Ópera e a Mitologia Grega

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Imagem1 A análise dos principais títulos e enredos de óperas apresentadas, desde os seus primórdios, demonstra que a mitologia grega foi a principal fonte de inspiração de dezenas de libretistas e compositores.

A história da música registra o dia seis de outubro de 1600, como data da encenação da primeira ópera, na cidade de Florença. O espetáculo fez parte dos festejos das bodas de Henrique IV com Maria de Médicis. A ópera Eurídice teve seu enredo posto em versos por Ottavio Rinucinni e o acompanhamento musical foi composto por Jacopo Peri.

Anos mais tarde, Cláudio Monteverdi iria aprimorar o conceito operístico, dando-lhe maior expressão musical. Suas principais óperas foram A lenda de Orfeu, Il Ritorno d’Ulisse in Pátria e L’incoronazione di Poppea. Enquanto as duas primeiras obras tem seus textos inspirados na mitologia grega, a última trata de um episódio da história romana, envolvendo o Imperador Nero, sua amante Popéia, a Imperatriz Otávia e o filósofo Sêneca.

Seguindo as pegadas e a tradição estabelecida por Monteverdi, os compositores e libretistas que o sucederam continuaram a investir em temas da mitologia grega.

Jean Baptiste Lully escreveu Alceste e Marc-Antoine Charpentier deu-nos Medéia.

A partir da segunda metade do século XVIII as platéias assistem Castor e Polux, de Rameau, Semele, de Haendel e Tito Manlio, de Vivaldi.

Em 1762, estréia em Viena Orfeu e Eurídice, de Christoph Willibald Gluck. Este compositor foi o responsável por uma nova e importante reforma na estrutura da ópera influenciando radicalmente as novas gerações de compositores. Mesmo com essas profundas mudanças, o uso de temas mitológicos continuou a prevalecer.

Gluck irá escrever Ifigênia em Áulide e Ifigênia em Táuride, dois grandes sucessos. Estas óperas tiveram sua estréia em Paris, em 1774 e 1779.

Ifigênia é uma das criaturas mais patéticas da mitologia grega. Filha mais moça do rei Agamenon e Clitemnestra, ela é imolada por ordem do próprio pai.

O sacrifício foi feito em honra à deusa Artemis, para que esta propiciasse os bons ventos necessários a impulsionar a frota grega, desde a ilha de Áulide até as praias troianas. Terminada a guerra de Tróia, Clitemnestra manda assassinar Agamenon para vingar-se da morte da filha.

Decorridos mais de 100 anos, já no século XX, o compositor Richard Strauss irá escrever a ópera Elektra, um de seus maiores sucessos. O libretista Hugo von Hofmannstahl foi buscar na mitologia a história trágica de Elektra, irmã de Ifigênia que deseja vingar-se da mãe Clitemnestra e de seu amante Egisto, responsáveis pelo assassinato de Agamenon.

Nem Haydn, nem Mozart escaparam da magia dos mitos e da tragédia grega. O primeiro, apresentou no Palácio de Esterháza, em 25 de fevereiro de 1781, La fedeltá premiata, ópera classificada de comédia pastoral, cujos personagens são ninfas e pastores que vivem nas cercanias do templo de Diana, a caçadora.

Aos 17 anos, Mozart compôs Lucio Silla – história de um ditador romano – cuja estréia ocorreu no Teatro Régio Ducal de Milão em 26 de dezembro de 1772. O abade Varesco foi buscar inspiração nos personagens da guerra de Tróia, para escrever o libreto de Idomeneu, rei de Creta, transformado em ópera por Mozart. No século XVIII Richard Wagner iria buscar na mitologia germânica e nas lendas medievais as fontes para escrever sua obra.

Na segunda metade do século XIX, o estilo realista, introduzido pelos compositores veristas, iria relegar a um segundo plano os temas baseados em mitos, sagas e lendas.

Isso não impediu que Stravinski, em pleno século XX, no auge do modernismo, lançasse uma ópera-oratório baseada na mitologia grega. O texto, baseado em Sófocles foi escrito por Jean Cocteau e vertido para o latim. Assim nascia Oedipus Rex (Édipo rei) cuja estréias ocorreu em 1927, no Teatro Sarah Bernhardt de Paris, sob a regência do próprio Stravinski.

Um dos legados mais curiosos no terreno da música lírica, pertence ao compositor Darius Milhaud (1892-1975). Ele escreveu as Óperas-Minutos. São três óperas em miniatura. Cada uma delas tem um ato com a duração de oito minutos. As obras são de fundo satírico, baseadas em importantes temas da mitologia grega: O rapto de Europa, O abandono de Ariadne e A libertação de Teseu.

Das poucas óperas compostas na segunda metade do século XX, vamos encontrar Troilus e Cressida, de William Walton e Ulisse, de Luigi Dallapiccola. Os mitos gregos e o tema da guerra de Tróia voltam a fazer parte da cena lírica como na época de Monteverdi.

Clique aqui para escutar a abertura de Ifigenia em Aulide, sob a regência de Wilhelm Furtwangler

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