Salieri e Schubert

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Antonio Salieri foi introduzido no mundo musical de Viena por Franz Gassmann, Hofkapellmeister da corte, época em que Josef II então com 24 anos assumira o trono do Sacro Império. Sua mãe, a autoritária imperatriz Maria Teresa mantinha de fato o controle de todos os assuntos importantes do governo. Coube ao novo imperador dedicar-se à área artística, o que proporcionou uma fase áurea para o mundo musical vienense.

O jovem Salieri aperfeiçoou seus estudos musicais com o próprio Gassmann e com Christoph Gluck, diretor da Ópera Imperial.

Em poucos anos o compositor italiano era o responsável pela produção de óperas a la italiana, sendo seu primeiro sucesso Le donne letterate, estreada em 1770 no Burgtheater de Viena.

Salieri foi contratado pelo imperador como um dos compositores oficiais da corte, além de assumir as tarefas de pedagogia musical e musicologia. Seus relacionamentos eram de fazer inveja a qualquer músico. Salieri lecionou composição para Wolfgang Mozart, conviveu com Ludwig van Beethoven, novo discípulo de seu amigo Joseph Haydn e a partir de 1780 passou a ser o compositor mais popular dos teatros e salas de concertos europeus.

Com a morte de Gassmann, Salieri foi promovido pelo imperador ao ambicionado cargo de Hofkapellmeister, ou seja, diretor geral de todos os diretores musicais ligados à corte de Viena.

Ao terminar seus estudos, Beethoven retornou para a Alemanha devido à morte de sua mãe. Salieri queria que o promissor músico de Bonn retornasse à Viena e solicitou a Joseph Haydn que intercedesse junto ao seu antigo discípulo. Para garantir seu retorno, foi-lhe oferecido através do conde Ferdinand Waldstein um emprego de professor de piano, que lhe garantiria o sustento. Devemos a Antonio Salieri a presença de Beethoven no cenário vienense, até sua morte.

Haydn morreu em 1809, fato que abalou profundamente o compositor italiano. Foi nesta ocasião que o organista da corte, Wenzel Ruzicka lhe apresentou um cantor do coro da capela imperial, o jovem Franz Schubert. Este era filho de uma modesta família do vilarejo de Himmelpfortgrund e ganhara uma bolsa de estudos para a escola de música de plebeus.

Salieri decide conceder uma audição ao jovem Schubert e seu agudo instinto musical lhe demonstra estar frente a um músico genial. Na mesma semana o próprio Salieri começa a dar-lhe aulas de Harmonia e Composição. Em poucas semanas, o tímido Schubert concorda em mostrar ao professor, músicas que ele já havia composto. Tratava-se de uma interessante Fantasia para dueto de Piano e de algumas passagens da ópera inacabada Der Spiegelritter (O Cavaleiro do Espelho). A música de Schubert apontava caminhos diferentes das óperas de Gluck, Mozart e do próprio Salieri.

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 O jovem Franz Schubert

Com a chegada da puberdade, Schubert foi obrigado a abandonar o coral, mas Salieri estava interessado no aluno talentoso que, aos 15 anos buscava dotar de originalidade suas composições. Devido a isto continuou a dar-lhe aulas, de maneira privada. O compositor já estava com 62 anos e graças à sua hábil intuição musical e grande experiência, pressentiu que devia investir no aluno, a fim de que a música continuasse avançando. A portentosa criação de Mozart e Beethoven havia superado as alturas do que hoje chamamos período clássico e não havia novos cenários no horizonte.

Sua grande esperança era a música de Schubert, que se ajustava à tradição clássica, por ele dominada, mas apresentava momentos de élan diferente, de técnica inovadora e comovente suavidade.

Schubert permaneceu como aluno de Salieri até 1815. Devido à escassez de recursos foi obrigado a exercer funções de professor escolar, mas persistiu a criar novas obras musicais durante a noite.

Compôs uma infinidade de canções típicas do espírito alemão e austríaco e alcançou o êxito definitivo ao estrear a ópera Die Zauberharfe (A Harpa Mágica), em 1820.

Ao escutar a sugestiva abertura denominada Rosamunde, Salieri compreendeu que o jovem Franz acabara de estender uma ponte até uma nova forma de expressão musical, o Romantismo.

Clique aqui e assista a Abertura Rosamunde com a Filarmônica de Viena sob regência de Mutti

Clique aqui e assista o 3º movimento do Quinteto A Truta de Franz Schubert

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