O exemplo está no setor privado

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Growth

Espelhar-se na gestão empresarial. Esta é a recomendação que Jorge Gerdau Johannpeter dá ao setor público – que ele passou a conhecer em detalhes desde que se tornou o presidente da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade do governo federal, em 2011. O empresário gaúcho acredita que, assim como as organizações privadas, os governos brasileiros precisam definir indicadores e metas a serem alcançados. “No Brasil não se tem a visão de governança, de onde queremos chegar”, critica.Em palestra promovida pela Associação dos Dirigentes de Marketing e Vendas do Brasil (ADVB-RS), Johannpeter enfatizou que fatores como terra e mão de obra abundante não são mais vantagens competitivas. É preciso ter um sistema de gestão bem estruturado, que aja com um mapa estratégico, pense a longo prazo e que, principalmente, obtenha resultados. “Tem que separar os meios dos fins. Esses devem ser muito claros, tanto para empresas quanto para governos”, salienta.Para o ex-presidente executivo da Gerdau e hoje presidente do Conselho de Administração da companhia primeira colocada no ranking  500 Maiores do Sul, elaborado pela AMANHÃ e Pwc, a cultura da gestão empresarial no setor público praticamente não existe no Brasil, nem no Rio Grande do Sul. “É um quadro de ‘não- visão’ estratégica que nós temos”, lamenta. Além da governança, Johannpeter acredita que a meritocracia é outra característica que deveria ser importada pelos poderes públicos. “Os poucos órgãos do governo que trabalham assim funcionam bem”, ressalta, citando o Exército, Itamaraty, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal como exemplos.

Existe um caminho muito longo para que os métodos de gestão da iniciativa privada sejam implementados no setor público, na opinião de Johannpeter. Os governos trabalham baseados em ciclos eleitorais e põem decisões políticas acima das escolhas técnicas. Porém, segundo o empresário, os líderes políticos ainda não veem que “as tecnologias de gestão geram resultados eleitorais”. O membro do Conselho do Movimento Brasil Competitivo (MBC) lembrou que governos dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Pernambuco, além da capital fluminense, são os poucos exemplos no Brasil de utilização de ferramentas de gestão inspiradas no setor privado. E ainda aproveitou para provocar o Rio Grande do Sul: “Aqui, 56% da folha de pagamento está comprometida com os aposentados. Só 0,3% é investido em pesquisa e tecnologia. Isso é pensar a longo prazo?”

Três fatores para melhorar a competitividade brasileira

A perda de competitividade no mercado internacional tem sido queixa constante da indústria do país. Os altos custos de mão-de-obra e dos impostos e a baixa produtividade são os principais vilões das empresas brasileiras. Para Jorge Gerdau Johannpeter, o Brasil precisa lidar com três questões para poder ganhar força na briga com os concorrentes: educação, logística e tributos.

“A produtividade acontece no chão de fábrica, não no escritório”, garante o empresário, que defende um reforço de investimento no ensino fundamental. No Brasil, o analfabetismo funcional chega a 40% no quarto ano do Ensino Médio. No entanto, Johannpeter acredita que a educação proporcionada no Brasil não é insuficiente apenas na capacitação técnica, mas também na formação de cidadãos. “A produtividade se consegue com educação no sentido mais amplo”, diz. Só assim, cria-se a consciência de aproveitamento de todos os recursos da empresa sem ocorrer desperdício.

Sobre os impostos, Johannpeter afirma que é impossível disputar o mercado carregando uma sacola de 40 quilos nas costas, em alusão à carga tributária de 40% do PIB que é enfrentada pelas companhias brasileiras.  “É uma corrida perdida contra os concorrentes. A {margem para aumentar a} carga tributária está esgotada”, reclama.

A infraestrutura é outro obstáculo para o crescimento da economia brasileira, na análise de Jorge Gerdau Johannpeter. O custo com as operações de logística no Brasil chega a 15% do orçamento da empresa, mais do que o dobro dos Estados Unidos. “O orçamento do Ministério de Transportes é de R$15 bilhões enquanto que o déficit de projetos rodoviários, ferrovias, portos e aeroportos é de R$ 660 bilhões”, revela Johannpeter, que aposta nos projetos de concessão e de Parcerias Público-Privadas (PPPs) do governo federal como a principal saída para os problemas de infraestrutura do país.

Fonte: Laura D’Angelo / Revista Amanhã

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