A sambista no atoleiro: o retrato da imagem internacional do Brasil

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A The Economist do último dia 28 causou impacto nem tanto pelos dados e análises realizadas ao longo da reportagem de capa, bastante difíceis de se refutar, diga-se de passagem, mas sim por sua controversa capa, que acabou repercutindo por todo o globo. Apesar de a reportagem tratar exclusivamente da atual situação econômica interna do Brasil e, de forma rápida, suas repercussões nos investimentos no país, simbolicamente a caricatura que a ilustra representa a atual imagem internacional que temos demonstrado para o mundo.

A imagem gera desconforto a todos nós brasileiros, mas merece reflexão: é assim que estamos sendo vistos. E antes que comecemos a apontar os dedos à mídia internacional, talvez devêssemos aproveitar para pensarmos sobre como queremos ser vistos e o que mostramos para o mundo. Se é que sabemos as respostas para tais questionamentos.

Apesar de diferenças bastante significativas entre suas políticas externas, os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luís Inácio Lula da Silva foram essenciais para colocar o Brasil no mapa. Talvez tenhamos supervalorizado o papel do Brasil na ordem internacional nas últimas décadas, mas fato é que se tratava de um player convidado às mesas de negociações e com opiniões respeitadas.

A diplomacia presidencial eficiente realizada pelos dois ex presidentes, aliada à presença de ministros expressivos no Itamaraty, foi capaz de, ao lado do samba e futebol, iniciar a construção de uma imagem diferente de país (se era a imagem adequada, trata-se de outra discussão). A economia era estável e crescente. As instituições respeitadas e sólidas. A sociedade otimista. A política externa tentava defender o que considerava interesse nacional e buscava ocupar espaços importantes na ordem internacional.

Pois o projeto ruiu. A imagem se desintegrou, com a velocidade típica do novo milênio.

A presidente Dilma Roussef tem mostrado um verdadeiro descaso e desconhecimento com os assuntos internacionais. Nomeou ministros de pouca expressão para o Itamaraty e esvaziou completamente o ministério. Órgão de respeitabilidade internacional centenária, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro passa por uma de suas piores fases, não apenas por conta de seus escassos recursos que prejudicam até mesmo a manutenção básica das missões brasileiras no exterior, mas também pelo esvaziamento de funções na elaboração e condução das relações internacionais do Brasil.

O que restou da política externa brasileira mostra-se unicamente ideológica, desprezando importantes países e foros internacionais e executada muitas vezes em desrespeito aos princípios estabelecidos constitucionalmente (art. 4) e por longa prática diplomática do país. Nem mesmo o pragmatismo de anos anteriores, na defesa dos interesses nacionais, como a abertura de mercados consumidores e a manutenção de mercados já conquistados, tem sido observado na atuação internacional do atual governo.

Uma política externa ineficiente, aliada a um cenário econômico de recessão, não poderia gerar outra imagem senão a de uma sambista no atoleiro. O governo está sendo incapaz de apontar saídas e as perspectivas não permitem análises econômicas otimistas para o futuro, gerando um clima de instabilidade social, que se espalha pelas ruas do país.

A imagem da sambista no atoleiro deve servir de estímulo a um debate sério sobre qual imagem queremos passar para o restante do mundo. Sem negar o samba e o futebol, integrantes da cultura brasileira, podemos apresentar um país no qual as diferenças convivem em paz, que a economia é dinâmica e diversificada, que as instituições são sólidas e democráticas. Um país do qual possamos nos orgulhar ainda mais. Este, contudo, não tem sido o caminho escolhido. Quem culpar? Nós mesmos.

Fonte: Brasil Post

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