Revolução Francesa

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Este é um acontecimento imenso demais, misturado demais aos interesses da humanidade, de influência grande demais sobre todas as partes do mundo, para que os povos em outras circunstâncias, não se lembrem dele e não sejam levados a repetir sua experiência.

IMMANUEL KANT

Recomendo aos apaixonados por história e política a leitura de Revolução Francesa, de Max Gallo, em dois volumes. Esta obra foi um best-seller na França atingindo uma venda de 250.000 exemplares. O leitor terá uma visão abrangente de todo o processo que deu início à Revolução, já que o trabalho do autor abrange o período que se inicia com a coroação de Luiz XVI em 1774 e acaba por terminar em 1799, quando o diretório é extinto. Napoleão Bonaparte, um dos Cônsules da República, proclama em sua Mensagem ao Povo: Cidadãos, a Revolução está fixa nos princípios que lhe deram início: ela acabou.

No primeiro volume o autor analisa com detalhes o ambiente pré-revolução, a gravidade da crise econômica e social do país e os esforços do rei para acertar os passos da economia com Turgot e Necker, até chegar à queda da Bastilha e os anos de cativeiro da família real durante a implantação do novo regime, culminando com a execução de Luiz XVI. O segundo volume trata dos jogos de poder dos novos governantes, analisa as correntes políticas representadas principalmente pelos cordeliers, girondinos, jacobinos, e a influência dos sans-culottes sobre os mesmos. O livro traça um perfil detalhado dos principais líderes e propagandistas da Revolução como Camile Desmoulins, Saint-Just, Danton, Marat e Robespierre.

Max Gallo retrata com crueza o que foi o período do Terror, bem como a revolta na Vendéia e os massacres da aristocracia por todo o país. A corrupção nas altas esferas do poder já existia naquela época, prova é que os conspiradores monarquistas entregaram a Danton dois milhões de libras para a compra dos votos dos deputados da Convenção. O objetivo era impedir a condenação do rei à morte pela guilhotina. Não satisfeito com a proposta Danton exige dois milhões a mais, mas não foi atendido em seu pleito.

Transcrevemos parte de um noticiário de um jornal parisiense editado poucos anos após a tomada do poder pelos revolucionários:

A opinião pública acusa o governo que nunca foi tão covarde quanto o vemos hoje…

A probidade, a virtude, uma certa autoridade de costumes que sempre estiveram presentes nas Repúblicas nascentes e sem as quais elas não podem durar muito, não se encontram na nossa.

Veem-se nos gabinetes desses senhores apenas homens corrompidos que vendem a preço de ouro cargos, empregos, funções à disposição dos ministros. Comercia-se com eles da mesma forma que com os víveres do mercado, e aquele que paga mais tem a preferência. Os próprios deputados agiotam, traficam vergonhosamente, com os agentes de câmbio, ouro, prata e todo tipo de mercadoria. Essas práticas infames corrompem o espírito público em Paris e em todos os departamentos. Elas aviltam todos os agentes do governo e das administrações. O sistema republicano está de tal forma gangrenado em todos os seus diversos ramos que parece impossível que ele possa durar mais de um ano.

Ao contrário dos dias de hoje, a grave crise institucional e a corrupção generalizada do governo foram estancadas com a queda e execução dos grandes líderes revolucionários. A Revolução começava a devorar seus filhos. A imoralidade vigente no governo central e nas províncias só iria terminar quando o jovem e brilhante general Bonaparte assumiu o poder.

Em pouco tempo, o mesmo também foi contaminado pelo poder e acabou dando início a um novo ciclo autocrático.

A obra também trata da reação das potências estrangeiras que tentaram invadir a França para por fim a sedição e restaurar a ordem, bem como a formação dos exércitos populares formados por voluntários que não só defenderam as fronteiras da França, como as ultrapassaram.

Max Galo nos desvenda a estrutura do novo calendário republicano, cujos nomes exóticos apareciam em alguns de nossos livros escolares.

Quem o idealizou foi Gilbert Romme. Ele estabeleceu que o ano passasse a ter início  no dia 22 de setembro, aniversário da proclamação da República. Ele era dividido em doze meses de trinta dias, mais cinco ou seis dias complementares. Cada semana durava dez dias. Os nomes dos meses, propostos por Fabre d’Eglantine, evocam as estações. Vendemiário, Brumário e Frimário para o outono. Para o inverno, Nivoso, Pluvioso e Ventoso. Para a primavera, Germinal. Floreal e Prairial. Para o verão, Messidor, Termidor e Frutidor.

Alguns exemplos: Robespierre e 21 de seus cúmplices foram levados para a guilhotina no dia 10 Termidor do Ano II (28 de julho de 1794).  A contra revolução é programada pelos monarquistas no dia 18 Frutidor do Ano V (4 de setembro de 1797)

O jornal L’Express bem definiu a obra de Max Gallo: Os dois volumes de Revolução Francesa se leem de uma sentada só, como um romance policial.

Já o Le Fígaro Littéraire assim a definiu: Página após página, trememos, vibramos. Como se lá estivéssemos.

A presente edição de A Revolução Francesa foi editada pela L&PM POCKET, em dois volumes ao preço de R$ 50,00. Boa leitura em suas férias.

Como esta coluna é dedicada à música, não poderíamos terminar esta matéria sem tratar da Marselhesa. Quando as tropas prussianas estavam prestes a invadir a França, em 1792, um jovem oficial do exército, chamado Rouget de Lisle compôs um hino marcial para motivar os soldados franceses do exército do Reno, a quem cabia a defesa das fronteiras com a Alemanha. A letra e a música causaram um grande impacto sobre a população, e muito em breve ela era cantada por todos os revolucionários. Em 1795 a música de Rouget foi adaptada em sua letra e transformada no hino nacional da França.

Clique aqui para escutar a Marselhesa, com letra em francês e tradução simultânea para o português:


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