A Nona Sinfonia de Dvorák

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone

 Imagem1A melodia mais conhecida de Dvorák é o tema principal do segundo movimento da Sinfonia nº 9 em mi menor, opus 95. A música em tempo de largo, é lamentosa e nostálgica e já foi adaptada em trilhas de novelas e até para comerciais de televisão. A orquestra de George Melachrino colocou este tema nas paradas de sucesso americanas na década de 1950, na edulcorada versão intitulada Goin’ Home.

A nona sinfonia estreou no dia 16 de dezembro de 1893, no Carnegie Hall, interpretada pela Filarmônica de Nova Iorque, sob a regência de Anton Seidl. O evento fez parte das comemorações do quarto centenário da descoberta da América, e por isso a obra recebeu o título de Sinfonia do Novo Mundo. A composição está impregnada dos sons das músicas dos negros americanos – o segundo tema do primeiro movimento invoca o “spiritual” Swing low sweet chariot, temas indígenas e música folclórica tcheca.

O compositor Antonín Dvorák nasceu em uma pequena cidade da Boêmia, já era famoso em toda a Europa quando chegou aos Estados Unidos, em 1892. A milionária Jeanette Thurber ofereceu-lhe um salário anual de quinze mil dólares para que ele assumisse a direção do Conservatório Nacional de Música de Nova Iorque, que ela acabara de fundar.

Habituado com as diversas escolas de música da Áustria, Alemanha e ao movimento nacionalista dos criadores da nova música russa, húngara e tcheca, Dvorák exortou os músicos americanos a criar o estilo musical de seu país baseando-se na melodia dos negros e dos índios. Sua teoria lhe valeu uma série de críticas pois o compositor não chegou a perceber que uma música afro-americana chamada jazz se tornaria a futura escola musical americana.

Durante sua permanência de três anos nos Estados Unidos, Dvorák produziu obras de alta qualidade, como a 9ª Sinfonia, opus 95, o Quarteto de cordas American, opus 96, o Concerto para Cello e Orquestra, opus 104 e os Humoresques, um conjunto de oito peças para piano, dos quais, o de número sete se transformaria numa das composições mais interpretadas em todo o mundo.

Apesar de passar as férias de verão na cidade de Spillville em Iowa, uma comunidade de imigrantes tchecos, o compositor sentia muitas saudades de sua pátria, motivo pelo qual retornou para a Europa, em 1895.

De imediato ele assumiu a direção do Conservatório de Praga e compôs duas óperas: O demônio e Kate e Rusalka. O compositor faleceu em 1904, algumas semanas após a estreia de Armida, sua última ópera, que nunca caiu nas graças do público. Até hoje, Dvorák é o mais amado e respeitado compositor tcheco.

 Imagem2

A influência de Brahms: No início de sua carreira Dvorák venceu o prêmio nacional de música da Áustria, com sua Sinfonia nº 3. O compositor Johannes Brahms participou do júri e a partir dessa ocasião transformou-se em mentor e poderoso aliado do jovem compositor. Brahms havia feito sucesso e fortuna com suas Danças Húngaras e por isso recomendou ao discípulo que escrevesse música baseada nos temas populares das danças tchecas. Pesquisando o folclore musical de seu país e imbuído do crescimento da consciência política da Boêmia, Dvorák abandonou a influência da escola vienense e a exemplo de Smetana, dedicou-se a música nacionalista.

Brahms recomendou Dvorák para seus editores e estes publicaram as Árias da Moravia e as Danças Eslavônicas. Estas obras impressionaram os maestros Hans Richter e Hans von Büllow, que as incluíram em seu repertório. A música do jovem compositor começou a ser executada fora das fronteiras de seu país, e em breve ele era conhecido em toda a Europa.

Dvorák passou a ser reverenciado pelo público da Inglaterra que amava sua obra para coral e orquestra, o Stabat Mater. A Rússia e a Alemanha exigiam sua presença para reger pessoalmente suas sinfonias e trabalhos orquestrais. Antonín Dvorák jamais deixou de expressar sua gratidão para com Johannes Brahms, o grande responsável por sua projeção internacional.

Clique aqui para assistir ao segundo movimento da 9ª Sinfonia de Dvorak. Esta gravação do maestro Seiji Ozawa é considerada superior à de Herbert von Karajan.


Assinatura e_mail

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone