Poesia Andalusí

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Poesia andalusi (1)

No ano 711 os árabes não só predominavam em todo Oriente Médio bem como ocuparam o norte da África. Sua primeira base foi Kairouan, antiga província romana da Ifriqiya, hoje conhecida como Tunísia. Foi desta cidade que a dinastia dos Omíadas, natural do Califado de Damasco partiu para a conquista da península Ibérica. Eles dominaram mais da metade do país que conhecemos hoje como Espanha e lá permaneceram por 800 anos. Apenas em 1492 os reis católicos Fernando e Isabel conseguiram a capitulação do reino de Granada, último bastião mouro.

Este episódio até hoje é comemorado como sendo o da Reconquista. Sem ironia o filósofo Ortega y Gasset afirmou que una reconquista que dura 800 anos es demasiado larga para ser llamada de Reconquista.

Al-Ándalus, cujo nome em árabe significa terra dos Vândalos foi a zona onde se fixaram os muçulmanos desde o princípio do século VIII até os últimos anos do século XV. Reparem que a Espanha de hoje, desde a época da reconquista só atravessou cinco séculos de existência.

Os oito séculos de existência de Al-Ándalus nos deixaram um legado cultural e científico comparável a um renascimento local, bastante anterior ao Renascimento Europeu.

Além da dinastia Omíada que durou até 1031, seguiram-se os Reinos das Taifas, dos Almorávidas e dos Násridas. Abderraman I fundou o Califado de Córdoba. Foi o início do cisma entre omíadas e abácidas que assumiram o Califado de Damasco. Em Al-Ándalus coexistiam pacificamente muçulmanos, judeus e cristãos.

Dentro do legado Andalusí, uma das maiores joias está na literatura e na poesia. O livro que recomendamos neste artigo nos traz a reprodução dos melhores poemas escritos nestes oito séculos. Devemos esta edição à Manuel Francisco Reina que contou com o trabalho de exímios tradutores do árabe para o espanhol.

Devido ao exíguo espaço desta coluna, selecionei dois autores de destaque da época Omíada, um homem e uma mulher.

Ibn Hazm (Cordova, 994 – Badajoz ou Huelva, 1064). El Collar de la Paloma (2)

Teólogo, filósofo e poeta andalusí produziu uma extensa obra. Destacamos os tratados Historia de las ideas religiosas, Del amor de los amantes e sua obra poética, um tratado de psicologia amorosa El Collar de la Paloma.

Duas Casidas extraidas Del Collar de la Paloma:

 1

Aunque el papel queméis,

No quemaréis lo que el papel encierra;

Que dentro de mi espíritu, a pesar de vosotros se conserva y conmigo camina

Adondequieres que mis pies me llevan.

2

Mi amor por ti no es efímero

Como el espejismo de otros amores,

sino diáfano y veraz; trazando

En mis entrañas su imagen, su letra.

En mi alma solo tú hallas aposento

Y para hechar al intruso la romperia.

Solo quiero tu querer,

No te pido más;

 logrado la tierra no será sino mota de polvo,

 y sua moradores, moscas.

 Wallada Bint al- Mustafki (3)

Wallâda Bint al- Mustakfî – é uma das poetisas e personagens mais interessantes, quase mítica da época andalusí do século XI. Era filha do califa Mamad III al-Mustakfî, que reinou apenas 17 meses. Já era o fim da dinastia Omíada e Mamad foi morto ao fugir de Cordoba disfarçado de mulher. Sua filha foi entregue à sorte, mas logo despontou como uma das maiores poetisas, compositoras e políticas de sua época, durante a guerra civil que acabaria com o Califado de Córdoba e daria origem ao período dos Reinos de Taifas. Wallàda era uma escritora prolífica e suplantou os poetas famosos de sua época. Foi apaixonada pelo também poeta Ibn Zaydûn e a ele dedicou grande parte de sua obra. Wallâda morreu em 1077.

1

Sobre el ombro derecho llevaba escrito este verso:

Estoy hecha por Dios, para la gloria,

Y caminho, orgullosa, por mi próprio caminho.

Y sobre el izquierdo:

Doy poder a mi amante sobre mi mejilla

Y mis besos ofrezco a quien los desea.

2

Cuando caiga la tarde, espera mi visita,

Pues veo que la noche es quien mejor encubre los secretos;

Siento um amor por tí qui si los astros lo sintiesen

no brillaria el sol,

ni la aluna saldria, y las estrelas

no empedrarían su viaje noturno.

Ao final deste artigo não poderia deixar de consignar minha admiração pela Professora Estefanía Bernabé Sánchez, curadora do Instituto Cervantes e que me mostrou o caminho para desvendar a história da Poesia Medieval Andalusí.

Clique aqui para escutar musica andalusí composta por Wallada Bint al- Mustafki:

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