Touros, touradas e cultura

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Foi em meados do século XVII que a Festa dos Touros, mais conhecida no Brasil como tourada, começou a calar fundo na cultura popular do povo espanhol. As artes não ficaram à margem da festa brava, a começar pela pintura, cuja afinidade com a plasticidade, o movimento e a enorme variedade de situações dramáticas ocorridas durante o espetáculo entraram diretamente na mente criadora dos artistas.

Um exemplo clássico é a tela de Édouard Manet, O Toureiro Morto.

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Dois monstros sagrados da pintura foram Goya e Picasso. O primeiro nos deixou várias obras sobre o tema, sendo uma das mais importantes La Tauromaquia. O trabalho é composto por 33 gravuras e foi realizado na última fase da vida do pintor. A de número dez nos mostra Carlos V enfrentando um touro na Plaza de Valladolid, para celebrar o nascimento de seu filho Felipe II.

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Velazquez, Manet, Doré, Zuloaga, Dali e muitos outros grandes mestres da pintura deixaram em seu legado dezenas de telas dedicadas à tauromaquia.

Mas ao lado de Goya o outro grande gênio foi Pablo Picasso. Aos 80 anos completou sua última Tauromaquia, uma série de 28 ilustrações em aquarela, que ilustraram o livro A Tauromaquia ou a Arte de Tourear de Jose Delgado. Guernica, a obra maior de Picasso nos apresenta inúmeras figuras simbólicas. Entre elas o touro e o cavalo exercem um papel dominante.

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Os touros estão presentes em clássicos literários. Píndaro, poeta clássico grego, nascido no ano 518 a.C. já nos oferece referências líricas a respeito da intervenção do touro nos jogos que eram celebrados durante as Olimpíadas.

Na literatura espanhola eles estão presentes nas Cronicas del Cantar del Mio Cid, assim como nas obras de Alfonso X, Lope de Vega, Federico Garcia Lorca e Blasco Ybañes. A joia mais valiosa do imenso tesouro acumulado da literatura que envolve a tauromaquia é o poema La sangre derramada, escrito por Garcia Lorca. Ele é dedicado a Ignacio Sanchez Mejias, quando de sua morte na arena de Manzanares, provocada pelo touro Granadino.

Poderíamos estender este tema tratando da escultura e do farto material alusivo aos touros na mitologia grega, com destaque para a lenda do Minotauro.

Mas como nosso assunto é música, passaremos a comentar a presença da mesma no universo das touradas. Em toda Plaza de Toros existe um espaço reservado para o clarim e os tímpanos, sem os quais não há condições de observar os rituais que se desenvolvem durante uma tourada. Existem oito diferentes toques de clarim para assinalar as fases de uma corrida de touros. Eles são utilizados para a abertura do espetáculo, para ordenar a saída do touro, e para indicar o início de cada um dos três tercios que devem ser cumpridos até o sacrifício do touro ou sua devolução ao curral.

Próximo a esta área há outro espaço destinado a uma banda de música. Os touros e a música estão indissoluvelmente unidos já que é inconcebível uma boa corrida sem o acompanhamento da música adequada.

A musica taurina é o pasodoble. Nos seus primórdios era uma das mais populares danças de salão do mundo hispânico. Com seu compasso binário moderadamente rápido passou a ser a música mais executada em todas as Plazas de Toros.

Muitos pasodobles foram compostos em louvor das grandes figuras do mundo taurino. Citamos dentre os mais famosos Manolete, escrito por Pedro Orozco. Outros grandes toureiros como Marcial Lalanda e Curro Romero, mais conhecido como Gallito também se transformaram em temas de pasodoble.

Dentro do que denominamos música taurina, as zarzuelas também ocupam lugar de destaque. A mais conhecida é El Gato Montés cujo enredo narra as desventuras de um toureiro, sua noiva e sua família. O personagem principal e Juanillo, el Gato Montés, salteador que tem seu reduto nas serras da Andaluzia.  O pasodoble executado no segundo ato desta zarzuela até hoje é peça obrigatória a ser executada durante o paseillo. Assim que o presidente da corrida autoriza o início do espetáculo, todos os membros que participarão da tourada – aguazis, matadores, banderilheiros, picadores e muleiros – fazem um passeio pela arena, que tem início no portão das quadrilhas e marcham até o balcão presidencial. A imagem a seguir nos dá uma ideia do que seja o paseillo.

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Citamos alguns dos pasodobles mais conhecidos, escutados e admirados mundialmente:

España cañi, En “er” mundo, Suspiros de España, El Gato Montés, La Gracia de Diós, Y Viva España e Gallito.

A Tauromaquia, nos dias atuais, é alvo de muitas opiniões desfavoráveis. Mesmo assim é praticada em toda península ibérica, no sul da França, México, Costa Rica, Colômbia, Peru e Equador. A maior Plaza de Toros do mundo fica na Cidade do México, com capacidade para 40.000 espectadores. Existem hoje 1.730 Plazas oficiais. A mais antiga é a de Salamanca, fundada em 1711.

Clique aqui para escutar España Cañi 

Clique aqui para escutar El Gato Montés

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