Quando nem o básico é cumprido

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básico

São poucas as ilhas de excelência no Brasil para tantas situações onde sequer o básico é cumprido. Regras primárias de uma gestão, digamos razoável, estão distantes do cotidiano de órgãos, secretarias, prefeituras, ministérios, gestores públicos e também de empresas privadas, que não se integram e ignoram totalmente seus clientes. E nós, os contribuintes, que só sentimos cada vez mais descasos como a injustiça tributária, por exemplo, com uma defasagem na tabela do IRPF que já chega a 61,42% segundo cálculos do Dieese, ou ainda a lenta justiça brasileira, que não pune empresas infratoras, aparentemente estamos bem.

Promessas de políticos e administradores não são cumpridas, metas e planos esquecidos, conteúdos de matérias escolares não são concluídos e isso parece não afetar alunos e familiares. Não cobramos de vereadores e deputados e nem conhecemos quem ensina nossos filhos.

Também no setor privado os fundamentos de um bom atendimento deixam de existir após a venda. Parece que o grande e único objetivo é vender o produto ou serviço. O cliente que, após a compra, precisa de ajuda, mesmo pequenas solicitações, é solenemente descartado, não antes de ser submetido a uma maratona de números, atendentes e testes. O recado é claro: eu não quero você por aqui, nem na agência do banco, nem no órgão público, nem na loja, por favor, vá embora!

E, nesse ponto, a justiça brasileira é fraca, tardia e, portanto, inexistente para quem mais precisa dela. Se você foi maltratado por uma empresa ou órgão público, muito provavelmente você não irá reclamar -apenas 2% reclamam- e muito menos irá na justiça procurar seus direitos, pois ela será cara, com muita burocracia, opaca e demorada e, lá no fim, aplicará uma multa irrisória, constrangedora até. O culpado ri e prossegue do seu jeito. A perda, assim, vale o descaso da empresa que continuará descartando seus clientes. O risco é pequeno e não dá nada.

Parece que o básico não é cumprido por nenhum lado. Nem por nós. Como consumidores, eleitores e cidadãos, estamos apáticos, voltados para o nosso mundo, que termina na porta da nossa casa.

Inácio Knapp

 

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