Educação é a melhor arma contra trabalho infantil

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Indiano Kailash ­Satyarthi, indicado ao Nobel da Paz em 2006, defendeu o investimento em Educação como o mais importante meio de prevenir e combater a exploração ilegal de menores.

20131011_cristiano1As estatísticas mostram que existe uma correlação. No Brasil, existem 3,8 milhões de crianças fora da Escola e pouco mais que isso trabalhando. Os números são semelhantes. Trabalho infantil, analfabetismo e pobreza são três vértices de um triângulo e mantêm relações de causa e efeito — disse o Indiano recentemente em audiência pública da Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Congresso Nacional.

O ativista indiano elogiou iniciativas como o Bolsa Escola e o Bolsa Família, classificando-as de “mecanismos positivos” que podem ser copiados por outros países, mas fez um alerta em relação à Copa do Mundo de 2014 e aos Jogos Olímpicos de 2016: outras nações que abrigaram grandes eventos antes tiveram problemas com aumento do trabalho infantil.

— Muitos jovens foram recrutados pela prostituição, por hotéis, por restaurantes e pela indústria, atuando na fabricação de materiais esportivos e de outros produtos usados nos eventos. Faço um apelo à sociedade e aos políticos para ficarem em alerta — afirmou.

A secretária-executiva do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, Isa Maria de Oliveira, considera que o Brasil perdeu o foco em relação ao tema. Segundo ela, não falta dinheiro, mas gestão competente e eficiência no gasto dos recursos.

— Há ausência de coordenação política que articule as esferas federal, municipais e estaduais para colocar fim à exploração indevida de crianças e adolescentes. A infância é tempo curto e muitas das crianças que não tiveram direitos assegurados não vão recuperá-los nunca mais.

Ela disse que no Brasil, se uma criança é negra, nasce no campo e é pobre, ela está fadada a ser excluída da Escola e entrar precocemente no trabalho infantil.

Zona rural

O integrante do Comitê do Distrito Federal da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Tiago Manggini, mostrou-se preocupado com as crianças nas zonas rurais, que sofrem com o fechamento de Escolas no campo. Segundo ele, 27 mil Escolas foram fechadas no meio rural brasileiro entre 2002 e 2010. Além disso, ressaltou, a dificuldade de acesso é outro problema enfrentado no campo.

— O estudante às vezes frequenta mais o ônibus que a Escola. Ele é um viajante, e não estudante — disse.
Manggini defendeu a criação de mecanismos legais para dificultar o fechamento de Escolas, o que necessitaria de ajuda do Congresso Nacional.

— Para abrir uma Escola é muito complicado. Para fechar, basta um ato do Poder Executivo. E, na maioria das vezes, do Executivo municipal.

Segundo um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, ainda há muito a ser feito para garantir o acesso pleno à Educação no Brasil. Indicadores mostram que os grupos mais vulneráveis são os historicamente excluídos, como negros, indígenas, pessoas com deficiência e populações da zona rural e de baixa renda.

Fonte: Jornal do Senado (DF)

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