A descrença nas instituições deve motivar o debate sobre a política

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone

Na democracia, “temos que acreditar na política” para que ela funcione. A política deve ser muito maior do que um governo, do que um cargo eletivo. Na política, são necessárias a crença e a atuação dos “agentes políticos”, entendidos aqui como as pessoas que motivam a crença na política, na base das instituições sociais (começando pela família, escola…) e estimulam a participação política, o debate e o engajamento da sociedade nas instituições representativas (associações, sindicatos e partidos).

O conceito de política é muito amplo e deve guiar o “homem” em sociedade, em especial, em um Estado Republicano. A política pode contemplar desde a habilidade de se relacionar com os outros, a cortesia e urbanidade, passando pela orientação ou método político até a arte de governar.

A cidade e as leis que temos são fruto da política, a cidade e as leis que queremos ter devem ser frutos do debate político. A política é perene à nossa existência social e, na percepção da sociedade, a política é representada por Instituições e por representantes do povo.

Em pesquisa estadual realizada pelo IPO – Instituto Pesquisa de Opinião, no início deste mês de dezembro, com 1.500 gaúchos distribuídos proporcionalmente nas sete mesorregiões do Estado, verificou-se que a maioria dos gaúchos não confia em nenhuma das Instituições testadas. Pergunta aplicada: Eu vou falar o nome de várias instituições e gostaria que o(a) Sr(a) dissesse sua avaliação sobre a confiança nesta Instituição. Se o Sr(a) confia ou não confia…

elis-850x530

 

Os dados demonstram que um considerável percentual dos gaúchos não confia nos três poderes (judiciário 40,4%, executivo 52,1% e legislativo 62,0%). Os partidos políticos que são, por essência, as agremiações que aglutinam os representantes do povo, estão desacreditados por 84,4% da população.

Para analisar a confiança dos gaúchos nas Instituições é necessário “ter em mente” a conjugação de fatores histórico-estruturais que se estabeleceram na história do Rio Grande do Sul, as atuais denúncias de corrupção e a malversação de recursos públicos da política brasileira. Não somente, se acrescem a este cenário as condições econômicas incertas e instáveis que afetam diretamente a população e que eclodem no agravo do distanciamento e no ceticismo da maioria da população em relação à política e aos políticos.

A retomada da crença nas instituições está atrelada ao reposicionamento dos políticos e do conceito da política, seus significados, aplicações e importância. E as Instituições (em especial dos três poderes) devem retomar o engajamento com a sociedade e a premissa inicial do sistema democrático: a proteção e o bem-estar da sociedade, o “bem comum”.

Elis Radmann

Fonte: Coletiva.net

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone