Brasil tem pior marca em ranking mundial de competitividade

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País ficou em 81º lugar entre 138 avaliados na pesquisa do Fórum Econômico Mundial; conjuntura política e questões estruturais, como produtividade e tributação, prejudicam os negócios

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A crise política minou a confiança na economia brasileira e levou o País ao “fundo do poço” no tema competitividade. O levantamento anual feito pelo Fórum Econômico Mundial, em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC), divulgado ontem à noite, mostra o Brasil na 81.ª posição em 2016, em um ranking de 138 nações. Em relação ao ano passado, o País perdeu seis posições. Desde sua melhor classificação na lista – 48.º lugar, em 2012 –, foram nada menos do que 33 posições perdidas.

Segundo Carlos Arruda, professor da FDC e coordenador da pesquisa no Brasil, trata-se de um resultado que mostra o “fundo do poço” em relação às perspectivas sobre a economia nacional. Desde que o levantamento começou a usar a metodologia atual, há 20 anos, a posição do País não era tão ruim. Ele ressalva, no entanto, que o estudo referente a 2016 foi encerrado em maio último – no dia 12 daquele mês, o atual presidente, Michel Temer, assumiu o cargo temporariamente após o afastamento de Dilma Rousseff.

Os resultados mostram que algumas avaliações sobre o País não mudaram tanto nos últimos anos, tanto do lado positivo (o porte do mercado) quanto do negativo (complexa estrutura tributária, infraestrutura deficiente e altos encargos trabalhistas). No entanto, a falta de confiança nos políticos e nas instituições acabou puxando os indicadores para baixo e comprometendo a posição brasileira como um todo. No quesito confiança nos políticos, diz Arruda, o Brasil está na última posição da lista entre todas as nações avaliadas (138º lugar).

Na comparação com todos os Brics, o Brasil também ficou atrás. A China aparece na 28.ª posição (a mesma do ano passado), enquanto a Índia aparece no 39.º lugar (subindo 16 degraus em apenas um ano). Tanto Rússia quanto África do Sul ganharam duas posições em relação a 2015, e agora ocupam os lugares 43 e 45 da lista, respectivamente.

Reformas. Segundo Arruda, a boa notícia é que a agenda de reformas que o Brasil tem pela frente – mudanças na Previdência, controle nos gastos públicos, reforma da legislação trabalhista e nas concessões de infraestrutura – podem ajudar bastante na apuração dos resultados do próximo ano. Ele afirma que o resultado obtido pela Índia em 2016 reflete em muito as mudanças de regras concretizadas nos últimos anos.

A disposição em corrigir gargalos de produtividade, de acordo com o professor, tem funcionado também em mercados latino-americanos como México e Colômbia. “A Colômbia tem feito reformas de longo prazo, com parcerias entre o setor público e o privado, e tem crescido de forma lenta, mas constante, na lista”, diz Arruda.

Já o atual governo do México, explica ele, tem optado por fazer reformas de forma mais abrupta, sem medo de perder a popularidade. Em 2016, o México ficou em 51º lugar no ranking de competitividade, enquanto a Colômbia ficou na 61.ª colocação.

Outro fator que deve ajudar o Brasil no ranking do ano que vem é o fato que a economia está, de certa forma, andando na direção contrária do que ocorre no resto do mundo. Enquanto o mundo fica mais protecionista – como evidenciado pela saída do Reino Unido da União Europeia –, Arruda pondera que a economia brasileira vem se abrindo ao comércio exterior.

O estudo tem uma base liberal e desenvolvimentista, explica o professor da FDC, mas também contempla alguns avanços em indicadores sociais, especialmente nos setores de saúde e educação.

Nas primeiras dez posições do ranking, houve algumas mudanças de posição, mas a lista de líderes em competitividade manteve-se a mesma. Em 2016, na ordem, destacaram-se: Suíça, Cingapura, Estados Unidos, Holanda, Alemanha, Suécia, Reino Unido, Japão, Hong Kong e Finlândia.

Fonte: Estadão

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