Ludwig II: entre o sonho e o delírio (I)

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I- O jovem rei

Foto de Luwig II

Ludwig Friedrich Wilhelm von Wittelsbach nasceu no dia 25 de agosto de 1845, filho do rei Maximiliano II e da Princesa Marie Hohenzollern, da Prússia.

Seu avô, Ludwig I, grande patrono das artes, transformou Munich, conhecida apenas como a capital da cerveja, num grande centro cultural Em 1843 foi forçado a abdicar e seu filho Maximiliano II assumiu o trono. Ao contrário do pai, ele beneficiou seu reino abraçando a arte das ciências.

A linhagem dos Wittelsbach ascendeu ao trono da Bavária em 22 de agosto de 1180. Baviera, Saxônia e Würtemberg foram elevadas a reino por Napoleão Bonaparte. Também criou Ducados, Grão Ducados e a Confederação do Reno.

Uma de suas últimas representantes, a princesa Maria Isabel von Wittelsbach, princesa da Baviera (1914-2011) casou-se em 1937 no palácio de Nymphenburg com Dom Pedro Henrique Orleans e Bragança, chefe da Casa Imperial do Brasil. Maria Isabel era filha do príncipe Franz e neta de Ludwig III, último rei da Baviera. Até sua morte (13/5/2011) aos 97 anos, ela foi considerada “de jure”, Imperatriz Mãe do Brasil.

Devido a uma epidemia de tifo em Munich, Ludwig e seu irmão Otto, foram viver com a mãe no castelo de Hoheschwangau. Este castelo, originalmente chamado de Schwanstein, construído por Maximiliano I estava em ruinas e foi restaurado por Maximiliano II. Ricamente decorado, no mesmo estilo da Idade Média, suas paredes foram cobertas por afrescos retratando Carlos Magno e seus Cavaleiros, Dietrich de Berna e Lohengrin, o Cavaleiro do Cisne. O castelo está localizado no vale do Schwanengau, entre os lagos Alpsee e Schwansee.

Em 1864, uma comitiva de autoridades do reino veio buscar Ludwig, pois Maximilian II estava à morte. O jovem príncipe viajou para Munich, e no dia 10 de março de 1864 estava junto ao leito de seu pai, quando este expirou.

Ludwig foi coroado rei da Baviera aos 18 anos.

 

II- O resgate de Richard Wagner

O compositor Richard Wagner

Impressionado pelas imagens da lenda de Lohengrin que decoravam as paredes do castelo de Hoheschwangau, Ludwig ficou extasiado ao assistir pela primeira vez a ópera de mesmo nome, uma das obras de Richard Wagner. Assim que assumiu o reinado da Baviera, ordenou ao ministro chefe de gabinete, Franz Seraph von Pfistermeister que localizasse o autor. Wagner, acossado pela polícia e pelos credores de Viena, havia se refugiado em Stuttgart, na pensão de seu amigo Wendelin Weissheimer. No dia três de maio de 1864 ele foi localizado pelo ministro Seraph que lhe convidou para uma audiência com Ludwig. Wagner ganhou uma foto emoldurada e um anel de brilhantes, como prova da amizade do rei.

O encontro deu-se no dia quatro e Ludwig mandou pagar todas as dívidas do compositor. Concedeu-lhe um régio salário anual e uma residência, primeiramente às margens do lago Starnberg enquanto era concluída a mansão que alojaria o compositor na Briennerstrasse. Lá ele viveria apenas em função de sua criatividade artística. Em dezembro, a pedido do rei, Wagner dirigiu para o público a ópera Die Fliegende Hollander.

O compositor trouxe para Munich o amigo Hans von Büllow para ocupar a posição de Kappelmeister da Orquestra Real. Os oficiais do Tesouro ficaram espantados com as elevadas somas que os planos de Wagner iriam custar aos cofres do reino.

Durante o período em que se relacionaram, Wagner e Ludwig trocaram cerca de 600 cartas. Ludwig escutava e dedicava a maior parte de seu tempo à Wagner, o que irritava profundamente seus ministros. Graças ao apoio financeiro de Ludwig, Wagner conseguiu montar e estrear as óperas Tristan und Isolde em junho de 1865 e Die Meistersinger von Nürnberg no ano seguinte.

Wagner recebia um estipêndio anual de 4.000 guldens, equivalente ao salário de um ministro. Se computarmos as despesas com residência, mobiliário, criados, presentes, Wagner custou aos cofres da corte o equivalente a 563.000 marcos. O coche real que seria usado nas bodas de Ludwig foi orçado em 1,7 milhões de marcos. Apesar da inveja dos ministros e parentes de Ludwig, o rei apenas concordou em afastar Wagner de Munich ao tomar conhecimento da ligação amorosa que o compositor mantinha com Cosima von Büllow.

Wagner deixou a cidade e foi viver em Tribschen, nas cercanias de Lucerna.

Meses mais tarde Ludwig viajou incógnito para visitar o amigo, apresentando-se na figura de Walther von Stolzing, um dos personagens da ópera Meister singer.

Posteriormente Ludwig iria conceder empréstimos vultosos para o término da construção do teatro de Bayreuth. Assistiu aos ensaios finais do Der Ring entre os dias seis e nove de agosto de 1873. Retornou ao teatro para assistir à terceira apresentação do ciclo. O último encontro dos amigos foi em agosto de 1880, em Munich, para uma apresentação privada de Lohengrin em homenagem ao monarca. No dia 12 houve uma 2ª apresentação. Ludwig chegou atrasado e mal humorado. Wagner regeu o prelúdio de Parsifal que foi acolhido friamente pelo rei. Este solicita que toquem o prelúdio de Lohengrin a título de comparação. Irritado, Wagner passa a batuta para Hermann Levi e abandona o fosso da orquestra. Assim foi encerrada esta grande amizade. Ludwig não compareceu ao Festival de 1882.

 

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