Ludwig II: Entre o sonho e o delírio (IV)

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Ludwig aos 40 anos

A Tragédia de um Gênio

Em agosto de 1880 foram comemorados os 700 anos desde que a dinastia Wittelsbach assumira o trono da Baviera. Ludwig havia criado na atmosfera de suas queridas montanhas um mundo do qual não mais podia escapar. Cada viagem para Munich era um sacrifício e até seu suntuoso palácio na capital era para ele uma prisão. As audiências, mesmo com pessoas de sua intimidade eram um tormento e dependiam dos humores reais. As condições emocionais do rei se agravaram quando seu irmão Otto foi internado no castelo Furstenried, nas cercanias de Starnberg, num estado de total insanidade e alienação. Só lhe restava o apoio de seu povo e de alguns ministros de seu gabinete. No momento em que seu Ministro das Finanças reclamou dos altos custos com as obras no Herrenchiemsee, Ludwig ameaçou fazer uma reforma ministerial. Os rebeldes foram tratar da questão com Bismarck que mandou um dura carta para o rei, exigindo uma política de contenção de despesas, corte de pessoal e a presença permanente do rei em Munich. Ele deveria estar mais presente para receber os ministros em audiência e administrar o dia a dia da corte.

Conde Thurn und Taxis

Conde Thurn und Taxis

Raivoso, Ludwig resolveu obter um empréstimo pessoal com seu velho amigo o Conde Thurn und Taxis. Sua correspondência já era censurada e foi interceptada. Ludwig tenta um empréstimo com a Casa Rotschild de Paris. Obtém um crédito de 40 milhões de francos com juros de 4%. A carta lacrada contendo a promissória real também é nterceptada das mãos do emissário por ordem do Conde von Holnstein, um dos principais conspiradores.

Luitpold, Prince Regent of Bavaria

Príncipe Luitpold

Este e os ministros reúnem-se com o Príncipe Luitpold  para que assuma a regência. A fim de legalizar o golpe, conseguem um laudo médico assinado pelo doutor von Gudden, psiquiatra e diretor do Asilo de Lunáticos da Baviera. O atestado também é assinado pelos doutores Hagen, Grashey e Hubrich.

O sequestro de Ludwig II

A princípio Luitpold hesitou muito em participar da trama, mas acabou por aceita-la. Os principais conspiradores, chefiados pelo Conde Holstein e o Dr. Von Gudden acompanhado por quatro enfermeiros, chegaram à noite em Hohenschwangau. O sigilo sobre o tema era total visto que nem as autoridades policiais de Füssen foram alertadas.

Conde Max Holnstein

Conde Max Holnstein

Quando o chefe dos cocheiros Osterholzer escutou as ordens de Holnstein, correu para o Castelo a fim de alertar Weber e Ludwig. Este determina a prisão da comitiva. Ludwig telegrafa para seu grande amigo o Conde Alfred von Dürckheim. Este viaja para Neuschwanstein e tem uma longa entrevista com o rei. Apresenta algumas medidas, tais como: Ludwig deve pedir auxilio à Bismarck, retornar para Munich e apoiado pelos súditos debelar o golpe ou fugir para o Tirol austríaco.. Os telegramas para Bismarck são retidos, e o general Muck, comandante de um batalhão de 300 fuzileiros fiéis à Ludwig adere aos conspiradores. Dürckheim recebe ordens do Ministro da Guerra para se apresentar em Munich. O rei estava prisioneiro em seu castelo.

Conde Alfred von Dürckheim

Conde Alfred von Dürckheim

No dia 10 de junho o governo proclamou a regência de Luitpold e o Landtag emtrou em assembleia. O rei ficaria sob os cuidados de dois neurologistas, os doutores Gudden e Müller, quatro enfermeiros e seria conduzido ao castelo de Berg. Ludwig entregou seu relógio e moedas de ouro no valor de 1200 marcos para Weber seu fiel lacaio. Em seu primeiro encontro com Gudden, Ludwig perguntou: qual o direito que você tem de me declarar insano, se jamais conversou comigo ou me examinou?

A tragédia no lago Starnberg

O trajeto de Neuschwanstein até o Schloss Berg  durou oito horas. O governo desistira de mandar Ludwig para Linderhof, devido à proximidade da fronteira do Tirol. Além disso, a comitiva foi informada que mais de 150 camponeses liderada por um legalista planejavam liberar o rei.

Schloss Berg

Schloss Berg

O castelo de Berg estava preparado para a chegada de Ludwig. As portas de seu quarto, bem como as janelas não tinham maçanetas. Vários orifícios foram feitos nas portas com propósito de observá-lo. A residência  fora transformada num asilo de lunáticos.

Ao descer do coche Ludwig cumprimentou amavelmente a Sauer, um dos soldados da guarda.

O rei descansou no primeiro dia e no segundo passeou nos jardins do palácio acompanhado pelo doutor Gudden e dois seguranças.

Pediu para repetir a caminhada ao entardecer, sem a presença dos guardas. Devido ao bom comportamento e docilidade do cliente, o médico consentiu. Era o dia 13 de junho de 1886.

Às oito da noite deram falta dos dois que não haviam retornado para o jantar. Um grande numero de empregados e membros da comitiva deram início a uma busca junto as margens do lago. Após horas encontraram os corpos do rei e do médico. O relógio de Ludwig marcava 6:54 e o do Dr. Gudden 8:00.

Depoimento de Kainz, empregados e a carta que Ludwig escrevera para a mãe, doze dias antes de sua morte são indícios fortes de que Ludwig não estava demente. Até hoje paira um grande mistério sobre as duas mortes.

A autópsia de Ludwig e do Dr. Gudden e outros documentos oficiais relativos ao caso foram lacrados nos arquivos reais com autorização para abertura apenas a partir do ano 2.000. Ludwig está enterrado na Saint Michael Kirche. Em seu mausoléu também estão sepultadas Sissi, sua irmã Gisela e Éugene Behaurnais, filho de Josephine e enteado de Napoleão.

Tumulo de Ludwig II

Tumulo de Ludwig II

Elisabeth (Sissi) detestava a corte de Viena e não era benquista por sua sogra. Sofreu muito com o suicídio do filho, o príncipe Rodolfo e sua amante Marie Vetsera. Depressiva, anoréxica, fez vários tratamentos de saúde, inclusive na ilha da Madeira. Foi assassinada em Genebra, no dia 10 de setembro de1898 pelo anarquista italiano Luigi Luchini.

Luitpold reinou até 1912, quando faleceu aos 91 anos. Assumiu o trono Ludwig III cujo reinado durou até o final da 1ª Grande Guerra. Assim terminou o reinado dos Wittelsbach na Baviera.

Cruz em memória de Ludwig II

Uma cruz foi erguida no lago Starnberg, no local em que foi encontrado o corpo de Ludwig II.

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