PIB de 2015 deve ficar abaixo do ano anterior

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Menor confiança do consumidor e da indústria vai reduzir produção no país 

PIB

Dentro de quaisquer outras circunstâncias, o desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) de 2014 teria decepcionado, mas dentro das estimativas de alguns atores do mercado, o resultado acabou sendo melhor do que o esperado. O problema é que para 2015 os prospectos são ainda mais sombrios, indicando um duro caminho que terá de ser atravessado pela presidente Dilma Rousseff (PT) e pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Em 2014, a soma de todos os bens e serviços produzidos no Brasil foi 0,1% maior que a de 2013. As perspectivas do mercado eram de uma estagnação ou leve recuo. Para Patrícia Ferreira, gestora de renda fixa da Mongeral Aegon Investimentos – asset que possui mais de R$ 150 milhões em ativos sob gestão -, as mudanças na metodologia do cálculo do PIB pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) acabaram tendo um impacto significativo nos números divulgados. “Para o ano passado ficamos até surpresos que não foi tão ruim quanto o esperado, mas de forma alguma foi positivo. Não muda o cenário geral de desaceleração da economia”, afirma.

A equipe de análise da Rosenberg Associados lembra que o grande impulso dado no quarto trimestre que ajudou a manter um crescimento no ano, ainda que modesto, foi do consumo das famílias. No entanto, este fator do PIB deverá sofrer com o desaquecimento do mercado de trabalho e com o crédito que vai ficando mais escasso a cada reunião do Copom (Comitê de Política Monetária).

A opinião é dividida pela gestora Patricia, que acredita que a situação da economia fica mais difícil daqui para frente. Mesmo sem levar em conta um possível racionamento de energia, a gestora vê que com a economia fraca e os níveis de confiança do empresário e do consumidor nos níveis mais baixos da história, haverá menor estímulo à produção. Com isso, as empresas devem passar a demitir, o que elevará o desemprego.

O efeito já vem sendo sentido, embora de maneira limitada, já que o País ainda tem uma das melhores taxas de ocupação de sua história. Segundo as duas últimas PMEs (Pesquisa Mensal de Emprego), o desemprego subiu de 4,3% para 5,3% de dezembro para janeiro e de 5,3% para 5,9% de janeiro para fevereiro. E para os economistas, este ainda não é o fim do ciclo.

Crescer sem investimento?


Além disso, o número geral do PIB pode ter sido bom, mas a abertura dos dados, de acordo com Patricia, traz uma visão não tão otimista. O PIB per capita, por exemplo, indicador interessante de renda de um País porque leva em conta a produção total dividida pelo número de habitantes, recuou 0,7% em relação a 2013.

Não só, a agropecuária e o setor de serviços foram novamente os motores do crescimento, avançando 0,4% e 0,7% no ano, respectivamente, contra um recuo de 1,2% da já debilitada indústria. A maioria dos economistas acredita que o setor industrial, de alta produtividade, é a locomotiva do crescimento econômico.

Na óptica da demanda, o número também não foi tão bom. “O consumo foi melhor, mas a FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo) caiu, sendo que ela é o que mantém o crescimento”, diz Patricia. A FBCF mostra o quanto as empresas aumentaram os seus bens de capital, servindo como um dos melhores indicadores do investimento, já que consegue medir tanto o crescimento da capacidade de produção do país como a confiança do produtor para suas operações no futuro. De acordo com o IBGE a FBCF caiu 0,4% no quarto trimestre de 2014 ante o trimestre anterior e 5,8% na comparação anual. No ano, ela caiu 4,4%.

No texto de divulgação do PIB ao mercado, o IBGE diz que a redução neste indicador de investimento é justificada, principalmente, pela queda da produção interna e da importação de bens de capital, sendo influenciada ainda pelo desempenho negativo da construção civil neste período.

2014 ruim, 2015 pior ainda


Pior do que os dados do PIB de 2014, as previsões para 2015 são de um ano ainda mais fraco. Praticamente todos os economistas, analistas e casas de análises veem uma retração de 1% na economia este ano. Nesta segunda-feira (30), por exemplo, o relatório Focus, com a mediana das previsões do mercado para diversos indicadores macroeconômicos divulgado pelo Banco Central, revelou previsões em -1%.

Mais pessimista está o Credit Suisse que vê contração de 1,3% do PIB brasileiro em 2015. “Apesar do impacto da revisão metodológica, o balanço de riscos foi muito desfavorável para a atividade nos últimos meses. A mudança de metodologia do cálculo do PIB aumentou a herança estatística para o crescimento de 2015 e elevou o peso dos serviços no PIB, contribuindo positivamente para a dinâmica de crescimento em 2015. Apesar disso, a dinâmica recente dos indicadores sugere contração expressiva da economia no primeiro trimestre de 2015 ante o primeiro trimestre de 2014″, destaca a equipe de análise do banco.

Já a Rosenberg vê retração de 1,5% em 2015, já começando o ano com um recuo no primeiro trimestre em torno de 2,8% na comparação anual e de 1,2% em relação ao trimestre anterior.

A realidade, de acordo com Patricia Pereira, é que um recuo entre 1% e 1,5% em 2015 é cada vez mais provável. Este quadro, para a Bolsa, deve ser piorado pelo viés político de racha entre governo e Congresso, renegociação da dívida grega, queda dos preços do petróleo e expectativas de aumento dos juros nos Estados Unidos. “Diante de tudo isso, o 0,1% de crescimento em 2014 não é um número que anime o mercado”, avalia a gestora.

FONTE: REVISTA AMANHÃ – http://www.amanha.com.br/posts/view/173#sthash.GTLsRATr.dpuf

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