Sobre a China

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Henry Kissinger já havia demonstrado suas qualidades de narrador extraordinário em seu livro Diplomacia. Nele, o experiente Secretário de Estado americano nos oferece um dos mais importantes estudos já publicados sobre a história internacional dos últimos séculos. Sua obra tem início no ano de 1624 com Richelieu, pai do sistema moderno de estado e vem até Gorbachev.

Seu novo livro, Sobre a China (Editora Objetiva, 556 páginas), é extraordinário e incomum. Baseado em mais de 50 viagens que fez aquele país bem como lançando mão de relatos históricos e de suas conversas com os principais líderes chineses nos últimos 40 anos, o autor aborda os estilos de diplomacia, estratégia e negociação ao longo da história do povo chinês.

Livro de leitura obrigatória para diplomatas, políticos e empresários que desejam estabelecer laços econômicos e culturais com a China, o livro de Kissinger nos faz abrir os olhos sobre a realidade e a maneira de pensar dos habitantes deste país.

Comecemos sobre a religião: enquanto o Budismo surgiu na cultura indiana e o monoteísmo era proclamado pelos profetas judeus – e mais tarde, cristãos e islâmicos – evocando-se a vida após a morte, a China nunca produziu temática religiosa no sentido ocidental.

Os valores predominantes na sociedade chinesa derivaram dos ensinamentos de um antigo filósofo conhecido pela posteridade como Confúcio (551-479 a.C.). Ele se preocupava com o cultivo da harmonia social ao invés das maquinações do poder.

Quando a China foi unificada sob a dinastia Han (206 a.C. – 220 d.C.) o pensamento confucionista foi adotado como filosofia oficial do estado.

Os aforismos de Confúcio foram compilados numa coleção chamada Analectos e o domínio desses textos passou a ser a principal qualificação para o serviço público. Confúcio pregava sobre hierarquia social: o dever fundamental era Conhece teu lugar.

Olhando a China de hoje, podemos afirmar que os pensamentos de Confúcio sobreviveram aos de Mao.

Kissinger, em sua obra, nos mostra que os chineses nunca tiveram pensamento expansionista, ao contrário do espírito colonizador que norteou os principais países europeus.

Existe um importante capítulo sobre a famosa Guerra do Ópio, onde aprendemos que a execrada droga foi introduzida na China, pelos britânicos.

Os chineses possuíam, 150 anos antes do nascimento da Invencível Armada Espanhola, uma frota cem vezes maior de navios que se dedicavam apenas ao comercio internacional.

O início do século XX nos mostra uma China em declínio, que seria sacudida pela revolução contínua de Mao Zedong.

Além deste episódio, Kissinger disseca a Guerra na Coréia e o confronto com as duas superpotências culminando com a cisão sino-soviética.

Os fatos se precipitam com a queda de Mao e Zhou Enlai e a chegada ao poder de Deng Xiaoping, homem que iria transformar o gigante na potência em que se transformou ao final do século XX.

Kissinger aborda o novo milênio, sem deixar de analisar a revolta em Tiananmen.

O autor apresenta suas considerações ao encerrar a apresentação de seu livro:

Nem sempre concordei com a perspectiva chinesa, assim como nem todo leitor vai concordar. Mas é necessário compreende-la, uma vez que a China vai desempenhar esse papel tão importante no mundo que está emergindo no século XXI.

Não posso deixar de agradecer ao médico e amigo, Dr. Adamastor Humberto Pereira a indicação desta obra, que fez com que eu mudasse meus conceitos de homem ocidental sobre o povo chinês.

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