Muito SXSW, pouco tempo

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Você pode ouvir palestras com o Al Gore pela manhã, ver a estreia do filme do Al Pacino de tarde, e assistir um show do Snoop Dog à noite. Ou ver shows de bandas desconhecidas de manhã, discutir a melhor câmera para filmar documentários a tarde e ver um painel sobre um novo aplicativo à noite. Tudo é espalhado pela cidade, tudo acontece ao mesmo tempo, muitas vezes você quer estar em três lugares ao mesmo tempo. O SXSW é uma luta constante entre sua ansiedade e as limitações da física.

Este ano alguns temas foram predominantes: realidade virtual; a chegada da China no consumo de luxo e produção de hardware de qualidade; novos métodos de pagamentos e moedas virtuais; e o uso de informações do usuário para distribuição de mídia e publicidade personalizadas. “Informações de usuários são como petróleo: vale muito, mas quem realmente ganha dinheiro com isso é quem sabe refinar”, avisou Sandy Carter, evangelista da IBM. Lojas inteligentes que oferecem promoções de acordo com o perfil do cliente, publicidade no celular com base na localização, notícias selecionadas especificamente para cada hora do dia. Tudo isso já é discutido a algum tempo, mas agora começa a virar realidade. “Quando a Internet for como oxigênio (estiver em todo lugar), modelos de negócio revolucionários vão surgir”, previu David Parkinson, cabeça digital da Nissan em países emergentes. Mas os modelos de negócio revolucionários podem não agradar a todos.

Smells like teen spirit

“A questão não é geracional, é de atitude”, disse Pete Cashmore, do site Mashable. A frase foi repetida em mais de uma palestra este ano, sempre com a intenção de desfazer o mito de que o momento de conflito entre novas e velhas empresas tem a ver com a idade dos seus fundadores. Mas é inevitável a sensação de que a agressividade e inconsequência das novas empresas, chamadas de startups, cheira como espírito adolescente.

Da mesma forma que bandas  desafiam as autoridades nos shows à noite, as startups desafiam grandes empresas em todos os eventos do dia. “Acho que o pessoal do Vale do Silício acha que qualquer grande companhia é obsoleta é comandada por idiotas”, disse Alec Berg, criador da série Silicon Valley, no painel sobre as novas formas de distribuição de vídeos. Jeremy Gutsche, criador do site trendhunter.com, reforçou a ideia: “Todo empreendedor deve ter um espírito destruidor. Grandes empresas estão falindo porque continuam fazendo as mesmas coisas o tempo todo, e ao invés de inovar tentam proteger seus mercados com leis e regulações”.

Ele está se referindo aos recentes processos contra empresas como Uber (aplicativo de compartilhamento de carros) e o Airbnb (aplicativo de compartilhamento de casas). Os sindicatos querem que ambos paguem impostos, como se fossem empresas de táxi e hotéis, mas as startups se defendem dizendo que o mundo está mudando e as leis estão ultrapassadas. O público parece concordar: startups tem conseguido uma audiência gigantesca, investidores generosos e crescimento impressionante. Eles têm motivos para se comportar como adolescentes mimados. Os donos de startups hoje, nos Estados Unidos, são os novos rockstars.

Mas isso não quer dizer que grandes empresas não podem ter status de Rolling Stones da tecnologia. Apple e Google apresentam produtos inovadores todos os anos, e isso se deve principalmente à áreas específicas focadas em grandes inovações. “Não queremos fazer algo 10% melhor. Pequenas melhorias não nos interessam.

Queremos fazer algo 10 vezes melhor!”, gritou Astro Teller, chefe do Google X, no palco do Sxsw no último dia do evento. “Nossa área está na intersecção dos grandes problemas da humanidade, soluções nunca antes experimentadas, e tecnologias futuristas”. Com esse lema o Google X criou o carro que se dirige sozinho, um sistema de distribuição de sinal de internet para o mundo todo e uma tecnologia de energia eólica completamente disruptiva. Teller foi aplaudido de pé pela platéia. E ele tem 44 anos.

Caronas de graça é um robô no Tinder

No meio de tantas empresas tentando chamar atenção durante o Sxsw, seja com festas ou com ativações, algumas conseguiram se destacar.

O Meerkat, aplicativo de streaming de vídeo, foi o mais comentado do evento. A Mazda teve ótimas avaliações com seu serviço de caronas gratuitas para credenciados. A marca de carregadores para celular Mophie chamou atenção salvando as pessoas com pouca bateria: bastava mandar uma foto da sua tela pelo Twitter e um cachorro São Bernardo trazia um carregador portátil até você, estivesse onde estivesse.

O filme Ex-Machina também conseguiu chamar a atenção do público com uma ação muito curiosa: colocou um robô com cara de menina no Tinder, o aplicativo de encontros amorosos. O robô conversava com os rapazes de forma automatizada e marcava encontro com todos os pretendentes no cinema, na noite de estreia do filme. Muita gente se apaixonou pelo robô.

Fonte: Update or Die

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