Mais turbulência? Crises pós-Copa do Mundo são mais normais do que se imagina

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Com tristes coincidências desde a primeira copa em 1930, pesquisador alerta: “baseado em episódios passados, devemos começar a olhar para as bolhas”.

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A Copa do Mundo está cada vez mais perto de começar e, junto com ela, os ânimos de torcedores das mais diversas seleções aumenta. O evento esportivo mais acompanhado do planeta pode também deixar sequelas doídas no mercado. É o que aponta reportagem feita pela CNBC e pelo jornal The Guardian. Conforme aponta o economista Dario Perkins, da Lombard Street Research, há uma coincidência entre os contratempos do mercado e o maior evento futebolístico do mundo. A competição, por exemplo, teve início em 1930, o primeiro ano completo da Grande Depressão. Mais recentemente, coincidiu com a recessão dos Estados Unidos em 1990 e um colapso do mercado de títulos, que começou em terra norte-americana e se espalhou em todos os mercados desenvolvidos em 1994. Somam-se a isso a crise financeira asiática e o colapso do hedge fund sediado em Connecticut chamado Long Term Capital Management (LTCM) em 1998, além do crash do mercado imobiliário dos Estados Unidos em 2006 e do início da crise da Zona do Euro em 2010. Isto sem contar a crise no mercado de títulos em 1994 e em 1998, após a moratória da Rússia naquele último ano e que também afetou o Brasil. “As coincidências me fizeram pensar. O que poderia dar errado desta vez? Baseado em episódios passados, devemos começar a olhar para as bolhas”, disse Perkins à CNBC.

Evidências de risco pós-Copa

E uma dessas potenciais bolhas é o Abenomics, nome dado para o plano de recuperação econômica feito pelo primeiro ministro japonês Shinzo Abe. “O afrouxamento monetário agressivo no Japão provocou uma grande valorização do Nikkei e uma queda na cotação do iene, na expectativa de que as autoridades japonesas poderiam acabar com a deflação e levar a um trajeto mais positivo para o crescimento no médio prazo. Mas estas políticas podem estar perdendo força”, aponta. Outro fator de preocupação é a lenta recuperação econômica dos Estados Unidos, ressaltando que as dúvidas permanecem sobre se a recuperação ganhará força. Perkins acredita que sim, mas ainda vê resistência do mercado imobiliário. “Poderíamos ficar com uma economia estagnada e uma sensação de vertigem nos mercados de ações”, acrescentou.

Por último, mas não menos importante, está a posição um pouco mais precária da China, com a desaceleração persistente da economia e problemas no setor financeiro. Dificuldades também cercam o setor imobiliário, um dos pilares da segunda maior economia do mundo, com os preços dos imóveis caindo acentuadamente em algumas regiões como resultado do excesso de oferta. E estes são apenas os riscos que se podem identificar, aponta Perkins, havendo também os desconhecidos. “Por exemplo, ninguém sabe realmente o que vai acontecer na Ucrânia”, disse ele, avaliando que há muitos desfechos em potencial e que, mesmo se não haja uma 3ª Guerra Mundial, as consequências podem ser negativas. “O sistema financeiro global pode ser mais frágil do que gostaríamos de acreditar”, avalia.

Casos para “tranquilizar” o mercado

Porém, deve-se notar que a correlação não é exatamente perfeita. A “bolha ponto com” acabou no momento em que a Copa do Mundo foi realizada no Japão em 2002 e a forte queda do mercado de ações de 1987 aconteceu um ano depois do torneio organizado pelo México em 1986 e vencido pela Argentina. Mesmo assim, os paralelos estão perto o suficiente para refletir sobre o que poderia dar errado em 2014. No momento, isso não é visto como remotamente possível. Os mercados de ações estão em alta; os rendimentos de títulos estão baixos, enquanto a falta de volatilidade sugere que não há riscos muito grandes por vir. Mas é quando os agentes do mercado estão despreocupados com o futuro que as coisas podem dar errado, aponta o economista.

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Fonte: Infomoney

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