A Economia dos Desajustados – Alternativas Informais Para Um Mundo Em Crise

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Pessoas fora do padrão como gângsteres e hackers, consideradas desajustadas, são inovadoras nos seus negócios informais e podem inspirar o mundo econômico. A escritora e pesquisadora americana Alexa Clay, 31 anos, estudou esse público e escreveu o livro “A economia dos desajustados” junto com Kyra Maya Phillips.

Por que você e Kyra Maya Phillips lançaram o livro “A economia dos desajustados” e quem são os desajustados em questão?

A ideia do livro começou como uma forma de ampliar o foco do retrato tradicional dos empreendedores do Vale do Silício e colocar um olhar sobre os protagonistas do mercado negro e economia informal (como gângsteres, piratas, hackers). Estes indivíduos estão frequentemente aplicando um mindset empreendedor em seus trabalhos. Em alguns países, mais de 70% das atividades econômicas acontecem na economia informal e unindo todas elas, chegamos a um valor superior a U$10 trilhões. Então, de alguma forma, por mais que essa seja uma “economia marginal”, ela é também a economia principal em muitas partes do mundo. Os “desajustados” que são retratados no livro são uma mistura de mercado negro e inovadores informais, como ex-líderes de gangues, piratas de propriedade intelectual da China e até agricultores Amish. Também entram desajustados artistas boêmios, ativistas e desajustados que atuam dentro de negócios formais, transformando companhias de dentro para forma com novas agendas sociais e ambientais.

Como vocês selecionaram os exemplos mencionados no livro?
Os exemplos do livro focam em desajustados que estão transformando culturas e demonstram criatividade e inovação. Às vezes, eles inclusive estão na ilegalidade. Eu viajei ao longo de três anos fazendo pesquisa e conversando com desajustados ao redor do mundo. As histórias contadas no livro são das pessoas que mais me inspiraram.

Você pode dar alguns exemplos de cases do livro?
Muitos dos desajustados sobre quem escrevemos estão tentando deixar uma marca no mundo. Por exemplo, King Tone, o antigo líder da New York City Latin Kings (uma gangue de rua hispânica) trabalhou para reconstruir do DNA do que significa ser um gângster. Ele tentou desenvolver uma abordagem de “mudança de gestão” para os Latin Kings se tornarem um movimento social como os Panteras Negras em vez de desenvolverem apenas atividades criminosas. De forma semelhante, outra desajustada apresentada no livro, Cat Hoke, fundadora da empresa Defy Ventures, trabalha com ex-detentos para ajudá-los a transformar suas habilidades no crime em habilidades para o empreendedorismo formal. A Defy Ventures funciona quase como uma incubadora de startups para ex-detentos, reconhecendo que muitas pessoas na prisão possuem incríveis aptidões para o empreendedorismo, mas pelo contexto em que nasceram, acabaram operando do lado errado da lei. Também escrevemos sobre desajustados mais tradicionais, como David Berdish, que trabalhou na Ford Motor Company durante muitos anos. Focou seus esforços em fazer com que a companhia desenvolvesse melhores práticas pelos direitos humanos e criando alternativas de negócios além da montagem de carros, investindo também em soluções sustentáveis de transporte.

Como estes desajustados podem inspirar empreendedores?
Todos nós temos um pequeno desajustado dentro de nós! Pode soar cafona, mas com muita frequência em nossa vida profissional nós precisamos assumir papéis e posturas  que não são nossas, mas de quem deveríamos ser.  Essa simulação é muito desgastante e é uma das razões pelas quais nossos trabalhadores estão tão exauridos e desmotivados. Eu acredito que a nova  economia em que estamos entrando é mais eficaz em reconhecer nossos ativos individuais e aproveitar nossas forças, particularidades. Pessoas não estão mais se ligando a empregos em fábricas do mesmo jeito que fazíamos antigamente e nós não queremos nos transformar em engrenagens do sistema. Se queremos mais ideias disruptivas no mundo, então precisamos de mais pessoas disruptivas; o que requer mais comportamento rebelde. Criar esquemas, piratear, provocar e articular são alguns apenas alguns dos princípios que acreditamos que empreendedores desajustados podem usar como inspiração.

O que você prioriza em seu trabalho de estrategista para inovação?
Meu maior interesse é a construção de comunidades de intenção e disrupção. Isto significa que eu sou muito envolvida em desenvolver redes para negócios sociais. Por exemplo, eu co-fundei a League of Intrapreneurs (Liga de Intraempreendedores) que apoia funcionários de empresas multinacionais que estão tentando trazer questões sociais e ambientais para seu escopo de trabalho. No momento também estou fazendo pesquisas  a respeito de diferentes práticas para “design tribal”, que consiste em observar as melhores práticas na criação de comunidades, movimentos e redes. No futuro, o mundo vai ser diferente graças às comunidades e culturas que estimulamos. Eu gosto de pensar sobre práticas para “hackear” culturas antiquadas e apoiar agentes de mudança – estejam eles em empresas, no governo ou redes de base – para transformar as culturas a seu redor. Eu trago uma perspectiva antropológica e hacker para estratégias em inovação. (Tradução de Ana Paula Santos).

Fonte: DC

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