical significava uma carreira dedicada à cena lírica. Coube a dois compositores, Ferruccio Busoni e Ottorino Respighi, a missão de restaurar a tradição do país no terreno da música instrumental.

Ottorino Respighi (1879-1936) nasceu em Bolonha e graduou-se como violinista pelo Liceu Musical desta cidade. Ele estudou com Giuseppe Martucci, o professor predileto de Arturo Toscanini. Em 1899, Respighi assumiu um posto de intérprete de viola, na orquestra da opera de São Petersburgo. Durante o dia ele estudava composição com Rimski-Korsakov que lhe transmitiu suas virtudes de orquestrador.

Após concluir seus estudos na Rússia, Respighi viajou para Berlim e passou a trabalhar sob a orientação de Max Bruch. Seu retorno para a Itália ocorreu em 1903. Durante cinco anos ele atuou como solista no Quinteto de Cordas Mugellini tornando-se um intérprete de sucesso. Apesar disso, Respighi é fascinado pela música instrumental dos períodos Barroco e Clássico e decide concentrar seus esforços na composição.

Em 1917, Toscanini conduziu a estréia do primeiro poema sinfônico de Respighi, As Fontes de Roma, primeiramente na Itália e em seguida nos Estados Unidos. A obra evoca as quatro mais famosas fontes de Roma – Fontana di Valle Giulia, Fontana del Tritone, Fontana di Trevi e Fontana di Villa Medici – e tornou o compositor reconhecido internacionalmente.

fontana-di-trevi

Sete anos mais tarde ele escreve um novo poema sinfônico, intitulado Os Pinheiros de Roma, que irá rivalizar em popularidade com sua primeira obra. Em 1929 Respighi lança o seu terceiro poema sinfônico, intitulado Festivais de Roma. Esta obra é um tríptico fortemente influenciado pelos estilos de Debussy, Ravel e, principalmente de Richard Strauss. O compositor soube utilizar em seus trabalhos as magistrais técnicas de orquestração aprendidas com Rimski-Korsakov. Por outro lado, suas composições apresentam uma nítida característica do estilo inconfundível da música orquestral de Richard Strauss. Isto valeu a Respighi, durante muitos anos, a alcunha de O Strauss Italiano. Mesmo assim, essa influência é ultrapassada pelo toque picante e malicioso do compositor, resultando seus poemas sinfônicos em peças de inegável virtuosismo e encanto.

pinheiros-da-via-appia

Durante nove anos Respighi ocupou a função de professor de música no Conservatório de Santa Cecília, em Roma. Em 1922, ele foi promovido a diretor da instituição, mas após dois anos resignou ao cargo para dedicar-se integralmente a composição.

Apesar de concentrar sua obra na criação de música orquestral, Respighi não negligenciou a cena lírica. Ele escreveu nove óperas, das quais a comédia Belfagor, composta em 1924 segue como a mais importante de suas incursões na cena lírica.

Além de ser um dos mais importantes compositores italianos do período modernista, Respighi também foi um excelente arranjador. Entre suas mais importantes obras nessa especialidade, destacamos Gli Ucelli (Os Pássaros) formada por cinco obras (duas de Pasquini, uma de Gallot, uma de Rameau e a última de um compositor anônimo). A orquestração de Respighi é tão exuberante, tornando-se difícil para o ouvinte identificar as melodias originais que deram origem a esses arranjos.

A pedido de Diaghilev, o compositor utilizou peças de piano de Rossini para orquestrar o balé La Boutique Fantasque. A primeira produção, apresentada em 1919, em Londres foi considerada irresistível.

Em meio à vasta produção de Respighi, não podemos deixar de citar a exótica Impressioni Brasiliane, uma suíte para orquestra, dividida em três partes: Notte Tropicale, Butantan o jardim das serpentes e Canzoni e Danza.

Na década de trinta, à frente de Alfredo Casella, Gian Francesco Malipiero e Ildebrando Pizzetti, Respighi era considerado o maior compositor italiano da escola moderna. O músico faleceu prematuramente, aos cinqüenta e seis anos. Sua morte causou uma grande comoção nacional, e seu funeral foi assistido pelo rei da Itália e por Benito Mussolini.

Assista Kent Nagano e a Orquestra Sinfônica de Montreal executando o final de Os pinheiros da Via Appia:

Assinatura e_mail

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone