Folhetim Brasil Capítulo 9 – A Política Começa a Esquentar

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folhetim 9 A temporada dos 5 Maurícios em Porto Alegre foi bem animada. Os paulistanos visitaram todas as casas noturnas da moda na Capital Gaúcha e adotaram como QG a Rua da Fama.

– Meu, isso é melhor do que a Vila Madalena.

– Falou Xará. E o que vai rolar hoje?

– Sei lá, que tal começarmos a noite de bobeira nesse barzinho e ver no que dá?

– Legal, mas e a nossa caça aos baderneiros?

– Sem essa, nós viemos para cá e eles se esconderam. Vai ver que esses Black Blocs se assustaram com a nossa chegada. Fazer o que se eles são covardes? Vamos dar mais um tempo aqui em Porto Alegre para garantir a paz local.

Na televisão localizada no canto do bar, Mauricélio assistia calado às notícias sobre novas ondas de protestos em São Paulo e Rio de Janeiro. Resolveu ficar calado para aproveitar o momento junto com os amigos.

No comitê eleitoral clandestino do PSSB – já que as campanhas eleitorais ainda não podem ser oficializada – os principais assessores do Dadinho estavam em polvorosa. Nas pesquisas o candidato ainda não tinha deslanchado. O pior de tudo é que o líder dos sonhos da turma estava sendo chamado de “genérico” do Seu Alício.

Já no comitê eleitoral clandestino do PSDD os mais próximos de Seu Alício misturavam euforia com certo temor. A consistente melhoria de posicionamento do candidato nas pesquisas contrastava com as maledicências sobre o pobrezinho do Dadinho. Aquela história de ser chamado de genérico certamente mexeria com os brios do simpático líder, o que  poderia acabar com um pacto de não agressão e possível aliança para o segundo turno. O momento estava delicado.

Finalmente, no comitê eleitoral clandestino do PPT os militantes de Dona Delma – a despeito da queda nas pesquisas – comemoravam os efeitos da fofoca plantada a partir da internet. A ideia do “genérico” serviu para embolar o meio de campo dos concorrentes e isso favoreceria a candidata. Os reis do marketing político haviam conseguido novamente. Isso redobrava o ânimo para preparar novas e criativas apresentações … para desespero dos tribunais eleitorais.

Ao mesmo tempo, nos três comitês clandestinos, apareceram baixinhos trajando igualmente boné azul, camiseta branca, sandália e cigarro descansando no ouvido, falando, coincidentemente,  a mesma coisa.

– Pessoal, as escutas estão prontas. Hora do teste!

Ao apertarem os botões que ligavam os microfones ocultos dos comitês rivais, em alguns segundos as salas foram invadidas por incrível eco com microfonia que espantou a todos.

Os três baixinhos entenderam rapidinho o que se passava e melhor do que explicar, preferiram – cada qual em sua clientela – darem no pé.

 

Francisnóico estava aproveitando um dia feliz. Afinal, o juiz havia recém cancelado a licença de trabalho de José Lopes que voltara a ficar tempo integral no reformatório.

– Adeus Bingo clandestino; adeus cheiro de cigarro!

Agora ele novamente era um Guardião completamente limpo. Será?

– Seu Francisnóico, bom dia. Aqui é o João da portaria. Não sei como lhe dizer, mas todos os hóspedes foram embora do hotel.

– Como? Isso não é possível.

– Foi sim chefe. Isso aconteceu logo depois de a viatura levar aquele encanador estranho.

O hoteleiro engoliu em seco. Não tinha alternativa a não ser telefonar para Bernardo.

– Alô, Seu Bernardo, aqui é Francisnóico do hotel.

– Bom dia Francisnóico. Está feliz hoje, não é? Conseguir se livrar de mim.

– Na verdade estou com um problema. Todos os hóspedes foram embora e a carteira de reservas está à zero.

– Viu no que dá cuspir no prato que o alimenta? Agora se vira cara.

– Mas isso não é justo. Eu cumpri com a minha parte e foi o enviado de vocês que bagunçou o meu negócio e…

– Está querendo nova negociação? É isso?

– Não, eu só estou ponderando que…

– Tenho mais o que fazer do que ouvir suas ponderações. Boa sorte nos negócios. Tchau!

– Espere, não desligue, deixe-me falar uma coisa antes. É que…

– Está querendo nova negociação?

Engolindo em seco e sem saída, Francisnóico responde:

– Sim, está bem. Quero nova negociação.

– Então faça o seguinte. Aumente agora as diárias do hotel em 50%. Separe 20% do faturamento e semanalmente vai passar um amigo meu para pegar o valor em dinheiro aí com você.

– Eu não posso fazer isso.

– Se não pode, não temos nada mais para conversar. Boa sorte!

– Espere, está bem. Eu aceito os termos.

– Fechado!

Desligado o telefone, Francisnóico desatou a chorar como criança. Minutos depois o João da portaria liga novamente.

– Chefe, você não vai acreditar. Os todos os hóspedes voltaram. Estranho né?

O hoteleiro redobrou o choro. Tinha a certeza de que aquilo não acabaria bem. A ideia do suicídio começou a lhe invadir a cabeça.

 

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Autor: Eduardo Starosta – Economista –

Folhetim Brasil retrata o dia-a-dia da vida de alguns personagens (alguns inspirados em gente de verdade) em 2014, tangenciando os principais fatos de nosso país. Pode-se falar em algo próximo a um diário histórico com fantasia.

Originalmente, a primeira edição de Folhetim Brasil foi publicado pela Revista Digital em 2007. Agora, em 2014 estamos iniciando nova aventura em capítulos semanais, de forma a ficção acompanhar e se associar à realidade nacional no momento em que escândalos, eventos e notícias são deglutidos pela opinião pública.

O que acontecerá nos próximos capítulos? Isso ninguém, nem o próprio autor, sabe. Tudo dependerá do que acontecer nesse nosso país a cada semana. Com eleições e o mosaico da politica nacional podemos esperar qualquer coisa, menos monotonia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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