Eichmann em Jerusalém

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 Imagem1O recente filme sobre a vida de Hannah Arendt enfocou em detalhes a polêmica causada por suas reportagens na revista New Yorker, após cobrir, em Jerusalém o rumoroso julgamento de Adolf Eichmann um dos maiores responsáveis pelo Holocausto.

Os olhos da filósofa esquivaram-se à paixão reinante durante o processo e ela descreveu o réu em toda sua mediocridade: um arrivista de pouco inteligência, uma nulidade pronta a obedecer a qualquer ordem de seus superiores. O retrato que Arendt descreveu sobre a banalidade do mal lhe valeu as mais duras críticas, inclusive de membros da comunidade judaica. As reportagens da filósofa acabaram sendo reunidas no livro Eichmann em Jerusalém, onde o leitor irá encontrar o que há de melhor em jornalismo político mesclado brilhantemente com reflexões filosóficas.

Com esta abertura, gostaríamos de incitar o leitor a conhecer os membros que tornaram possível colocar Adolf Eichmann no banco dos réus em um tribunal de Jerusalém. Creio que poucos ouviram falar de Isser Harel, Zvi Tohar, Yosef Klein, Zvi Aharoni, Rafi Eitan e Tuviah Friedman. Este anônimo grupo, formado por funcionários da El Al, do Mossad, do Shin Bet e do escritório de Simon Wiesenthal tomaram parte numa caçada que durou 15 anos, iniciando-se na Europa pós guerra e culminando na Argentina onde Eichmann vivia com sua família.

No dia 11 de maio de 1960, a equipe do Mossad, chefiada por Zvi Aharoni capturou Eichmann próximo à sua residência, na rua Garibaldi, situada num modesto bairro de operários da periferia de Buenos Aires. O carrasco que montou a Solução Final para o Problema Judaico junto com Reinhard Heydrich acabava de chegar de seu emprego na firma Mercedes-Benz, onde usava o nome falso de Ricardo Klement.

A operação para aprisionar Eichmann e tirá-lo da Argentina foi possível graças à colaboração de Mordechai Ben-Ari, vice-diretor da El Al que cedeu o avião Britannia 4X-AGD, comandado por Zvi Tohar. A companhia aérea israelense nunca havia voado para a Argentina. O voo foi anunciado como uma viagem especial e de relações públicas. Nele viajariam integrantes do Ministério do Exterior Israelense para  Buenos Aires, a fim de prestigiar os festejos do dia da Independência da Argentina.

O avião partiu de Tel Aviv no dia 11 de maio e fez uma escala no Recife. Os desagradáveis incidentes entre as autoridades do aeroporto e a equipe da El Al fizeram com que o comandante Tohar se recusasse a fazer nova escala em território brasileiro quando do retorno. O Britannia teve que executar uma delicada operação para voar sem escalas de Buenos Aire até Dacar.

Às 6h55 de domingo, 22 de maio, Zvi Tohar baixou o trem de aterrissagem e, 15 minutos depois, as rodas do avião da El Al tocaram o solo de Israel com sua misteriosa carga.

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Caso os leitores se interessem em se aprofundar nos episódios que envolveram os 15 anos de busca a um dos principais ausentes no Tribunal de Nurenberg, recomendamos a leitura do livro Caçando Eichmann de Neal Bascomb. (Editora Objetiva).

Para revelar a história completa da caçada a um dos responsáveis pelo Holocausto, Bascomb investigou ex-soldados nazistas e extremistas de direita em Buenos Aires, viajou a Israel para se encontrar secretamente com agentes do Mossad e entrevistou tripulantes do voo histórico da El Al entre Buenos Aires e Tel Aviv.

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