Aaron Copland

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No terreno da música os americanos produziram muito pouco em relação aos feitos atingidos no campo literário. Apesar de terem hospedado gênios como Dvorak, Mahler, Stravinsky, Bartók, Schoenberg, Korngold, Toscanini e Hindemith, a produção musical americana não teve grandes expoentes. Citamos como os de maior destaque Edward Mac Dowell, Virgil Thomson, Samuel Barber e George Gershwin, tendo este último alcançado maior sucesso no gênero jazz.

Sem dúvida alguma, o músico americano mais conhecido na Europa, e um dos mais interpretados é Aaron Copland.

Quinto filho de Harris e Sarah Copland (originalmente Kaplan), Aaron fazia parte de uma família de imigrantes judeus da Lituânia que se estabeleceu em Crown Heights, no Brooklin. Os Coplands tinham uma pequena loja de departamentos e viviam no piso superior. Aaron nasceu no dia 14 de novembro de 1900 e foi criado escutando música tocada ao piano por sua mãe.

A irmã mais velha Laurine era uma amante da ópera e foi a primeira professora de piano de Aaron. Depois de seis meses, esgotados todos seus conhecimentos, ela já fora suplantada pelo irmão. Convencida do talento do filho, seus pais o matricularam em um curso de composição avançada e teoria musical em Manhattan.

Para reforçar seu orçamento Copland tocava piano com pequenas orquestras do Brooklin, mas nunca considerou seriamente dedicar-se à música popular como o seu contemporâneo George Gershwin. Em 1921 Copland viajou para a França para estudar música moderna, à época desprezada pela maioria dos conservatórios americanos. Em Paris ele estudou com Nadia Boulanger que lhe ensinou não só o tradicional contraponto de Bach, bem como as modernas inovações de Ravel e Stravinsky. Copland retornou para os Estados Unidos em 1925 disposto a dedicar-se à vida de compositor.

Homem de hábitos frugais, ele atravessou os primeiros anos da grande depressão, vivendo na casa de amigos ou morando em quartos alugados. Aceitava sua homossexualidade sem culpas ou auto rejeição. Vivia em paz consigo mesmo, o que lhe permitia viver em paz com o mundo.

A indústria cinematográfica foi a primeira a abrir caminho para seus trabalhos. Sua primeira partitura musical foi escrita para o filme The City, um premiado documentário que abordava temas urbanos. Seu próximo trabalho foi escrever a trilha sonora de Of Mice and Men, filme de 1937, baseado num livro do aclamado John Steinbeck. Este trabalho rendeu a Copland duas indicações para o Oscar.

Com este sucesso ele passou a receber US$ 15.000,00 por partitura. Seus próximos trabalhos foram trilhas para os filmes Our Town, The North Star e Red Pony. A consagração de Copland veio com a composição da música utilizada no filme The Heiress (1948), dirigido por William Wyler.

O músico também passou a dedicar-se a compor música para balé. Seu primeiro sucesso foi o balé Billy the Kid, que retratava a vida do famoso fora da lei. Durante a II Guerra Mundial a coreógrafa Agnes de Miller encomendou à Copland a música para um novo balé chamado Rodeo.

Martha Graham, uma das precursoras da dança moderna, solicitou que o autor escrevesse a partitura para uma nova coreografia por ela desenvolvida. Apesar de receber apenas US$ 500,00 pelo trabalho, o compositor aceitou a tarefa. O balé de Martha passou por inúmeras modificações. O que deveria ser um tema abordando a grega Medéia acabou se transformando num conto acerca do casamento de agricultores no interior da Pensilvânia. A coreógrafa batizou a música e o espetáculo cênico de Appalachian Spring. Esta é considerada até os dias de hoje a mais famosa composição de Aaron Copland.Imagem2

Logo após o bombardeio de Pearl Harbor, o maestro André Kostelanetz encomendou uma obra orquestral que representasse uma galeria de retratos musicais de grandes americanos. Copland compôs Lincoln Portrait, uma solene e arrebatadora peça com narrativa de excertos dos principais discursos de Lincoln. Merece destaque a obra Fanfare for the Common Man, dedicada aos milhares de trabalhadores que deram suporte à produção durante o período da guerra, bem como os anônimos soldados que ofereceram sua vida pela pátria.

Apesar do enorme sucesso destes dois trabalhos patrióticos, Copland foi colocado na lista dos 50 mais importantes comunistas do país. Em abril de 1953 ele teve que depor perante a comissão do Congresso presidida pelo Senador Joseph McCarthy. Aaron Copland, dentro de sua humildade e sociabilidade acabou cativando os políticos e nunca mais foi chamado a depor. Mesmo assim ele foi monitorado pelo F.B.I. até 1955.

Em meados da década de 1970, o compositor começou a apresentar os primeiros sintomas do Mal de Alzheimer. A partir de 1980, já sem o domínio da razão foi internado em uma clínica, aonde veio a falecer de pneumonia no dia dois de dezembro de 1990, poucas semanas antes de completar seu 90º aniversário.

Clique aqui para assistir Fanfarra para um homem comum com a Orquestra Filarmônica de New York, sob a regência de James Levine:

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