A sociedade da reputação

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O Google, senhor da internet, sabe muito de tudo e de todos. Então, eu também posso saber. Do meu vizinho, do restaurante do outro lado do mundo, do médico, do gestor público. É uma época nova, de enorme transparência. Sair da linha, oferecer um produto ou serviço ruim ou prometer e não cumprir – não é mesmo, prezado candidato -, pode prejudicar a imagem, abalar o prestígio.

Na verdade, pode ser fulminante. E nada é mais importante que a reputação. A Arthur Andersen, uma das mais importantes auditorias do mundo, fechou suas portas com um bilhão de dólares em caixa. Ela quebrou porque não tinha mais como oferecer para seus clientes, a essência do seu trabalho: respeito e credibilidade. A empresa jogou fora sua reputação, seu prestígio, a alma do seu negócio.

Isso aconteceu nos Estados Unidos há alguns anos mas vale lembrar que o fluxo financeiro ilícito, incluindo corrupção, suborno, roubo e evasão de divisas em países em desenvolvimento é estimado em US$ 1,2 trilhão por ano, equivalente às economias da Suíça, África do Sul e Bélgica juntas, conforme o Banco Mundial.

A rapidez de avaliação desse mundo virtual de bilhões de pessoas devasta governos, políticos e ditaduras. Com muita informação e conhecimento, ele é implacável.

O Brasil começa a conhecer essa força mas mesmo assim não combate como deveria o tráfico de influência, abuso de poder, comissões ocultas, transações secretas. A corrupção no setor público brasileiro é percebida como sendo maior do que em países como Lesoto, Botswana ou Brunei, mas menor do que em grandes parceiros emergentes como China, Índia e Rússia.

O maior patrimônio de alguém, uma empresa, uma cidade ou um País continua sendo a sua reputação. Ser confiável, respeitar regras e contratos, ter uma boa reputação e ter bons amigos conta muito. No livro Reputation Economics, de Joshua Klein, o autor destaca que “quem você conhece” vale mais, hoje, do que “o que você possui”.

Com o senhor Google, o tribunal é gigantesco, com milhões de jurados. O julgamento é imediato e avassalador. Todos sabem quem é o réu, que pode ser um político, um hotel, uma companhia aérea ou uma prefeitura. Todos julgam se o prefeito que utilizou crack deve ser condenado ao ostracismo.

A não ser que você seja um Henry David Thoreau, de Walden, que quer viver no mato, não dá para se esconder. Todos seguem nossos rastros, vigiam e julgam. E a velha reputação, felizmente, vale mais do que nunca. É o nosso maior patrimônio.

Inácio Knapp

 

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