A caçada ao Encouraçado Potemkin

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Motins a bordo de navios são considerados graves crimes contra o Estado. Seus autores dificilmente escapariam de uma corte marcial e até o início do século XX eram punidos com a morte. Dos grandes motins na história da marinha citamos o do navio Bounty, e o do encouraçado Potemkim. Este último foi transformado numa das maiores obras primas do cinema, pelo cineasta russo Sergei Eisenstein em O Encouraçado Potemkin, produzido em 1925.

Milhões de cinéfilos assistiram a este filme. O mesmo foi eleito em 1926, pela Academia Americana de Artes, como o melhor filme do mundo. Em 1958, a Exposição Internacional de Bruxelas considerou-o o melhor filme de todos os tempos e de todos os povos. Estas são apenas duas das muitas listas de obras primas em que este clássico foi consagrado como o maior filme da história da Sétima Arte. Imagem2

O encouraçado russo, o mais poderoso navio da Marinha Imperial, foi incorporado à frota do Mar Negro em 1904 e batizado em homenagem ao Almirante Grigori Aleksandrovich Potemkin. Este histórico personagem do século XVIII serviu durante o reinado de Catarina da Rússia. Amante da Imperatriz durante muitos anos, ele ampliou as fronteiras russas, em especial na região sul. Potemkin foi o idealizador da frota do Mar Negro e fundou várias cidades, entre elas Sebastopol.

Em 1905 o país atravessava uma grave crise social. Toda a Rússia estava à beira da insurreição contra o governo autocrático do Czar Nicolau II. A marinha acabara de sofrer uma vergonhosa derrota na Batalha de Tsushima, durante a guerra entre Rússia e Japão. Desde Trafalgar jamais havia ocorrido um batalha naval deste porte. A marinha japonesa, liderada pelo almirante Togo destruiu dois terços da frota russa.

Em junho de 1905, devido aos maus tratos recebidos por parte dos oficiais, além das precárias condições de higiene e conforto a bordo, 700 marinheiros do Potemkin deram início a uma revolta. O estopim foi a carne podre e cheia de vermes servida a eles numa das refeições. Imagem3

Liderados pelo carismático e instigador Afanasy Matyuchenko, os marinheiros revolucionários arriscaram suas vidas para tomar posse do encouraçado frente ao porto de Odessa e pendurar em seu mastro a bandeira vermelha da revolução. O filme de Eisenstein narra em detalhes como era a vida a bordo, sob a opressão dos oficiais, a revolta e a batalha pela tomada do navio, até o final apoteótico, quando outros navios da frota se aproximam saudando e aderindo aos revolucionários.

Acontece que O Encouraçado Potemkin foi realizado quando a Revolução Russa já havia tomado o poder, obrigando Eisenstein a encerrar o filme com um final feliz.

Decorrido quase um século desta revolta, que funcionou como um prólogo da Revolução Russa que iria derrubar o Czar do poder, está ao nosso alcance saber o que realmente aconteceu após a tomada do navio. O escritor Neal Bascomb em seu livro O Encouraçado Potemkin – onze dias decisivos do motim vermelho de 1905. (Editora Objetiva) nos revela que a frota do Mar Negro não aderiu aos revoltosos do encouraçado. O motim aconteceu em junho de 1905 e após zarpar de Odessa o encouraçado passou a ser perseguido por toda a flotilha russa. As primeiras páginas do livro de Bascomb são dedicadas à batalha de Tsushima, para demonstrar o quanto esta derrota influiu no moral de toda a marinha russa.

O escritor descreve a tomada do encouraçado pelos marinheiros, cujo engajamento político era mínimo. Eles agiam contra um regime autocrático que se estendia do Czar Nicolau à nobreza e aos oficiais da marinha que os encaravam como vassalos do Estado que existiriam apenas para servir e sofrer. O libro de Bascomb descreve a odisseia desses marinheiros que ousaram desafiar o Czar, escapar da perseguição dos esquadrões de navios de guerra e lograram atrair a atenção internacional, dominando as primeiras páginas dos jornais das principais metrópoles, inclusive dos Estados Unidos.

Liderados por Afanasy Nikolayevitch Matyuchenko, a tripulação do Potemkin vagou pelas águas do Mar Negro, em busca do apoio da população de alguma cidade litorânea.  Após onze dias sem água potável, sem combustível e alimentos os tripulantes decidiram ancorar num porto romeno, entregar o navio e buscar asilo político. Para os leitores que assistiram ao O Encouraçado Potemkin, ou mesmo para aqueles que jamais viram a película de Eisenstein, o livro de Neil Bascomb irá proporcionar a todos um novo mergulho na história ao acompanhar os detalhes do motim e a posterior odisseia da tripulação do Potemkin vagando sem rumo pelo Mar Negro.

Clique aqui e assista cenas de O Encouraçado Potemkin:

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