La Maledizione

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Em toda sua carreira Giuseppe Verdi (1813 – 1901) compôs 27 óperas. Seu período mais produtivo foi entre 1845 e 1850, época em que uma imensa legião de admiradores exigia novas obras do autor. Verdi escreveu dez novas óperas. E assim, foram produzidas e encenadas: Giovanna d¢Arco, Alzira, Attila, I Masnadieri, Jerusalem, Macbeth, Il Corsaro, La Battaglia di Legnano, Luisa Miller e Stiffelio.

Mas como bem destacou a imprensa europeia, a maldição do Conde de Monterano – personagem da ópera Rigoletto – se abateu sobre as óperas compostas nesse período. Alzira só ficou pôr uma noite no La Scala e Il  Corsaro, considerada a obra mais maldita de Verdi, nunca chegou à cena no teatro milanês. Verdi escreveu esta ópera baseado no poema O Corsário, de Lord Byron. O moralismo vigente na época repudiou Stiffelio, forçando Verdi a alterar o libreto e a partitura. A ópera passou a chamar-se Aroldo e estreou em 16 de agosto de 1857, em Rimini.  De nada adiantaram as mudanças. A ópera continuou maldita. Imagem2

Pôr ocasião do centenário da morte de Verdi, em 2001, o mercado fonográfico tentou resgatar as óperas malditas lançando uma série de títulos daquele período. Vários Stiffelios, Aroldos, Alziras e Corsaros chegaram ao mercado. Algumas das gravações foram reedições de trabalhos antigos, como a Alzira de 1938, com Elizabeth Schwarzkopf e a Orquestra do Reich de Berlim (Myto Records). Outros álbuns são gravações recentes, como o Stiffellio de 1993, com Plácido Domingo, James Levine e a Orquestra do Metropolitan de New York (Sereníssima Records). Apesar dos lançamentos terem agradado aos colecionadores e os curiosos por raridades, parece-nos que a Maledizione continua a perseguir as óperas desse período verdiano.

A partir de 1851, Verdi escreveu em sequência três óperas que são sucesso até hoje: Rigoletto, Il Trovatore e La Traviata. Vinte anos depois o grande sucesso de Aida iria consagrá-lo definitivamente.

Verdi não demonstrou muito interesse quando recebeu o convite de Ismail Paxá, Quediva do Egito, para escrever uma ópera para o Teatro Italiano do Cairo, que havia sido inaugurado em 1869. Acabou aceitando a proposta, ao saber que em caso de desistência a tarefa poderia ser passada a Richard Wagner, que certamente apresentaria uma excelente alternativa. Após uma série de adiamentos a obra em quatro atos, com libreto de Antônio Ghislanzoni, estreou no Cairo em 24 de dezembro de 1871, ante uma plateia internacional. A ópera foi consagrada na Itália assim que estreou no La Scala, no dia oito de fevereiro de 1872, sob a regência do próprio Verdi.

Para os leitores que quiserem assistir a ópera completa, uma boa opção é a gravação em DVD da Deutsche Grammophon realizada no Metropolitan Opera House de New York sob a regência de James Levine. Aida e Radamés são interpretados por Aprile Mille e Plácido Domingo.

Depois da Aida, Verdi levaria 22 anos para voltar a produzir duas óperas: Otelo em 1887 e Falstaff em 1893.

Em 1874, Verdi saiu do terreno operístico ao compor um Réquiem para ser interpretado no primeiro aniversário da morte do romancista Alessandro Manzoni.

Cabe o registro de que Verdi e Wagner nasceram no mesmo ano. Wagner no dia 22 de maio de 1813, em Leipzig e Verdi no dia 10 de outubro em Le Roncole, no Ducado de Parma. Verdi viveu por mais 17 anos após a morte de Wagner e os dois gênios nunca se encontraram.Imagem3

Nos dias de hoje, os bustos dos dois compositores estão próximos um do outro numa pequena praça de Veneza, nas proximidades do arsenal. Nas últimas semanas iniciei a leitura do livro Verdi e/ou Wagner de autoria de Peter Conrad.

Nesta obra, o autor faz uma minuciosa análise da obra destes dois gigantes da ópera italiana e alemã. Cabe ao leitor decidir qual o seu predileto.

Agradeço aos amigos da Revista Digital que me obsequiaram com este importante livro que certamente acaba de enriquecer minha biblioteca.

 

Clique aqui para assistir ao finale do I ato de Attila. É o melhor momento desta ópera, que faz parte do grupo das amaldiçoadas:

 

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