A escassez de energia pode travar o sul

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182-350Na opinião do diretor de relações industriais da Fiesc, Henry Quaresma, oferta de gás natural na região já chegou ao limite.

A indústria do sul do país vem crescendo e se reinventando nos últimos anos. Entretanto, a oferta de um dos principais insumos para as linhas de produção não tem acompanhado esse ritmo – e, em breve, pode se tornar um gargalo. Trata-se da oferta de energia, que tem se tornado um fator de crescente preocupação para as empresas que planejam se instalar ou ampliar operações no sul.

Essa preocupação pode ser percebida entre as indústrias que fizeram pesados investimentos para adaptar suas plantas ao uso do gás natural vindo da Bolívia. Em Santa Catarina, o insumo está sendo consumido no limite da oferta disponibilizada localmente pela Petrobras, que é de 2 milhões de metros cúbicos por dia. Pedidos de aumento da disponibilidade para os atuais clientes e de ligações para novas empresas aguardam em fila de espera. Segundo cálculos da SCGás, que distribui a cota autorizada pela Petrobras, os pedidos demandariam um aumento imediato de 25% na oferta. A elevação da cota, porém, vem sendo rejeitada pela Petrobras. Situação que não é muito diferente no Paraná e no Rio Grande do Sul. Urgente, a elevação na oferta deve ser seguida da ampliação do próprio gasoduto Bolívia-Brasil, que abastece o sul e já opera próximo do limite. Também ajudaria muito ter, na região, um terminal de armazenagem e regaseificação de GNL para a utilização no gás a ser extraído no pré-sal.

Além do gás, o fornecimento e o custo da energia elétrica também preocupam. Pelas estimativas do governo federal, a oferta do insumo no Brasil precisaria subir 56,6% entre 2011 e 2021, chegando a 182,4 GW. Para atingir a meta, porém, o país depende da conclusão dos grandes projetos de hidrelétricas – que enfrentam dificuldades para a obtenção de licenças de construção e operação. A maior disponibilidade nominal, no entanto, não garante tranquilidade para os grandes consumidores. Com 86% da energia vinda de fontes hidrelétricas, fica-se vulnerável. Uma estiagem prolongada pode levar ao acionamento de usinas térmicas que, hoje, são movidas principalmente a diesel ou gás natural. E a queima desses combustíveis encarece o custo da energia, que é repassado aos consumidores. Por isso, a construção de termelétricas movidas a carvão é uma oportunidade para o sul. A região tem o combustível em abundância e pode usá-lo para garantir a confiabilidade do sistema elétrico como um todo.

Independentemente das variações pontuais, merece a atenção o alto preço médio cobrado pela energia no Brasil. Submetido a uma grande carga de tributos e encargos, o insumo deveria ser tratado pelo governo como um instrumento de competitividade, fortalecendo as agências reguladoras e reduzindo a cobrança de PIS/Cofins. Isso também vale para o gás natural. Hoje, as diferentes regiões do país são abastecidas por gás produzido localmente e vindo da Bolívia – e não há qualquer política por parte da Petrobras para evitar distorções entre os preços. Assim, o sul paga pelo gás da Bolívia 20% a mais que (por exemplo) o nordeste, que é abastecido com gás nacional. Essas variações desestimulam investimentos e criam problemas para a manutenção de empregos nas áreas onde o gás está mais caro.

É preciso dar ao assunto uma importância estratégica, o que pode ser feito pelo fortalecimento de agências reguladoras como a Agesc, em Santa Catarina, e a ANP, em nível nacional. Afinal, a energia é crítica para a competitividade da indústria e pode servir como instrumento de geração de empregos e desenvolvimento.

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Autor: Henry Quaresma – Diretor de relações industriais da Fiesc

Artigo originalmente publicado na Revista Amanhã

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