Por um novo modelo de gestão de cidades

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Cidades_inteligentes_-_06.11.13É preciso atentar para uma repactuação federativa. No entanto, precisamos nos preparar para a possível inviabilidade, em um futuro não muito distante, do atual modelo brasileiro de gestão de cidades, e do aparato administrativo que as cidades acabaram por formar através de décadas. Hoje, temos mais de 5 milhões de funcionários trabalhando nas 5.570 cidades brasileiras. Ou seja, as cidades brasileiras empregam mais de 2,5% da população do País. A grande maioria são funcionários ligados às áreas de educação e saúde. Mas esse é um número sem precedentes nos países desenvolvidos, o gasto com pessoal nas cidades brasileiras é um dos mais altos do mundo em relação à população e arrecadação própria municipal.

Em uma grande estrutura, montada em “camadas” e improvisada através de décadas, e não com uma lógica funcional ou estratégica, também acaba havendo, proporcionalmente, mais lugar para os cargos e aparelhamento político. Mas o grande ônus é o peso de uma estrutura funcional pesada, que acaba por reverter contra o próprio funcionalismo, sendo perversa à meritocracia e à inovação; de uma estrutura que é uma recebedora e pagadora de recursos de grande porte (e, mesmo assim, insuficientes), mas que tem dificuldades de exercer a sua função fim: administrar e melhorar a qualidade das cidades e a qualidade de vida de quem nelas vive.

Menos de 1% das cidades brasileiras tem hoje uma gestão que se possa chamar de 3.0, ou seja, que executa suas funções básicas, administra com sucesso grandes operações de saúde e educação e tem uma visão clara e integrada de desenvolvimento e prioridades para a cidade. A questão da gestão das nossas cidades envolverá uma necessária refundação de sua estrutura, organização legal e atribuições, para que possam se adequar às tendências mundiais de dinamismo e transformação. Essa será, inclusive, a tendência dos novos Objetivos do Milênio, fundar-se nos processos locais de desenvolvimento. Nesse contexto, não há nada mais anacrônico do que uma lógica estrutural que leva à absorção infinita de recursos.

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Autor: Gustavo Grisa que é Economista

Artigo originalmente publicado no Jornal do Comércio

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