O homem que amava os cachorros

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Imagem1Durante muitos anos a literatura cubana foi dirigida para as massas, procurando inculcar no povo a maneira correta de comportar-se num regime socialista. A maioria dos escritores, para manter as boas graças do governo, adotava as mesmas fórmulas utilizadas por seus colegas da Europa Oriental. No caso da literatura policial, esta abordava agentes da lei, sem carisma, cuja tarefa era a de combater agentes infiltrados da CIA. Pode-se dizer que este estilo literário beirava a mediocridade.

Com o colapso da União Soviética, o mundo real que sustentava este tipo de ficção desapareceu. A partir de 1990, o escritor Leonardo Padura Fuentes começou a destacar-se no thriller policial e se tornou um mestre na criação de livros de suspense.

Leonardo Padura nasceu em 1955, formou-se em jornalismo e a partir de 1995 vem se dedicando exclusivamente à literatura.

Venceu o Premio Internacional Dashiell Hammet de melhor romance na língua espanhola com sua tetralogia As quatro estações.

Seus livros vão gradativamente sendo conhecidos em nosso país, sendo que sua obra mais ambiciosa, escrita em 2009, acaba de ser lançada em língua portuguesa.

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O homem que amava os cachorros é um livro de ficção que conta fatos acontecidos. A narrativa nos descreve o isolamento político sofrido por Leon Trotski na União Soviética e sua busca por asilo em diversos países. Lenin e Trotski foram os principais líderes da Revolução Russa. Coube ao segundo a criação e liderança do Exército Vermelho que derrotou os oposicionistas contrários ao novo regime, bem como defender as fronteiras da recém-criada União Soviética.

O personagem fictício de toda esta trama é o escritor cubano Ivan Cárdenas Maturell. Ele narra a odisseia de Leon Trotski, refugiado russo, desde seu exílio em Alma Ata (cidade do atual Cazaquistão), seu processo de banimento que o levou a buscar refúgio na Turquia, na Noruega e finalmente conseguir asilo definitivo no México, onde foi acolhido pelo muralista Diego Rivera e sua mulher, a pintora Frida Kahlo.

Em paralelo vamos conhecer a história de Ramón Mercader del Rio, o catalão que iria tornar-se o assassino de Trotski. O serviço de inteligência russa foi buscar Ramón, em plena guerra civil espanhola, quando ao lado dos republicanos ele lutava nas montanhas agrestes da serra de Guadarrama.

Levado para Moscou ele foi submetido a um intenso treinamento físico e psicológico a fim de que pudesse concluir com êxito sua missão. Mercader era uma das armas que Stalin pretendia utilizar para aniquilar seu desafeto. Um a um, os partidários de Trotski que permaneceram na União Soviética foram implacavelmente eliminados através de sucessivos expurgos.

Depois de submetido a uma intensa lavagem cerebral, todo o ódio de Mercader voltou-se para Trotski. Este seria o responsável pela inevitável derrota da república espanhola devido à sabotagem dos membros do POUM (Partido Obrero de Unificación Marxista) de tendência trotskista e dos anarquistas da CNT (Confederación Nacional del Trabajo) e da FAI (Federación Anarquista Ibérica).

Para Mercader apenas o Partido Comunista da Espanha poderia salvar a República. Ele encarava Trotski como um fascista, traidor do regime stalinista e do proletariado.

O único laço que unia o catalão e o exilado soviético era o amor comum que ambos  tinham pelos cachorros.

No dia 21 de agosto de 1940 Ramón Mercader consumou sua missão. O livro de Padura nos narra o que foi o intrincado jogo de xadrez que permitiu a Mercader aproximar-se de Trotsky e frequentar sua casa fortaleza em Coyoacán. Preso pela polícia mexicana, portando dois passaportes falsos, um canadense e outro belga, ele resistiu à tortura e a um longo período prisional sem revelar sua verdadeira identidade. Após vinte anos de cárcere ele foi posto em liberdade. Morou alguns anos em Moscou, mas conseguiu passar seus últimos anos de vida em Havana.

Em determinados momentos de sua obra o autor analisa o estilo de vida em Cuba entre os anos 1970 e 2000. Ele trata das dificuldades econômicas, êxitos e insuficiências de uma revolução tropical e do sonho tão cubano e tão insular de sair da ilha.

Outras obras recomendadas de Leonardo Padura:

Havana Red; Havana Blue; Havana Gold; Adiós Hemingway.

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