2015 na primeira marcha

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A pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), realizada pela CNC, refletiu em dezembro o cenário de desaquecimento do consumo que pode ser observado há algum tempo, e ainda mais intensamente nesse ano

ocfotosinadimplentes2Dadas as atuais condições de desempenho da atividade econômica no Brasil, é de se relevar a importância dos indicadores que refletem a confiança dos consumidores e dos empresários. Em um cenário como o atual, nos quais são constantes as percepções inseguras quanto ao futuro, as informações acerca dos índices de confiança das famílias e dos empresários tornam-se cada vez mais importantes.

A pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), realizada pela CNC, refletiu em dezembro o cenário de desaquecimento do consumo que pode ser observado há algum tempo, e ainda mais intensamente nesse ano. A pesquisa é um indicador antecedente que tem como objetivo estimar o potencial das vendas do comércio. O índice geral está no menor valor da série histórica, com 119,5 pontos, e registra queda anual em dezembro de 7,7%, a maior para o mês. Na abertura por renda, essa queda foi de 7,5% para as famílias com renda abaixo de dez salários mínimos e de 9% para as com renda acima desse valor. Os itens de Momento para duráveis e Perspectiva de consumo também mostraram os menores níveis de suas séries.

O Índice de Confiança dos Empresários do Comércio (Icec), pesquisa também da CNC, segue em ritmo semelhante e reflete a cautela dos empresários perante o cenário atual. O nível de confiança dos empresários do comércio fechou 2014 com um recuo de 13,4% na comparação com dezembro do ano anterior. Foi a maior baixa da série, iniciada em 2011. O índice refletiu o comportamento das vendas que encerrarão 2014 com o menor crescimento anual desde 2003.

Um novo patamar de taxa de câmbio, aliado à taxa de juros para o consumidor, que está no nível mais alto desde 2011, traz encarecimento do crédito e diminui a disposição para aquisição de duráveis. O elevado custo do crédito e o alto nível de endividamento ainda são os motivadores do desaquecimento na intenção de compras a prazo. As vendas a prazo na semana anterior ao Natal tiveram a primeira queda em cinco anos; caíram 0,7% em relação ao ano passado, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). O aperto monetário, iniciado no ano passado, continua impactando também as perspectivas dos empresários, conforme sinalizado pelo Icec. Para que elas se tornem positivas são necessárias melhores condições econômicas e novo ciclo de baixa de taxa de juros.

A inflação também afetou bastante o orçamento das famílias. Há alguns meses, o grupo de Alimentos e bebidas mostrava desaceleração no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), mas na última divulgação, referente a novembro, houve novo aumento da inflação, com destaque para nova elevação no preço dos alimentos, fato que já tinha ocorrido nos primeiros meses do ano passado. Além disso, os preços dos serviços também se mostram bastante pressionados. O aumento no nível de preço dos serviços tem beirado os 10% ao ano desde 2011 e o peso no IPCA está próximo de 30%.

Adicionalmente às questões da inflação e dos juros, temos também um cenário externo menos cômodo, a saber, pela problemática vivida pela Rússia e pela proximidade cada vez maior de uma subida nos juros norte-americanos. Soma-se a isso a piora das contas públicas e das externas, e crescimento enfraquecido da produtividade, o que limita ainda mais o espaço de manobra para a realização de ajustes.

As medidas fiscais sustentadas pela nova equipe econômica são de grande importância para reestabelecer um balanço saudável para as contas públicas. No entanto, é possível que haja aumento na carga tributária para redução do déficit, embora não seja a melhor alternativa. De acordo com análises divulgadas pela Receita Federal, a carga tributária brasileira alcançou 35,95% do PIB. Esse percentual representa a segunda maior carga tributária dentre os países latino-americanos e também é maior que a de 21 outros países membros da OCDE.

Já em relação ao reequilíbrio das contas externas, é de extrema importância a melhora da competitividade da indústria nacional para que as exportações aumentem. A queda no saldo comercial foi de grande relevância na elevação do déficit em conta corrente no balanço de pagamentos. O país é historicamente deficitário na balança de serviços e rendas e depende do saldo comercial para evitar o déficit, mas essa contribuição vem caindo no decorrer dos anos. Esse déficit deve finalizar o ano de 2014 próximo a 4% do PIB, ou seja, algo em torno de US$ 90 bilhões. E o investimento estrangeiro direto será insuficiente para cobri-lo.

As dificuldades que a indústria brasileira está vivendo também estão sendo refletidas no emprego industrial. Segundo a última divulgação do IBGE, referente a outubro, o emprego industrial cortou vagas pelo sétimo mês consecutivo e registrou uma queda 0,4% em relação à setembro. O nível de empregos no setor já é o segundo menor da série histórica da Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário iniciada em janeiro de 2001, superando somente o número de outubro de 2003.
Em 2015, não é esperada uma melhora nas perspectivas, já que não deve haver mudança em curto prazo no ritmo da inflação, juros ou mesmo melhora no mercado de trabalho e nas tantas outras questões levantadas. Portanto, é provável que pelo menos o primeiro semestre de 2015 continue desaquecido. A confiança das famílias e dos empresários está em baixa e o aumento depende que os ajustes anunciados sejam realizados e que o financiamento externo continue favorável.

Fonte: Brasil Econômico

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