RADIO 1080 AM

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Prédio da Rádio Da Universidade

Às 22 horas do dia 31 de dezembro de 1953, por determinação ministerial, os transmissores da Rádio da Universidade foram lacrados e ela saiu do ar. A drástica medida foi tomada, pelo fato da emissora estar transmitindo música, o que não lhe era permitido. Nos primeiros dias de janeiro de 1954, o jornal Correio do Povo divulgou extensa reportagem, com as seguintes manchetes: ATENTADO À CULTURA DO RIO GRANDE – O fechamento da Rádio da Universidade.

A rádio entrara no ar, em janeiro de 1951, graças à iniciativa do professor Antonio Alberto Goetze. Anos antes, ele havia idealizado um projeto arrojado para criar uma rádio. Ela seria usada para demonstrar na prática, a construção, instalação e funcionamento de transmissores. Em 1950, a universidade recebeu autorização ministerial, que lhe permitia instalar uma estação radiotelefônica de transmissão em ondas curtas. A programação estava restrita a informações do observatório astronômico e ensinamentos didáticos. Os programas musicais e atividades afins não eram permitidos. Entretanto, partir do momento em que a rádio começou a operar, ela começou a descobrir sua vocação: especializar-se na divulgação de música erudita, oferecendo aos ouvintes, cultura e entretenimento. O homem que guiou a emissora para o terreno da música foi o professor e compositor Armando Albuquerque.

Apesar da proposta filosófica, cultural e didática ser reconhecida, os burocratas de plantão cancelaram as atividades da rádio. A reação foi imediata. A comunidade gaúcha e o pessoal da universidade passaram a lutar pelo restabelecimento das atividades da emissora, movimento que teve um apoio decisivo da imprensa. Liderando as ações, o Professor Elyseu Paglioli, reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e um dos grandes entusiastas da Rádio da Universidade. Passaram-se quase quatro anos até que o governo federal liberasse a concessão de um canal de ondas médias, autorizando a rádio a operar na freqüência de 1080 kHz. Após um período experimental de transmissões, a ZYU67, Rádio da Universidade, entrou oficialmente no ar, no dia 18 de novembro de 1957.

Em 1960, ela foi transferida da Avenida Osvaldo Aranha, para o atual prédio da Rua Sarmento Leite, que durante muitos anos fora ocupado pelo Instituto de Meteorologia Coussirat Araújo.

Com a entrada do novo milênio, a rádio que ostenta o título de “A primeira emissora universitária do país”, mantém uma audiência de mais de 70.000 ouvintes na grande Porto Alegre e atinge 55 municípios em nosso estado. A música erudita representa 67% da programação, ficando o restante do espaço voltado a programas jornalísticos culturais. No ano de 1993, pesquisa feita pelo jornal Zero Hora indicou a Rádio da Universidade como a melhor emissora de Porto Alegre. Apesar da crônica falta de recursos, a rádio tem conseguido modernizar seus equipamentos e possui um planejamento estratégico com várias metas em andamento. O histórico prédio por ela ocupado foi restaurado recentemente.

Mas vamos aos clássicos, que é o nosso tema principal. O acervo de música erudita, composto de 13.500 discos long-play e 2.200 compact disc, é considerado o maior do Brasil. Existem obras que fariam a glória de qualquer colecionador. Citamos alguns exemplos: a coleção completa de todas as Cantatas de Bach, em 80 CD’s e a obra completa de Beethoven. As lendárias gravações registradas entre 1935 e 1950, pelo controvertido maestro Willem Mengelberg, regendo a Orquestra Concertgebow de Amsterdam. Elas ocupam uma coleção de dez CD’s, editada pela Rádio Netherland, com obras de Bach, Beethoven, Mozart, Mahler, Debussy, Puccini e Wagner. Mengelberg foi o homem que devolveu a música clássica para a Holanda, transformando a sua orquestra numa das melhores do mundo. A Anthology of the Royal Concertgebow, se constitui noutra raridade. Nela vamos encontrar a histórica apresentação do Das Lied von der Erde, de Mahler, sob a regência de Karl Schüricht, gravada em cinco de outubro de 1939.

A diversidade do acervo e a qualidade da programação se constituem nos principais pontos fortes da emissora.

Cartaz da Radio da UniversidadeDurante muitos anos, a maioria dos grandes eventos sinfônicos realizados em Porto Alegre, foram transmitidos ao vivo pela 1080 AM. Além dos tradicionais concertos da OSPA, que tinham divulgação garantida, eventos extraordinários também foram levados ao ar.

Em 1966, uma platéia fascinada, lotou o Teatro Leopoldina para assistir a Orquestra da Filadélfia, sob a regência do brilhante maestro Eugéne Ormandy. Através das ondas da rádio, milhares de ouvintes puderam compartilhar da execução da Sinfonia nº 6 – Pastoral, de Beethoven e da Suíte Daphne e Chloe, de Maurice Ravel. Em 1968, foi transmitido do Teatro da Reitoria, o grande concerto executado pela Hallé Orchestra de Manchester, sob a regência do inesquecível maestro John Barbiroli, oportunidade em que milhares de ouvintes escutaram, entre outras obras, a 9ª Sinfonia em dó maior, de Schubert.

Um dos principais responsáveis pela programação da Rádio da Universidade foi Rubem Prates. Durante mais de vinte anos, ele cumpriu a difícil tarefa de agendar o que existe de melhor em música erudita, para os ouvintes cativos da emissora.

Para os leitores que desejarem acompanhar a programação semanal, e escutar a boa música da 1080 AM, recomendamos acessar o site  www.ufrgs.br./radio/. Vale a pena!

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