O inverno de Madeleine Albright

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Aos 59 anos de idade, Madeleine Albright foi convidada pelo governo Clinton a assumir a Secretaria de Estado. É o mais alto cargo governamental atingido por uma mulher na história dos Estados Unidos e Madeleine foi a primeira a sentar na cadeira que fora ocupada por estadistas do porte de Thomas Jefferson, John Quincy Adams, Dean Acheson e Henry Kissinger. A escolha do Presidente Clinton foi unanimemente confirmada pelo Senado norte-americano.

Antes desta posição ela ocupara o cargo de membro do Conselho de Segurança Nacional e Embaixadora dos Estados Unidos junto à ONU.

Neste período ocorria a queda do Muro de Berlim e a consequente libertação de diversos países da Europa Central. O nome de Madeleine Albright passou a ser manchete na mídia internacional. De origem tcheca, a Secretaria passou a receber dezenas de mensagens de antigos familiares e de pessoas que haviam convivido com seus pais em sua terra natal. Poucas destas cartas chegaram em suas mãos, já que a maioria havia sido filtrada por seus assessores.

Madeleine foi criada como católica e converteu-se à Igreja Episcopal quando de seu casamento. Antes que ela e seus irmãos se dedicassem a explorar as mensagens que vinham de Praga, Michael Dobbs, repórter do Washington Post revelou notícias que surpreenderam a Secretária de Estado e seus familiares. As pesquisas do jornalista informavam que Madeleine Albright era judia e três de seus avós haviam morrido durante o Holocausto.

Em fevereiro de 1997, Kathy e John, irmãos de Madeleine visitaram a República Tcheca e confirmaram os acertos da pesquisa do Post. Familiares foram descobertos. No verão daquele ano Madeleine viajou a Praga e emocionou-se ao descobrir, gravados nas paredes da Sinagoga Pinkas, os nomes de seus familiares, junto ao de 80 mil famílias que pereceram no Holocausto.

Decidida a mergulhar mais fundo na história de sua família, Madeleine começou por estudar as origens e parentesco de seus pais o que resultou no fascinante livro Inverno de Praga – Uma história pessoal de recordação e guerra, 1937-1948 (Editora Objetiva).

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Sua obra não se trata de uma autobiografia, mas abrange desde as origens de seu país, onde o capítulo Lendas da Boêmia resgata passagens e personagens históricos, partindo do patriarca Cech e sua neta Libuse, fundadores da nação tcheca, as diferentes etnias que lá viveram – celtas, germânicos, romanos, a dinastia dos Premislidas, a fundação de Praga e o primeiro grande governante da nação, o rei Venceslau.

Destaque especial para o rei Carlos que construiu a Universidade de Praga e a tradicional ponte que leva seu nome, hoje um dos maiores sítios de atração turística da capital tcheca. Jan Hus e Jan Zizka foram os últimos grandes heróis do país, até o momento em que ele passou para o domínio dos Habsburgos. Foi o início do grande Império Austro-Húngaro que iria durar mais de 400 anos.

O nacionalismo tcheco começou a crescer na segunda metade do século XIX e teve como seu maior idealista Tomás Masaryk. Este homem, produto da Era Vitoriana lutou incansavelmente pela independência de seu país. Ao final da I Grande Guerra, aproveitando o esfacelamento do Império dos Habsburgos, Masaryk anunciou no dia 28 de outubro de 1918 a independência do novo Estado Tcheco e tornou-se seu primeiro presidente.

Após a introdução histórica, o livro de Madeleine Albright concentra sua narrativa no período em que Hitler trama a conquista da Tcheco Eslováquia, conseguida através do infame Pacto de Munich, dando ênfase ao que ocorreu em seu país após a invasão nazista e os fatos relevantes durante a II Guerra Mundial, não só no Protetorado da Boêmia, como na Inglaterra, país onde ela passou parte de sua infância.

A autora aborda a Batalha da Inglaterra, a destruição quase total das comunidades judaicas europeias, o massacre de Lídice, a vitória dos aliados na II Guerra Mundial, culminando pela ascensão do comunismo e o início da Guerra Fria. Os tchecos usufruíram apenas 19 anos como nação independente. Em 1937 passaram a ser dominados pela Alemanha e terminada a guerra transformaram-se em país satélite da U.R.S.S. Em 31 de dezembro de 1992, os Tchecos se separam dos eslovacos e foi proclamada a República Tcheca.

Inverno de Praga é um livro absorvente e de fácil leitura. Recomendo.

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