Inovar é preciso. Mas como?

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Empresas reclamam da falta de investimentos privados no setor de pesquisa e desenvolvimento.

criatividadeFalar é fácil, difícil é fazer. Os executivos que trabalham no setor de pesquisa e desenvolvimento sentem na pele a força do ditado. É nanimidade que o investimento em novas ideias e no aprimoramento de produtos e serviços mantém a empresa competitiva no mercado. Porém, há muitos desafios para conseguir colocar este conceito em prática. Um deles se refere à captação de recursos para os projetos de inovação; o outro, a cobrança por resultados imediatos, ansiedade que normalmente permeia o ambiente corporativo mas que não combina com o segmento de P&D.

Ao contrário do que se possa imaginar, a bronca da indústria na captação de recursos não se refere aos incentivos dos governos – que estão disponíveis, por exemplo, nos financiamentos de apoio do BNDES e FINEP. No seminário Gestão em P&D, promovido recentemente em Porto Alegre, foi possível perceber que a queixa é com as empresas privadas, que pouco investem em projetos de desenvolvimento no país. “Existe uma secura de capital de risco no Brasil”, ressalta Ricardo Felizola, coordenador do Conselho de Inovação e Tecnologia da FIERGS. Parte do obstáculo se deve ao fato de que o retorno financeiro advindo diretamente do investimento no setor de P&D ainda é difícil de ser medido. A própria Embraer, exemplo de companhia que aposta no estudo de novas tecnologias, não tem esse dado. “O que posso garantir é que, de todas as tecnologias que começam a ser trabalhadas, 90% chegam a ser aplicadas, são utilizadas no produto final”, completa Fernando Ranieri, vice-presidente de Desenvolvimento Tecnológico da Embraer.

Outro desafio para a efetividade do setor de desenvolvimento e pesquisa está na demora para se obter o resultado do investimento. A pressão, inclusive, pode vir de dentro da própria empresa. “Não é adequado se deixar levar pelo resultado final de cada ano. Os projetos de P&D vão render daqui a 10, 15 anos”, afirma Ranieri. A opinião é compartilhada por Francisco Pais, gerente geral de Gestão Tecnológica do Centro de Pesquisas da Petrobras, que percebe a cobrança de investidores da petroleira por um retorno que justifique os recursos destinados à pesquisa e ao desenvolvimento de novas tecnologias. A Petrobras renova a cada dois anos as estratégias e planejamentos em P&D. Segundo Pais, a aposta em novidades é,  para qualquer empresa, o caminho para continuar competitiva e se tornar referência no seu setor.

O exemplo Embraer

Na exposição de Fernando Ranieri, vice-presidente de Desenvolvimento Tecnológico da Embraer, já é possível perceber o que move a empresa de aviação brasileira: “Inovação é questão de sobrevivência”. De acordo com Ranieri, mais do que uma estratégia, é uma questão cultural. A Embraer possui três projetos para incentivar a inovação. O Programa Boa Ideia, o Projeto Inova e o Seminário de Inovação possibilitam a qualquer funcionário, de qualquer área, colaborar com a companhia. Como? Desenvolvendo e divulgando suas ideias. “A inovação
acontece no dia-a-dia, está no espírito de cada um. A empresa tem que saber canalizar”, enfatiza Ranieri.

A busca por diversas fontes de conhecimento tem feito a Embraer criar centros de engenharia fora de sua sede de São José dos Campos, em São Paulo. Em 2012, foram inaugurados dois pólos de pesquisas, um em Belo Horizonte e outro em Melbourne, na Flórida, Estados Unidos. Além disso, a companhia trabalha em parceria com universidades, institutos de ciência e empresas, inclusive concorrentes, como a canadense Bombardier. “Não há competição quando a ideia é embrionária. O segredo da competitividade é como cada um aplica essa ideia”, afirma Ranieri. A troca de conhecimento, segundo ele, diminui custos e gera melhores resultados.

O investimento em pesquisa e desenvolvimento da Embraer fica em torno de U$ 450 milhões por ano, o que corresponde a 10% do orçamento da empresa. O faturamento anual é de cerca de U$ 6 bilhões, sendo que aviação comercial é responsável por mais da metade, 60%. Além do Brasil, a empresa possui unidades produtivas na França, Portugal, Estados Unidos, China, Singapura e Emirados Árabe Unidos. Porém, a instalação nos países não garante à Embraer acesso a recursos destes governos, o que torna o custo para desenvolver tecnologias maior do que no Brasil. “São crescentes os incentivos e as políticas de apoio aqui no país”, garante Ranieri. O cenário nacional só não é mais positivo para a indústria aeroespacial porque o investimento no setor é pequeno em comparação com o dos demais segmentos da economia brasileira. Do projeto à produção de um avião são gastos cerca de U$ 2 bilhões, dinheirama que empresas de países como Estados Unidos, Alemanha, Japão e China têm maior facilidade para conseguir. Para voar no nível delas, a Embraer precisa de muita ousadia. E aí que entram os investimentos em
pesquisa e desenvolvimento.

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Autora: Laura D’Angelo

Fonte: Revista Amanhã

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