A fascinante música de Rimski-Korsakov

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Muitos ouvintes entraram no mundo da música clássica através das magníficas composições orquestrais de Rimski-Korsakov (1844-1908). O grande compositor russo foi integrante do grupo dos Cinco Grandes, promovendo com Balakirev, Cui, Borodin e Mussorgski a revolução da música russa no século XIX.

Nikolai Rimski-Korsakov pertencia a uma família com longa tradição na marinha imperial russa. Seu irmão mais velho era almirante, assim como haviam sido seu bisavô e avô. Apesar de ter apresentado aptidões musicais desde a infância, os familiares nunca o incentivaram a ser músico, já que ele deveria seguir carreira na marinha.

Aos 15 anos, matriculou-se na escola naval de São Petersburgo, e fez amizade com o músico Mili Balakirev. Rimski-Korsakov chegou a tomar algumas aulas com aquele que seria conhecido como o fundador do grupo dos cinco.

Em novembro de 1862, o jovem cadete deu início a uma viagem de três anos a bordo da fragata Almaz, navio escola que iria levá-lo a conhecer a Itália, França, Espanha, Inglaterra, Estados Unidos e o Brasil. Desde o Rio de Janeiro o navio escola partiu para os Estados Unidos. A fragata navegou pelo Rio Hudson e na baia de Chesapeake, em plena conflagração da guerra civil americana.

De volta a São Petersburgo, Rimski-Korsakov volta a se encontrar com Balakirev e, sob a orientação do mestre, escreveu a sua primeira sinfonia. Korsakov compunha mais por instinto, visto desconhecer as formas musicais e as técnicas básicas de harmonia e contraponto.

Ele passou a dividir sua vida entre a música e a marinha, quando no ano de 1871 foi convidado para assumir a função de professor de composição no conservatório de São Petersburgo. O músico diletante não se achava preparado para o cargo, e para isso foi aprimorar seus estudos formais de música com a pianista Nadezhda Purgold, com quem veio a casar-se em 1872. Rimski-Korsakov permaneceu no conservatório durante 37 anos, formando várias gerações de compositores. Seus mais destacados alunos foram Ippolitov-Ivanov, Aleksandr Glazunov, Sergei Prokofiev e Igor Stravinski. Otorino Respighi viajou da Itália para a Rússia a fim de estudar durante um período de cinco meses com o mestre Korsakov.

Na primeira década do século XX, a nova geração de músicos da Europa Ocidental e da Rússia, começou a buscar novos caminhos. A música de Debussy, Scriabin, Ravel, Schoenberg e Stravinski abriu as portas do modernismo. Korsakov não tolerava a música de vanguarda, e durante uma visita a Paris, assistiu a estréia da ópera Salomé, de Richard Strauss. Ao final do espetáculo liderou com outros membros da platéia, uma vaia monumental. Novos sons estavam aparecendo no mundo da música. O velho mestre havia cumprido sua missão de criar um estilo musical que afetou profundamente a nova geração de compositores. A presença da música de Rimski Korsakov está indelevelmente presente na obra de Igor Stravinski, seu mais importante aluno. Korsakov morreu em 21 de junho de 1908 e alguns meses após sua morte foi realizado um concerto em sua memória. Igor Stravinsky escreveu para a ocasião a Canção Funeral para instrumentos de sopro, opus cinco.

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A obra de Rimski-Korsakov: o músico russo, a exemplo de Berlioz, na França e de Richard Wagner, na Alemanha, foi um dos maiores gênios na técnica de orquestração. Suas composições mais populares são o Capricho Espanhol, opus 34, Scheherazade, opus 35 e a Abertura Páscoa Russa, opus 36, compostos entre 1887 e 1888. Estas três obras são um exemplo de uma nova concepção orquestral, isenta da influência do estilo tradicional da sinfonia alemã. Após assistir a primeira apresentação do Der Ring des Nibelungen na Rússia, Korsakov dedicou-se a compor óperas.

Seus trabalhos de maior destaque são A donzela de Pskov, Sadko, A lenda da cidade invisível de Kitezh, Mozart e Salieri, A lenda do Tzar Saltan e O galo de ouro. De suas sinfonias, a de maior destaque é de número dois, denominada Antar. Anos após sua composição, Rimski-Korsakov fez várias revisões na partitura, transformando-a num exótico conto de fadas. Ela é um poema, uma suite, uma história, qualquer coisa que vocês gostem, menos uma sinfonia, registrou o autor.

Além de sua própria produção musical, Rimski-Korsakov em muito contribuiu para resgatar do esquecimento, obras inacabadas.  Junto com o amigo Cui, ele orquestrou O convidado de pedra. Esta ópera inacabada, de Aleksandr Dargomijski, era a versão russa da história de Don Juan, escrita por Puchkin. Borodin, um dos membros do grupo dos cinco, morreu inesperadamente, aos 54 anos, sem finalizar a ópera Príncipe Igor, na qual vinha trabalhando há 18 anos. Rimski-Korsakov e Aleksandr Glazunov a concluíram e orquestraram. No dia da estréia, em outubro de 1890, um dos personagens que mais se destacou foi o baixo Fiodor Stravinski, pai do compositor Igor.

Korsakov também foi incansável no resgate da obra de Mussorgski, editando e orquestrando Boris Godunov e finalizando Khovanshchina.

Clique aqui para ouvir o Capricho Espanhol, de Rimski-Korsakov:

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