Porto Alegre está no mapa da Economia Criativa

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Pesquisa da Fecomércio-SP aponta a Capital como a segunda mais criativa do país. São Paulo ficou com o primeiro lugar

Foto: Lauro Alves/Agência RBS

Foto: Lauro Alves/Agência RBS

O objetivo é fazer a cidade prosperar, buscando soluções inovadoras para os problemas urbanos e tornando-a mais acolhedora à população. De que forma? Botando a cabeça para, como diz o jargão da comunicação, “pensar fora da caixa”. Ao participarem de iniciativas criativas e sustentáveis, grupos de empreendedores da Capital confirmam um dado anunciado em pesquisa: Porto Alegre está no pódio das capitais mais criativas do Brasil — só perde para São Paulo.

A informação é da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP) e encontra respaldo em iniciativas como o Vila Flores, um centro de cultura, educação e negócios criativos no bairro Floresta, ou a incubadora Tecendo Ideias, projeto de fomento à economia criativa idealizado pela prefeitura e executado pelo Centro Universitário Metodista IPA.

Economia criativa é um conceito a princípio abstrato para os que não são íntimos. A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) cunhou o termo em 2008 — trata-se da interface entre cultura, economia e tecnologia para criar, produzir e distribuir bens e serviços, sob dois alicerces principais: a criatividade e o capital intelectual.

Mas nem quem está diretamente envolvido nesta indústria, que começou a ser delineada há menos de 20 anos como uma possibilidade alternativa de emprego e renda, consegue precisar tudo o que ela engloba. Para alguns, sequer é possível enquadrá-la como um setor específico da economia.

— São várias áreas que dialogam entre si. A economia criativa se dá a partir da aproximação de vários nichos e é uma transformação do modo de produção contemporâneo, pois se utiliza da tecnologia para criar oportunidades — reflete o professor Leandro Valiati, coordenador do Observatório de Economia Criativa da UFRGS e mestre em urbanismo com ênfase em economia da cultura.

Falta organização aos setores criativos da Capital, diz especialista

Se a ideia ainda está vaga para você, um exemplo: no Vila Flores, fabricantes de bicicletas trabalham no mesmo ambiente que arquitetos; arquitetos dividem espaço com grupos de teatro; grupos de teatro trocam experiências com designers gráficos; designers gráficos estão em constante contato com artistas visuais. É um ecossistema, enfim, colaborativo.

— Há uma troca bem mais dinâmica entre profissionais dos mais variados segmentos. Num escritório apenas de arquitetos, por exemplo, todos falam a mesma língua. Em um ambiente transdisciplinar, o potencial criativo de todos se fortifica — diz a gestora cultural do Vila Flores Aline Bueno, especialista em Economia da Cultura pela UFRGS.

Segundo ela, há 50 pessoas na lista de espera para ocupar o Vila Flores, o que denota o interesse das pessoas em participar da experiência e o potencial da Capital para se transformar, em definitivo, em um polo de economia criativa.

Mas há obstáculos para Porto Alegre saltar aos olhos do mundo como hoje acontece com São Paulo. Na opinião de Aline, os setores criativos ainda não estão de todo organizados e precisam se fortalecer. Como?

— Com políticas públicas — diz.

Exemplos no Brasil e no Mundo

São Paulo (SP): Nenhuma cidade do Brasil oferece um cardápio tão diversificado de programações culturais, restaurantes e feiras independentes. A Mostra de Cinema e a Virada Cultural também colaboram para a efervescência.

Paraty (RJ): Todos os anos, a Feira Literária Internacional de Paraty (Flip) atrai mais de 20 mil pessoas à cidade de arquitetura colonial.

Guaramiranga (CE): As serestas do século 19 foram inspiração para a criação do Festival de Jazz e Blues. A cidadezinha de 5 mil habitantes, a 100 quilômetros de Fortaleza, reestruturou-se para receber turistas, transformando fazendas em pousadas.

Lisboa (Portugal): A indústria criativa foi a saída para driblar a crise de 2012. Hoje, o grafite se espalha pelos muros, a agenda está gorda de eventos culturais e a Lx Factory, um espaço de restaurantes, lojas, livrarias e galerias, já se tornou obrigatória no roteiro turístico.

San Francisco (EUA): A mais descolada cidade dos EUA oferece vários festivais de cinema e eventos culturais. Mesmo com a redução de verbas, San Francisco manteve a Comissão de Artes, para estimular o turismo e a economia criativa.

Amsterdã (Holanda): A cultura sustentável das bicicletas, os artistas de rua e as dezenas de museus de arte e história fazem a cidade pulsar.

 

FONTE: Zero Hora – http://zh.clicrbs.com.br/rs/porto-alegre/noticia/2015/04/porto-alegre-esta-no-mapa-da-economia-criativa-4741927.html

 

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