Indústria brasileira amplia percentual da receita investido em P&D

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Setores de alta intensidade tecnológica como indústria aeroespacial, farmacêutica, eletrônica, de informática e telecomunicações foram os que mais aportaram recursos entre 2008 e 2011.

55A indústria brasileira dedicou, entre 2008 e 2011, uma fatia maior da receita líquida obtida com vendas para os investimentos na área de pesquisa e desenvolvimento. Apesar disso, no mesmo período, o percentual desse tipo de investimento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) ficou praticamente estável, segundo nota técnica divulgada recentemente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O estudo tem por base dados da Pesquisa de Inovação (Pintec) feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “O que vemos é que esses investimentos têm sido feitos principalmente nos setores da indústria nacional, onde esses tipos de investimentos se fazem necessários, o que representa um bom sinal”, disse a diretora de Estudos Setoriais do Ipea, Fernanda De Negri.É o caso dos setores de alta intensidade tecnológica (indústria aeroespacial, farmacêutica, eletrônica, de informática, telecomunicações e de instrumentos), que em 2008 investiam 1,89% da receita líquida e em 2011 passaram a investir 2,28%. Houve aumento também nas indústrias de média-alta intensidade tecnológica (material elétrico, veículos automotores, química, ferroviária e de equipamentos de transporte, máquinas e equipamentos), que, no mesmo período cresceram o percentual de investimentos de 1,13% da receita líquida com vendas para 1,27%. De acordo com a nota técnica do Ipea, em 2008 a indústria da transformação, como um todo, investia 0,75% da receita líquida de vendas em pesquisa e desenvolvimento. Esse percentual aumentou para 0,83% em 2011. No mesmo período, os gastos em atividades internas em pesquisa e desenvolvimento, que representavam 0,58% do PIB em 2008, ficou praticamente estável em 2011, quando ficou em 0,59%. Segundo o Ipea, a parte da indústria corresponde a 70% dos investimentos feitos em pesquisa e desenvolvimento. “O país está investindo mais, mas devido à conjuntura econômica de crise, [a indústria] perdeu espaço no PIB. Esse setor foi bastante afetado pela crise de 2008”, disse a pesquisadora. “Crescimento mais significativo ocorreu no intervalo entre 2005 e 2008, quando passou de 0,54% para 0,58%. Essa variação não é pouca coisa, porque representa uma variação de quase 10%”, acrescentou Luiz Ricardo Cavalcante, coautor do estudo.

Inovação

Os investimentos feitos pelas empresas em inovação tecnológica atingiram, em 2011, R$ 64,9 bilhões – equivalente a 2,56% da receita líquida de vendas. Na indústria, a aquisição de máquinas e equipamentos continua a ser a atividade que mais concentra gastos com inovação: 1,11% sobre a receita líquida de vendas. Entre 2009 e 2011, 35,7% das 128.699 empresas com dez ou mais funcionários inovaram em produtos e processos no Brasil.  Apesar dos avanços, a pesquisa constata que os investimentos em inovação tecnológica caíram na indústria nos últimos anos. A Pintec de 2008, por exemplo, registra que 38,1% das empresas haviam inovado. Esse percentual caiu para 35,6% na pesquisa atual.

No universo pesquisado, o número de empresas industriais aumentou 16,1%. Já o crescimento das empresas consideradas inovadoras foi menor (8,3%). Dentre as empresas do grupo indústrias extrativas, 18,9% foram consideradas inovadoras, percentual bem inferior ao das indústrias de transformação (35,9%). No período que a pesquisa abrange (de 2009 a 2011), 36,8% das empresas do setor de serviços inovaram. “Importante destacar a inclusão, neste conjunto, do setor de serviços de arquitetura e engenharia, testes e análises técnicas, no qual 29,6% das empresas inovaram – valor abaixo da média dos segmentos de serviços”, informou o IBGE. Em serviços selecionados (edição, telecomunicações e informática), 36,8% das empresas inovaram em 2011, enquanto a taxa da indústria foi 35,6%. Os resultados não são diretamente comparáveis às edições anteriores da pesquisa, “uma vez que houve a inclusão do setor de eletricidade e gás e dos serviços de engenharia, arquitetura, testes e análises técnicas”, neste último estudo divulgado pelo Instituto. A Pintec 2011 revela que 44,1% das empresas do setor de eletricidade e gás inovaram.

Por outro lado, aproximadamente 7,5 mil empresas inovadoras (16,3%) investiram em atividades internas de pesquisa e desenvolvimento, em 2011. Dessas, 78,9% (5,9 mil) são empresas industriais; 20,2% (1,5 mil), empresas de serviços selecionados e 0,9% (65) de eletricidade e gás. Quanto aos gastos com pesquisa e desenvolvimento (P&D) na indústria, o investimento com passou de R$ 10,7 bilhões (24,49%) em 2008 para R$ 15,2 bilhões (29,78%) em 2011. A relação entre os dispêndios em P&D interno e a receita líquida nas empresas industriais também aumentou, passando de 0,62% em 2008 para 0,71% em 2001. Pela Pintec 2011, o IBGE constatou estabilidade no percentual de empresas que introduziram novos processos para inovação. Na indústria, o percentual de empresas inovadoras passou de 32,1% para 31,7% no período 2009-2011. Na atual pesquisa, o percentual de empresas industriais, que introduziram processo novo para o setor foi 2,1%, praticamente reproduzindo o constatado na edição anterior da pesquisa (2,3%). Dentre as empresas do setor de serviços, 31,5% inovaram em processo, sendo que as inovadoras representaram 5,4% do universo de empresas da Pintec 2011. Segundo o IBGE, os setores com maior incidência de inovação de processo foram os de pesquisa e desenvolvimento (81,7%), fabricação de sabões, detergentes, produtos de limpeza, cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal (73,3%) e segmento automobilístico (69,1%).

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Por Marcos Graciani, com Agência Brasil

Originalmente publicado na Revista Amanhã

 

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