Oportunidades de sobra, profissionais em falta

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Com 3 mil vagas abertas no Rio Grande do Sul, área de Tecnologia da Informação exige capacitação dos interessados.

 

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Um mercado em expansão, com salários atrativos e oportunidades de sobra para profissionais qualificados. A utilização dos serviços de Tecnologia da Informação (TI) por empresas privadas de todos os tamanhos e também pelo poder público fez a demanda por mão de obra especializada no setor saltar, fenômeno que não ocorreu na mesma velocidade da formação de trabalhadores.

Segundo estudo da consultoria IDC, o Brasil tem uma carência de 39,9 mil profissionais de tecnologia, número que deve crescer para 117 mil até 2015. O cenário assusta empresários, com cada vez mais dificuldades em contratar, mas representa grande oportunidade para quem quer investir na carreira.

– Esse não é um fenômeno exclusivo do Brasil. Nações desenvolvidas da Europa e os Estados Unidos, ao contrário de nós, têm uma capacidade menor de preencher essas vagas, pois a mão de obra lá já está ocupada em outras funções qualificadas. No Brasil, há uma grande massa de jovens, mas que não está preparada – diz o presidente do Sindicato das Empresas de Informática do Estado (Seprorgs), Edgar Serrano.

É difícil mensurar a quantidade de profissionais que atuam em TI no Rio Grande do Sul – o Seprorgs estima em 70 mil – mas o número deve crescer logo, caso as cerca de 3 mil vagas abertas, segundo o sindicato, sejam preenchidas.

Por ser uma área fundamental, a falta de equipes pode frear o avanço de muitas empresas. Nos últimos cinco anos, a GVT, com sede em Curitiba, dobrou a equipe de TI, passando de 300 para 600, e tem hoje outras 110 vagas abertas.

– Temos a missão de não deixar a empresa parar, mas muitas vezes precisamos recorrer à terceirização – comenta o gerente de TI da empresa, Rafael Grottoli.

Para quem quer se dar bem aproveitando o cenário, é preciso afinidade em assuntos como matemática e lógica, mas as principais recomendações são dedicação e busca incessante por capacitação. Para segurar profissionais, muitas empresas aliam a oferta de qualificação a promoções na carreira. A DBServer, de Porto Alegre, criou há quatro anos o cursos para formar tanto o público interno e como também o externo.

Qualificar para crescer na carreira

Há dois anos na DBServer, a testadora de software Priscilla Ferreira Soares, 20 anos, é um exemplo de como a especialização, aliada ao interesse, propicia avanços na carreira. A partir de um curso oferecido ao público externo, foi chamada a estagiar na empresa. De olho na área de testes de sistemas, direcionou sua qualificação para a busca de certificações (cursos que atestam o conhecimento em áreas específicas).

Efetivada há um ano, Priscilla conta também com uma bolsa da empresa para o pagamento da faculdade de Sistemas de Informação na PUCRS.

– As coisas aconteceram muito rápido. Tenho 20 anos e já sou testadora. Na TI, conta a força de vontade, mas o problema é que as pessoas não querem se capacitar – avalia a funcionária, sem saber ao certo em que posição estará nos próximos anos.

O coordenador de contratos da Constat Serviços em Informática, na Capital, Guilherme Castanho, também relata dificuldade na contratação de pessoal para atuar na área de suporte técnico. Após iniciar a carreira na empresa há três anos, como operador de computador, o profissional buscou certificações e participou de cursos internos para desenvolvimento de gestores. Contando com a faculdade de Análise de Sistemas, ganhou espaço.

– Mais certificações sempre podem ajudar a melhorar o salário – afirma o profissional de 28 anos, há nove na área de TI.

 

O perfil ideal

Disposição para aprender

O conhecimento de hoje pode estar defasado amanhã. Com um mercado dinâmico, em constante atualização, é indicado a todos os profissionais a busca incessante por qualificação. Faculdades como de Sistemas de Informação, Ciências da Computação, Engenharia da Computação e Bacharelado em Informática são as mais recomendadas, além de cursos técnicos em instituições como Senac e Senai.

Comprometimento

Com a alta rotatividade, alguns profissionais acabam não concluindo trabalhos nas empresas. No longo prazo, isso pode manchar a imagem do funcionário.

Visão ampla

A divisão do trabalho em áreas específicas do conhecimento na área de TI não deve ser impeditivo para buscar conhecimento em outras áreas. É interessante para o profissional procurar informações além do ambiente técnico, como conhecer mais sobre os setores de vendas ou contabilidade da empresa em que estiver trabalhando.

Criatividade

Muitas vezes, o trabalho em Tecnologia da Informação leva a situações que parecem sem saída. Cabe ao profissional buscar soluções diferentes e inovadoras a cada momento.

Atuação

As oportunidades no mercado de Tecnologia da Informação são registradas em duas áreas principais: sistemas e infraestrutura. Na primeira, como o nome indica, o trabalho gira em torno do desenvolvimento dos sistemas usados nas empresas. A segunda se caracteriza por garantir o suporte técnico aos funcionários e a solução dos problemas cotidianos de qualquer companhia, como, por exemplo, conserto de computadores, e o acesso ao sistema interno. Conheça algumas das funções:

Sistemas

Analistas de sistemas:
 identifica as necessidades da empresa e transforma em processos que vão resultar em um sistema. Aponta o passo a passo do trabalho, mostrando como os programas vão se comunicar para fazer os sistemas funcionarem.
Salário médio: de R$ 3 mil a R$ 4,5 mil

Programador: faz a etapa seguinte. Recebe o passo a passo para fazer a programação do sistema e operacionaliza o trabalho do analista de sistemas. Salário médio: de R$ 2 mil a R$ 2,5 mil

Especialistas de testes: após a conclusão do desenvolvimento, testa os sistemas para apontar possíveis falhas e qualidades antes de ser liberado para uso. Divididos entre analistas e técnicos. Salário médio: de R$ 1 mil a R$ 2 mil (técnicos) e de R$ 3 mil a R$ 4 mil (analistas)

Gestores de negócios: responsáveis pela prospecção e desenvolvimento dos negócios. Apesar de ser da área de vendas, seu diferencial é ter conhecimento técnico. Salário: até R$ 8 mil

Gestores de produto: alinha as expectativas de todas as áreas da empresa com relação ao desenvolvimento dos sistemas. Salário médio: de R$ 4 mil a R$ 5 mil

Gestor de projeto: trabalha junto ao analista para fazer o cronograma de trabalho de desenvolvimento do sistema. Salário médio: de R$ 4 mil a R$ 5 mil

Implementadores: depois de vendido e avaliado pelo cliente, uma equipe vai implementar o sistema na empresa. Salário médio: de R$ 2 mil a R$ 3 mil

Infraestrutura

Técnico nível I: executa o atendimento aos funcionários das empresas. Salário médio: de R$ 1,2 mil a R$ 1,5 mil

Técnico nível II: resolve problemas maiores e dá suporte para o técnico nível I. Salário médio: de R$ 2,5 mil a R$ 3,5 mil

Técnico nível III: trabalha nos problemas que os técnicos dos níveis anteriores não conseguem resolver. Salário médio: de R$ 3,5 mil a R$ 4,5 mil.

Administradores de rede: profissional de grande domínio técnico, responsável pelo acesso à rede local e à internet das empresas. Monitora, por exemplo, os horários de maior uso para melhorar o desempenho dos locais com mais necessidade. Salário médio: R$ 3,5 mil a R$ 4,5 mil

Fonte: Donald Reis, diretor do Seprorgs

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Autor: Vagner Benitesvagner.benites@zerohora.com.br

Fonte: Zero Hora

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