Tudo ou Nada

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eike

Eike Batista entrou na ampla sala de reuniões acompanhado de dois assessores. Depois de cumprimentar alguns dos conselheiros, sentou-se à mesa. Sabia que aquele encontro fecharia um capítulo de sua trajetória. Tinha consciência de que o momento era péssimo, mas, na intimidade, até já fazia planos para retornar com toda a força. Só não foi capaz de antecipar o que viria a seguir.

“Eike, você está fora. A partir de hoje, você não manda mais nesta companhia. Os credores vão assumi-la e eu vou representa-los. E se você ousar reivindicar qualquer indenização vamos te processar”.

Embora pareça incrivelmente atual, o episódio não aconteceu no Brasil, nem se passou em 2013. Ocorreu em Toronto, capital financeira do Canadá, no nem tão distante ano de 2001.

Este é um breve resumo do prólogo do livro Tudo ou Nada escrito por Malu Gaspar (Editora Record, 545 páginas), editora da revista Veja no Rio de Janeiro. Ela acompanhou a trajetória de Eike Batista e seu grupo desde 2005. A partir de 2006 a jornalista assistiu a ascensão e queda do império X. Para chegar a este livro, acumulou blocos de anotações com entrevistas, gravações e inúmeras pastas com material sobre as empresas X. Entrevistou 106 pessoas, recebeu fotos documentos, relatórios, cópias de e-mails de correspondências que a ajudaram a reconstituir a trajetória do grupo em detalhes.

Malu Gaspar conta a história de Eike e do grupo X (OGX, MMX, OSX, CCX, LLX e outras mais). Eike se valia do nome do pai, Eliezer Batista e de executivos competentes e fiéis para alavancar seus negócios, num momento em e que o Brasil mudava e a economia entrava numa era de prosperidade. Por outro lado, cercava-se de bajuladores que formavam seu séquito de personal friends. O destaque vai para a dupla Paulo Mendonça, o Doutor Oil, um dos responsáveis pelo sonho da petroleira OGX e para o tunisiano e fiel escudeiro Azis Bem Ammar. Este homem se gabava de ter inúmeros contatos internacionais com as maiores riquezas do planeta. Estes potentados do mundo árabe sempre estariam dispostos a abrir seus cofres para investir nos negócios de Eike. Azis jamais carreou um centavo para as empresas do grupo X.

Na medida em que Eike aumentava suas posições no ranking da Revista Forbes, seus sonhos megalomaníacos o levaram a planejar a compra da Companhia Vale do Rio Doce. Até que um dia o sonho acabou.

Cabe destacar que o presidente da República sempre emitiu sinais de ceticismo quanto aos negócios do filho de Eliezer Batista. Lula frequentemente comentava com interlocutores próximos: Só falta agora ele produzir alguma coisa de verdade.

Talvez apenas um bom psiquiatra consiga definir o perfil de Eike Batista, já que lhe aplicaram inumeráveis rótulos: um mentiroso compulsivo, um empreendedor genial, um egocêntrico sem limites e sem moral, um homem à frente de seu tempo ou um estelionatário.

Admiro-me que a imprensa tenha dado tão pouca relevância a esta obra. Desde que li o livro, em dezembro de 2014, até os dias de hoje só tive a oportunidade de apreciar um consistente artigo assinado pela colunista Rosane de Oliveira, publicado na Zero Hora do último dia oito de março, sob o título Um novo epílogo para Eike Batista.

Tudo ou Nada demonstra no detalhe a carreira de Eike Batista e a construção e queda de seu império. Recomendo a leitura.

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